{"id":8897,"date":"2007-02-08T16:45:00","date_gmt":"2007-02-08T16:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8897"},"modified":"2007-02-08T16:45:00","modified_gmt":"2007-02-08T16:45:00","slug":"as-razoes-do-meu-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-razoes-do-meu-nao\/","title":{"rendered":"As raz\u00f5es do meu N\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>O referendo, que agora est\u00e1 em curso para saber qual a posi\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas perante a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, continua a pecar por falta de clareza. \u00c9 certo que o assunto \u00e9 complexo, por misturar problemas sociais, biol\u00f3gicos, humanit\u00e1rios, culturais. Mas, como a quest\u00e3o est\u00e1 apresentada, a pergunta que resulta \u00e9 esta: a sociedade aceita ou n\u00e3o aceita que a Mulher interrompa a gravidez nas primeiras dez semanas, sem que para isso tenha que apresentar qualquer justifica\u00e7\u00e3o? Mas ser\u00e1 que a Mulher poder\u00e1 ter a liberdade de decidir quanto ao destino a dar ao seu filho nas primeiras dez semanas de vida? Sim, porque julgo n\u00e3o haver d\u00favidas de que o que traz no seu ventre \u00e9 o seu filho. E que est\u00e1 vivo tamb\u00e9m n\u00e3o haver\u00e1, certamente, d\u00favidas. Ser\u00e1, portanto, uma vida humana, que est\u00e1 no in\u00edcio de uma longa ascens\u00e3o que sob o ponto de vista biol\u00f3gico atingir\u00e1 o m\u00e1ximo, estabilizando, por volta dos vinte anos, para mais tarde come\u00e7ar um processo de regress\u00e3o. Aquilo a que chamamos nascimento \u00e9 apenas uma importante fase da vida em que o indiv\u00edduo, j\u00e1 com mais capacidade de defesa, passa do ambiente materno, onde dever\u00e1 estar particularmente protegido, para o exterior, onde as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais adversas.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se diga que aquele filho foi resultado do acaso. N\u00e3o aceitamos admitir que as mulheres portuguesas desconhe\u00e7am a exist\u00eancia de regras para fazer planeamento familiar e a disponibilidade de meios que o pr\u00f3prio Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade lhes p\u00f5e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para evitar gesta\u00e7\u00f5es indesejadas. Mas n\u00e3o tenhamos d\u00favidas: o problema \u00e9 cultural e, mais do que permitir o aborto livre, \u00e9 preciso responsabilizar as mulheres e os seus parceiros pelos actos que levianamente cometem sem pensar nas consequ\u00eancias. <\/p>\n<p>E, se se pretende que a Mulher tenha liberdade para dispor livremente do seu filho, n\u00e3o ser\u00e1 que a este tamb\u00e9m deveria ser dada liberdade de prosseguir no seu crescimento concretizando o projecto que a pr\u00f3pria m\u00e3e criou? E n\u00e3o deveria ser a sociedade a dar-lhe garantia dessa liberdade? Que sociedade \u00e9 esta que n\u00e3o protege os mais fracos? Os que n\u00e3o t\u00eam capacidade para se fazerem ouvir.<\/p>\n<p>Quantas vezes um mendigo faminto e desprezado ter\u00e1 motivos para roubar. Mas a sociedade n\u00e3o lho permite. O roubo ainda n\u00e3o foi descriminalizado. Os tribunais v\u00e3o julg\u00e1-lo, porque aos tribunais compete julgar e n\u00e3o executar penas. O julgamento pressup\u00f5e uma avalia\u00e7\u00e3o dos actos e das suas causas. Se houver atenuantes elas ser\u00e3o consideradas e a pena ser\u00e1 aplicada de acordo. Mas o ladr\u00e3o tem que saber que est\u00e1 a cometer um acto il\u00edcito e a sociedade tamb\u00e9m deve saber at\u00e9 que ponto \u00e9 respons\u00e1vel pelas causas que motivaram o acto. E deve tentar corrigi-las, quando desta forma toma conhecimento.<\/p>\n<p>Suprimir uma vida \u00e9 sempre uma atitude contra a natureza que, de forma admir\u00e1vel, assegura a continuidade das esp\u00e9cies na Terra. Em qualquer situa\u00e7\u00e3o, nunca se deve interromper esse processo maravilhoso sem que uma justifica\u00e7\u00e3o imperiosa a tal obrigue. E, na esp\u00e9cie humana, essa justifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 contemplada, ao permitir a interrup\u00e7\u00e3o da vida nos primeiros meses de gesta\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de risco para a vida da m\u00e3e, anomalias graves que comprometam a vida do filho ou de grave atentado \u00e0 liberdade e dignidade da Mulher.<\/p>\n<p>Porque havemos de ser mais permissivos, permitindo que algu\u00e9m tenha poderes para suprimir uma vida humana sem sequer ter de o justificar?<\/p>\n<p>Vamos todos procurar votar bem. Os nossos netos, que agora est\u00e3o t\u00e3o indefesos como o embri\u00e3o humano, agradecer\u00e3o o voto que lhes d\u00ea uma sociedade livre mas respons\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O referendo, que agora est\u00e1 em curso para saber qual a posi\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas perante a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, continua a pecar por falta de clareza. \u00c9 certo que o assunto \u00e9 complexo, por misturar problemas sociais, biol\u00f3gicos, humanit\u00e1rios, culturais. 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