{"id":8904,"date":"2007-02-15T10:10:00","date_gmt":"2007-02-15T10:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8904"},"modified":"2007-02-15T10:10:00","modified_gmt":"2007-02-15T10:10:00","slug":"rescaldo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/rescaldo\/","title":{"rendered":"Rescaldo"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 preciso ler as entrelinhas. Os n\u00fameros do Referendo n\u00e3o falam por si s\u00f3s, sem a conota\u00e7\u00e3o com a totalidade dos eleitores, para al\u00e9m do enigma das inten\u00e7\u00f5es abstencionistas e do peso da politiza\u00e7\u00e3o (leia-se partidariza\u00e7\u00e3o) de uma quest\u00e3o que \u00e9, antes de tudo, civilizacional, integrante de um quadro de valores subjacente \u00e0 alma dos povos e n\u00e3o apenas objecto de uma regra social. <\/p>\n<p>\u00c9 importante notar que mais de 56% dos portugueses eleitores n\u00e3o votaram. N\u00e3o podemos dar parab\u00e9ns \u00e0 democracia, por este mesmo facto. Poderia tal absten\u00e7\u00e3o querer dizer que a maioria dos portugueses n\u00e3o considera a vida referend\u00e1vel &#8211; e seria uma grande vit\u00f3ria da vida e da pr\u00f3pria democracia. <\/p>\n<p>Provavelmente o que ela significa \u00e9 um alheamento de muitos em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es fundamentais. Nesse caso, todos teremos de nos preocupar com a absten\u00e7\u00e3o. E os donos do poder, dos aparelhos partid\u00e1rios que se empenharam na mobiliza\u00e7\u00e3o, bem poder\u00e3o considerar a sua escassa capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>De qualquer modo, votaram \u201csim\u201d apenas pouco mais de um quarto dos que t\u00eam direito a voto, apesar da forte mobiliza\u00e7\u00e3o do Governo e de alguns partidos. Como votou \u201cn\u00e3o\u201d um quinto dos inscritos. E \u00e9 claro que esta \u00faltima cifra resulta essencialmente da mobiliza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, sem significativos \u201cimpulsos\u201d partid\u00e1rios. N\u00e3o h\u00e1, por isso, possibilidade de avalia\u00e7\u00e3o equitativa e confronto igual destes resultados finais.<\/p>\n<p>Ganhou claramente a consci\u00eancia de muitos: disseram-se argumentos cient\u00edficos, ficaram tamb\u00e9m a descoberto motivos ideol\u00f3gicos e concep\u00e7\u00f5es redutoras da pessoa e da vida humana, foram mesmo vis\u00edveis contradi\u00e7\u00f5es em alguma argumenta\u00e7\u00e3o, observaram-se posi\u00e7\u00f5es sensatas e esclarecedoras, a par com alguns radicalismos sem sentido\u2026 Esse trabalho de informa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o vai continuar! Como vai continuar o empenho daqueles que, de h\u00e1 muito, puseram o seu interesse em acolher e proteger a vida, mesmo com a indiferen\u00e7a ou o magro apoio do Governo. Essa perspectiva de esclarecimento e educa\u00e7\u00e3o, de apoio concreto aos problemas que est\u00e3o na base da discuss\u00e3o, \u00e9 a mais valia de toda a campanha! <\/p>\n<p>Pena \u00e9 que j\u00e1 se perfilem no horizonte os oportunismos dos interesses econ\u00f3micos, com anunciadas aberturas de cl\u00ednicas estrangeiras para a realiza\u00e7\u00e3o do aborto. At\u00e9 que a lei venha a ser alterada e regulamentada, alguma tinta vai correr. E tem de correr! J\u00e1 que qualquer cidad\u00e3o se pode perguntar legitimamente com que direito um Estado, que n\u00e3o suporta iniciativas de cuidados de sa\u00fade prim\u00e1ria com qualidade, vai usar os nossos impostos com fins sanit\u00e1rios que n\u00e3o respeitam as convic\u00e7\u00f5es dos contribuintes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 preciso ler as entrelinhas. 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