{"id":8902,"date":"2007-02-15T10:07:00","date_gmt":"2007-02-15T10:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8902"},"modified":"2007-02-15T10:07:00","modified_gmt":"2007-02-15T10:07:00","slug":"e-a-conceicaozinha-dos-ovos-moles-da-costeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-a-conceicaozinha-dos-ovos-moles-da-costeira\/","title":{"rendered":"E a Concei\u00e7\u00e3ozinha dos ovos moles da Costeira?"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores &#8211; Ainda  os &#8220;Grandes Aveirenses&#8221; <!--more--> Ao Correio do Vouga chegaram v\u00e1rios coment\u00e1rios sobre os \u201cGrandes Aveirenses\u201d, uns agradecendo a iniciativa e outros acrescentando mais alguns nomes \u00e0 lista: D.\u00aa Concei\u00e7\u00e3o Maria dos Anjos, General Jo\u00e3o de Almeida, Fern\u00e3o de Oliveira e Alberto Souto. Hoje referimos apenas a \u201cConcei\u00e7\u00e3ozinha dos ovos moles da Costeira\u201d.<\/p>\n<p>Sobre D.\u00aa Concei\u00e7\u00e3o Maria dos Anjos, que faleceu no dia 9 de Outubro de 1953, escreveu-nos a Irm\u00e3 Concei\u00e7\u00e3o Gomes, Mission\u00e1ria Reparadora do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, a viver no Porto:<\/p>\n<p>\u201cFiquei deveras surpreendida e entristecida ao ver logo na primeira p\u00e1gina do CV as que foram consideradas figuras mais not\u00e1veis de Aveiro, tendo sido olvidada a mulher que orou, trabalhou, sofreu pela restaura\u00e7\u00e3o da Diocese \u2013 D.\u00aa Concei\u00e7\u00e3o Maria dos Anjos.<\/p>\n<p>De resto, j\u00e1 o Mons. Gaspar cometeu o mesmo erro no livro sobre a Diocese e eu escrevi-lhe imediatamente a reparar-lhe, ao que ele respondeu que, de facto, se n\u00e3o fosse ela, a Diocese n\u00e3o teria sido restaurada e que iria trabalhar para que uma das ruas da cidade tivesse o seu nome. Eu n\u00e3o digo que a Diocese n\u00e3o teria sido restaurada, mas teria demorado muito mais tempo.<\/p>\n<p>Mas que era a D. Concei\u00e7\u00e3o da Costeira, como fora conhecida? Uma enjeitada por m\u00e3e solteira envergonhada, que, ap\u00f3s ter sido criada por uma ama de Bolfiar (\u00c1gueda), veio parar a um asilo de Aveiro e, por fim, \u00e0 primeira Casa dos Ovos como empregada e, por morte da patroa, como dona.<\/p>\n<p>Como conheceu a ideia da Restaura\u00e7\u00e3o da Diocese n\u00e3o sei, porque, quando eu lhe fui entregue no dia 7 de Janeiro de 1931, j\u00e1 ela rezava e trabalhava por essa inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fazia todos os anos duas ou tr\u00eas novenas de retiro na igreja da Gl\u00f3ria, hoje S\u00e9, na ora\u00e7\u00e3o e no jejum. Sa\u00eda de casa ao Angelus e voltava \u00e0s Trindades; apenas lhe levavam uma pequena refei\u00e7\u00e3o ao meio-dia. \u00c0 noite, tomava ch\u00e1 e um p\u00e3o seco.<\/p>\n<p>Tinha uma grande devo\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo, que sem d\u00favida a conduzia, e vivia muito unida a Deus. <\/p>\n<p>Para escrever ao N\u00fancio Apost\u00f3lico, recorria \u00e0 Superiora do Col\u00e9gio do Cora\u00e7\u00e3o de Maria, que lhe passava para franc\u00eas o que ela dizia; e assim foi respondendo \u00e0s exig\u00eancias da nunciatura. Sofreu, porque se via s\u00f3 a lutar por causa t\u00e3o justa. Se a parte pertencente \u00e0 Diocese do Porto tinha padres e seminaristas bem formados, a parte de Coimbra era um caos, a come\u00e7ar pela cidade&#8230; Isto afligia-a profundamente. O D. Jo\u00e3o Evangelista apoiou-a bastante; e logo ofereceu, ele mesmo, a casa para o futuro Bispo, fosse ele quem fosse. Ap\u00f3s a Restaura\u00e7\u00e3o, ele s\u00f3 lhe recomendou: Agora, sil\u00eancio&#8230; E tanto sil\u00eancio que, ap\u00f3s a sua morte, os aveirenses nem sabem quem ela foi e qual o seu papel mesmo no campo social, que eu agora n\u00e3o descrevo&#8230; Deus serve-se do que \u00e9 pobre e fraco para realizar grandes obras para a salva\u00e7\u00e3o da humanidade&#8230; (&#8230;)<\/p>\n<p>Creio que expliquei o necess\u00e1rio para que Aveiro n\u00e3o esque\u00e7a quem tento contribuiu para a sua grandeza espiritual\u201d.<\/p>\n<p>O Correio do Vouga interrogou Mons. Jo\u00e3o Gaspar, visado na carta, sobre a D\u00aa Concei\u00e7\u00e3o Maria dos Anjos. O vig\u00e1rio-geral da diocese e historiador revelou ao nosso jornal que tem feito variadas refer\u00eancias \u00e0 mulher que, de facto, teve uma influ\u00eancia popular na Restaura\u00e7\u00e3o do bispado.<\/p>\n<p>Na obra de Mons. Jo\u00e3o Gaspar, \u201cA Diocese de Aveiro \u2013 Subs\u00eddios para a sua hist\u00f3ria\u201d (de 1964), podemos ler na p\u00e1gina 252 o que D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal escreveu sobre esta mulher, em 1957. Diz o bispo restaurador: \u201cUma doceira, a Concei\u00e7\u00e3ozinha dos ovos moles da Costeira [actual rua de Coimbra], \u00e0 falta de grande pena para escrever, resmungava a todo o instante na pastelaria o seu desamor e punha a sua pequena influ\u00eancia, assim pessoal como industrial, ao servi\u00e7o da revindicta. Esta mulher, um pouco excessiva talvez, como s\u00e3o em geral as pessoas g\u00e9nio apanhadas por um ideal, foi uma daquelas de quem eu mais senti outrora os aux\u00edlios e de quem agora mais estou a sentir a saudade e falta\u201d.<\/p>\n<p>No terceiro volume de \u201cLima Vidal no seu Tempo\u201d, v\u00e1rias passagens s\u00e3o dedicadas \u00e0 doceira.<\/p>\n<p>Finalmente, e apenas para ficarmos nas refer\u00eancias mais significativas, Mons. Jo\u00e3o Gaspar dedica-lhe duas p\u00e1ginas em \u201cCaminhar na Esperan\u00e7a\u201d (\u201cBenfeitora Aveirense\u201d, p\u00e1g. 242-243).<\/p>\n<p>Enquanto elemento da Comiss\u00e3o de Topon\u00edmia da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, Mons. Jo\u00e3o Gaspar revelou ainda que nos projectos de urbaniza\u00e7\u00e3o de Forca-Vouga est\u00e1 previsto que uma rua venha a ter o nome de Concei\u00e7\u00e3o Maria dos Anjos.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores &#8211; Ainda os &#8220;Grandes Aveirenses&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-8902","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8902","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8902"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8902\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}