{"id":8901,"date":"2007-02-08T16:52:00","date_gmt":"2007-02-08T16:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8901"},"modified":"2007-02-08T16:52:00","modified_gmt":"2007-02-08T16:52:00","slug":"fragilidade-do-referendo-e-caminhos-de-solucao-em-aberto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/fragilidade-do-referendo-e-caminhos-de-solucao-em-aberto\/","title":{"rendered":"Fragilidade do referendo e caminhos de solu\u00e7\u00e3o em aberto"},"content":{"rendered":"<p>Ouvi pela r\u00e1dio as interven\u00e7\u00f5es feitas, na China, por dois ministros do nosso governo, quer sobre o sil\u00eancio \u201crecomend\u00e1vel\u201d a prop\u00f3sito da denega\u00e7\u00e3o dos direitos humanos naquele pa\u00eds, quer sobre o propalar das vantagens dos baixos sal\u00e1rios praticados em Portugal, a fim de se captarem os investimentos de empres\u00e1rios chineses. <\/p>\n<p>Fiquei, mais uma vez, estupefacto, tal como muita gente, pelo pragmatismo, pobre e perigoso, que se instalou nas nossas inst\u00e2ncias governamentais e que denuncia algum menosprezo pelos aspectos humanos e sociais, fazendo do econ\u00f3mico o m\u00f3bil \u00fanico ou quase \u00fanico, do agir e das suas preocupa\u00e7\u00f5es de quem nos governa.<\/p>\n<p>A mesma fragilidade e desvirtuamento vem-se manifestando em outros aspectos da vida nacional, por via do mesmo obcecado pragmatismo, que faz absolutos de aspectos da vida nacional, do pensamento \u00fanico ou do de grupos reduzidos de cidad\u00e3os. <\/p>\n<p>O pragmatismo reduz sempre o horizonte dos problemas e das suas consequ\u00eancias e cede facilmente \u00e0 press\u00e3o do mais imediato e emotivo e a interesses que reduzem a realidade a casos isolados. Assim se falsificam os problemas e as poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es e se criam emaranhados, com consequ\u00eancias que tornam sempre o futuro mais dif\u00edcil.  <\/p>\n<p>O governo empenhou-se agora, com o mesmo pragmatismo, pela sua interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica, no m\u00ednimo discut\u00edvel e critic\u00e1vel, numa campanha que \u00e9, por si e para o mesmo governo, muito perigosa, qualquer que seja o seu resultado final. <\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o \u00fanico caminho, plaus\u00edvel e poss\u00edvel, para evitar o aborto clandestino e a n\u00e3o penaliza\u00e7\u00e3o das mulheres que abortam, \u00e9 a liberaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica abortiva a pedido da m\u00e3e gr\u00e1vida, ainda que com marca\u00e7\u00e3o no tempo e condi\u00e7\u00f5es que todos podemos considerar muros ou balizas, sem alicerce que no futuro os sustente? <\/p>\n<p>N\u00e3o haver\u00e1 mesmo uma outra via, essa sim considerada dever de estado e a merecer especial aten\u00e7\u00e3o de quem governa, que \u00e9 de prevenir, a tempo e de modo eficaz, o drama maternal, quando ele existe, de ter de optar pela morte do filho gerado, e de apoiar, sem retic\u00eancias, ju\u00edzos ou excep\u00e7\u00f5es, as mulheres em dificuldade, as fam\u00edlias em transe e, obviamente, as crian\u00e7as que, com pleno direito, acabar\u00e3o por nascer? <\/p>\n<p>Muitas institui\u00e7\u00f5es, na maioria ligadas \u00e0 Igreja ou a associa\u00e7\u00f5es de volunt\u00e1rios, dedicados e honestos, lutam, desde h\u00e1 anos e de modo permanente, por este objectivo, com resultados concretos e conhecidos pelos servi\u00e7os p\u00fablicos, ainda que calados por muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o social ou fingidamente ignorados por cidad\u00e3os e grupos sociais, que s\u00f3 conhecem o metro quadrado de um viver com poucos horizontes, e que s\u00f3 consideram v\u00e1lido e de interesse o que a\u00ed se pensa e se realiza.<\/p>\n<p>O \u201cn\u00e3o\u201da qualquer forma de aborto n\u00e3o \u00e9 nunca, para algu\u00e9m esclarecido, uma insensibilidade para com a m\u00e3e que aborta ou uma indiferen\u00e7a perante a chaga do aborto clandestino. \u00c9 um grito, para que se trate com total seriedade um problema grave e s\u00e9rio, e n\u00e3o seja iludido com fal\u00e1cias e solu\u00e7\u00f5es que o n\u00e3o s\u00e3o. \u00c9 um apelo corajoso, para que n\u00e3o se discuta o valor da vida, mas para que ela se proteja por todos os meios poss\u00edveis, antes de ser gerada e depois de o ser. \u00c9 a via coerente que respeita a mulher m\u00e3e, lhe estende sempre, de cora\u00e7\u00e3o aberto, a m\u00e3o amiga que a quer ajudar, sem ju\u00edzos nem condena\u00e7\u00f5es. \u00c9 o caminho normal com garantia de sucesso futuro, porque \u00e9 den\u00fancia de um pragmatismo perigoso e sempre limitado, e acicate que n\u00e3o deixar\u00e1 nunca indiferentes nem o Estado, nem os cidad\u00e3os e jamais permitir\u00e1 que se considere resolvido, em definitivo, por via de um referendo, o grave problema que est\u00e1 em causa. <\/p>\n<p>Governar \u00e9 prever, prevenir e propor caminhos v\u00e1lidos para os problemas nacionais. Esse \u00e9 o grande compromisso dos governantes: guardar maior fidelidade \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do bem comum, que \u00e0s promessas eleitorais e aos gostos e ideias pessoais. Por via democr\u00e1tica, os cidad\u00e3os podem e devem ajudar a que assim aconte\u00e7a. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ouvi pela r\u00e1dio as interven\u00e7\u00f5es feitas, na China, por dois ministros do nosso governo, quer sobre o sil\u00eancio \u201crecomend\u00e1vel\u201d a prop\u00f3sito da denega\u00e7\u00e3o dos direitos humanos naquele pa\u00eds, quer sobre o propalar das vantagens dos baixos sal\u00e1rios praticados em Portugal, a fim de se captarem os investimentos de empres\u00e1rios chineses. 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