{"id":8898,"date":"2007-02-08T16:47:00","date_gmt":"2007-02-08T16:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8898"},"modified":"2007-02-08T16:47:00","modified_gmt":"2007-02-08T16:47:00","slug":"foruns-sociais-e-economicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/foruns-sociais-e-economicos\/","title":{"rendered":"F\u00f3runs Sociais e Econ\u00f3micos"},"content":{"rendered":"<p>Acabaram na Quinta-feira, dia 25 de Janeiro, e no Domingo, dia 28 de Janeiro, dois F\u00f3runs: um Social, em Nairobi, no Qu\u00e9nia, o outro Econ\u00f3mico, em Davos, na Su\u00ed\u00e7a. Ambos com o ep\u00edteto \u201cmundial\u201d, mas nenhum deles o era de facto.<\/p>\n<p>A Economia \u00e9 a gest\u00e3o dos recursos que h\u00e1 no mundo de modo inteligente: em respeito e sustentabilidade, estando a esp\u00e9cie humana inserida nesta teia! Parece-me que ao referir a Economia, referi ao mesmo tempo a quest\u00e3o \u201cSocial\u201d. S\u00e3o confusas as no\u00e7\u00f5es porque t\u00e3o pr\u00f3ximas uma da outra. Ambos os f\u00f3runs, afinal, queriam resolver os mesmos problemas e quest\u00f5es de fundo, embora de pontos de vista diferentes.<\/p>\n<p>Do lado Social, em Nairobi, falou-se da pobreza, do ambiente, da fome. Muito boa gente quer mesmo mudar o mundo e acredita que o podemos realmente fazer. No F\u00f3rum Econ\u00f3mico, em Davos, muito l\u00edderes pol\u00edticos e empresariais (e um que costuma lutar pelos que est\u00e3o no hemisf\u00e9rio sul, o vocalista Bono) discutiram neg\u00f3cios, a guerra contra o terrorismo, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e tudo o que isso implica: sustentabilidade, ambiente, bem-estar da humanidade, pobreza, fome, equil\u00edbrio financeiro.<\/p>\n<p>De ambos os lados, estiveram os habituais pol\u00edticos: os l\u00edderes na Su\u00ed\u00e7a, enquanto outros, numa de emplastros, juntaram-se ao Qu\u00e9nia. Quer de esquerda, quer de direita, sempre que cheiram uma boa ideia l\u00e1 se colam a ela em vez de criarem as suas. Fizeram com que Nairobi \u00e0s vezes parecesse um com\u00edcio e n\u00e3o um F\u00f3rum.<\/p>\n<p>Sem ter em conta os antecedentes de cada um dos eventos, pergunto-me com ingenuidade: Porque estiveram estes dois f\u00f3runs t\u00e3o afastados um do outro? Com os mesmos objectivos, as mesmas aspira\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>Se em Davos se discutiram mercados, neg\u00f3cios, economia e a gest\u00e3o dos bens, deviam ter em conta os milh\u00f5es de consumidores que podiam entrar na cadeia de trocas (justa ou injusta, n\u00e3o est\u00e1 em quest\u00e3o) que \u00e9 a economia mundial. Se partilharmos o nosso a mais com Africa, eles um dia poder\u00e3o ser nossos clientes e n\u00f3s clientes deles. N\u00e3o \u00e9 isso que os empres\u00e1rios querem? Mais clientes? Mais mercado?<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o nos deixamos de proteccionismos comerciais que para n\u00f3s significam n\u00e3o mais que 2% da nossa Economia (UE e EUA) mas que a muitos milh\u00f5es de pessoas bloqueiam a entrada na escada do desenvolvimento, n\u00e3o permitindo escoamento dos seus produtos? Permitiamos-lhes assim a fuga definitiva da fome e da mis\u00e9ria, por sua pr\u00f3pria m\u00e3o e trabalho de produ\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Se em Nairobi se falou da fome, da mis\u00e9ria, do ambiente, da Paz\u2026 N\u00e3o era do interesse de todos abrir mercados para troca de bens, que pudessem suprir estas necessidades t\u00e3o b\u00e1sicas? N\u00e3o era do interesse que houvesse justi\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o e toler\u00e2ncia para com as diferen\u00e7as? <\/p>\n<p>A era das esmolas mal geridas, dos gr\u00e3os simb\u00f3licos, das caminhadas pelo p\u00e3o ou outras m\u00edsticas entusi\u00e1sticas (j\u00e1 s\u00f3 nas campanhas de referendos ao aborto \u00e9 que ainda vemos isso de ambos os lados) acabou. \u00c9 hora de trabalho, de compromisso, de m\u00e9todo e objectivos! De donativos (diferente de esmola) que sejam bem geridos e para programas que v\u00e3o ao encontro da desejada autonomia econ\u00f3mica e social de todos e em todo o mundo. Chega de recolher tampinhas para uma pessoa poder ter uma cadeira de rodas! N\u00e3o ter\u00e1 direito intr\u00ednseco a ela? Chega de lutar pelos pobrezinhos eternos. Temos de lutar \u00e9 para que eles tenham as condi\u00e7\u00f5es que n\u00f3s temos, para serem de facto nossos irm\u00e3os e n\u00e3o nossos coitadinhos, porque, no fim de contas, se h\u00e1 ricos e se h\u00e1 pobres, somos n\u00f3s seres humanos que erramos na gest\u00e3o dos recursos que h\u00e1 no mundo e na sua equilibrada distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 Deus o culpado de morrerem tantas criancinhas de fome, como se ouve tanto dizer por a\u00ed. N\u00e3o \u00e9 a natureza, n\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m, para al\u00e9m do Homem e dos seus desentendimentos: Somos n\u00f3s, enquanto esp\u00e9cie, que continuamos a lutar pelo mesmo, com motiva\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias e por isso de costas voltadas, uns em Davos, outros em Nairobi.<\/p>\n<p>J\u00e1 todos sabemos o que \u00e9 necess\u00e1rio fazer tecnicamente\u2026 Quando sairemos das reuni\u00f5es para come\u00e7ar de facto a fazer as coisas?<\/p>\n<p>Como disse Bono em Davos, \u00abforam feitas promessas s\u00e9rias. Os cheques foram assinados; (\u2026) se essas promessas n\u00e3o forem cumpridas, seremos uma gera\u00e7\u00e3o de c\u00ednicos\u00bb. Como disse o bispo Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu em Nairobi: \u00abA guerra contra o terror nunca ser\u00e1 ganha enquanto houver no mundo condi\u00e7\u00f5es que levem as pessoas ao desespero\u00bb, como a pobreza desumanizadora, as doen\u00e7as e a ignor\u00e2ncia. \u00abA lei fundamental do nosso Ser \u00e9 que devemos uns aos outros. A \u00fanica maneira de cumprir essa lei \u00e9 a uni\u00e3o entre todos\u00bb.<\/p>\n<p>Aproveito, inspirado nas palavras do s\u00e1bio Tutu, uma sugest\u00e3o de ac\u00e7\u00e3o: Que tal um F\u00f3rum Econ\u00f3mico-Social, esse sim definitiva e verdadeiramente mundial?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acabaram na Quinta-feira, dia 25 de Janeiro, e no Domingo, dia 28 de Janeiro, dois F\u00f3runs: um Social, em Nairobi, no Qu\u00e9nia, o outro Econ\u00f3mico, em Davos, na Su\u00ed\u00e7a. Ambos com o ep\u00edteto \u201cmundial\u201d, mas nenhum deles o era de facto. 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