{"id":8911,"date":"2007-02-15T10:40:00","date_gmt":"2007-02-15T10:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8911"},"modified":"2007-02-15T10:40:00","modified_gmt":"2007-02-15T10:40:00","slug":"a-paroquia-tem-razoes-para-se-sentir-fortemente-interpelada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-paroquia-tem-razoes-para-se-sentir-fortemente-interpelada\/","title":{"rendered":"A par\u00f3quia tem raz\u00f5es para se sentir fortemente interpelada"},"content":{"rendered":"<p>Primeiro de uma s\u00e9rie de artigos sobre a renova\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia.<\/p>\n<p>Sinal diversificado da presen\u00e7a de Deus no meio do Seu povo, reflexo de uma Igreja comunh\u00e3o de pessoas com identidade e rosto pr\u00f3prio, a par\u00f3quia tem raz\u00f5es para se sentir fortemente interpelada. Primeiro artigo de uma s\u00e9rie de textos sobre a par\u00f3quia em renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u201cEncontro de Madrid\u201d constituiu a 28\u00aa Semana de Teologia Pastoral e foi organizado pelo Instituto Superior de Pastoral da Universidade Pontif\u00edcia de Salamanca, com sede na cidade madrilena. Intitulou-se significativamente \u201c\u00e0s voltas com a par\u00f3quia\u201d e, de facto, assim aconteceu. O programa apresentou li\u00e7\u00f5es magistrais, comunica\u00e7\u00f5es em mesas redondas, di\u00e1logos interpessoais, trabalho de grupos, assembleias de partilha e informa\u00e7\u00e3o e tempos de ora\u00e7\u00e3o e de celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. <\/p>\n<p>Em todos estes \u201cespa\u00e7os\u201d, surge a par\u00f3-quia como um arco-\u00edris, sinal diversificado da presen\u00e7a de Deus no meio do Seu povo, reflexo de uma Igreja comunh\u00e3o de pessoas com identidade e rosto pr\u00f3prio, amostra transparente do influxo recebido do contexto social em se que situa e da \u00e9poca hist\u00f3rica em que vive, garante de uma esperan\u00e7a que faz elevar o olhar e mobilizar as energias.<\/p>\n<p>De facto, embora o \u201cEncontro de Madrid\u201d n\u00e3o tenha elaborado conclus\u00f5es, deixou nos participantes a certeza de que a par\u00f3quia \u00e9 necess\u00e1ria, embora insuficiente, de que a renova\u00e7\u00e3o operada fica muito aqu\u00e9m da exigida pelas mudan\u00e7as em curso e que, tudo aponta nesse sentido, ir\u00e3o acentuar-se.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia tem raz\u00f5es para se sentir fortemente interpelada. Para ser fiel \u00e0s suas origens sem\u00e2nticas, tem de se construir como unidade de vizinhan\u00e7a de residentes provisoriamente em territ\u00f3rio estrangeiro, porque demandam novas situa\u00e7\u00f5es, peregrinando para futuros melhores. A esta exig\u00eancia, junta-se o ser Igreja que se configura a partir da realidade envolvente: cidade e campo, basicamente. A organiza\u00e7\u00e3o e o funcionamento destes repercutem-se e moldam a institui\u00e7\u00e3o paroquial e, por sua vez, os dinamismos desta condicionam progressivamente aqueles.<\/p>\n<p>Hoje, a evolu\u00e7\u00e3o acelerou tremendamente. Vivemos numa situa\u00e7\u00e3o-mudan\u00e7a e em muta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, que se repercute sobretudo no estilo de vida, nas formas de comunica\u00e7\u00e3o e respectivas linguagens, nas pautas de valores que presidem \u00e0 escala de prioridades pessoais, familiares e sociais, nos crit\u00e9rios que determinam as op\u00e7\u00f5es. A pessoa est\u00e1 mais entregue a si mesma, recorre \u00e0 sua consci\u00eancia subjectiva, relativiza a rela\u00e7\u00e3o com os demais, sente-se detentora da sua verdade que n\u00e3o dispensa facilmente.<\/p>\n<p>Esta plataforma de chegada \u00e9 \u201crampa\u201d de lan\u00e7amento para novas fases em que tudo ficar\u00e1 \u201cem jogo\u201d, inclusivamente o valor e sentido da vida, a presen\u00e7a activa da Igreja nos espa\u00e7os p\u00fablicos e privados, a robustez da f\u00e9 em cada pessoa e nas fam\u00edlias, o direito \u00e0 liberdade religiosa dos cidad\u00e3os sem restri\u00e7\u00f5es camufladas.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia, enquanto por\u00e7\u00e3o do povo de Deus, sente-se nesta complexidade e, lentamente, vai dando passos para compreender o que est\u00e1 em causa. Por vezes, faz-se porta-voz da necessidade de renova\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os paroquiais; outras, vai mais longe e pede que seja a par\u00f3quia no seu conjunto que se renove.<\/p>\n<p>Muitos leigos sentem que a \u201cIgreja paroquial\u201d \u00e9 a que realmente existe no seu dia-a-dia, aquela que lhes facilita a rela\u00e7\u00e3o com a comunidade, a que lhes proporciona a forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do ser crist\u00e3o \u00e0 maneira de disc\u00edpulo de Jesus Cristo, a que revigora as suas for\u00e7as para dar testemunho da esperan\u00e7a no mundo e evangelizar as realidades temporais, a que os acompanha, na \u201chora da verdade\u201d, nos grandes acontecimentos da vida, sejam ou n\u00e3o ritos de passagem.<\/p>\n<p>Por isso, a amam com espontaneidade natural, a questionam, quando n\u00e3o corresponde \u00e0s suas expectativas, a desejam mais pr\u00f3xima dos espa\u00e7os humanos onde a vida est\u00e1 comprometida, a querem ver renovada com a participa\u00e7\u00e3o de todos, a n\u00e3o ser que algu\u00e9m voluntariamente se exclua.<\/p>\n<p>A necessidade de renova\u00e7\u00e3o \u00e9 partilhada e assumida praticamente, por todos os respons\u00e1veis da Igreja. N\u00e3o direi o mesmo em rela\u00e7\u00e3o aos caminhos a percorrer e aos objectivos a alcan\u00e7ar. Aqui, nem sequer h\u00e1 \u201cconverg\u00eancia estrat\u00e9gica\u201d, porque, a avaliar pela pr\u00e1tica pastoral, \u00e9 diferente a compreens\u00e3o da Igreja, da sua organiza\u00e7\u00e3o interna e da sua miss\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>O presente e, ainda mais, o futuro da par\u00f3quia est\u00e3o condicionados por esta vis\u00e3o de quem det\u00e9m as maiores responsabilidades. As experi\u00eancias \u201cavulso\u201d e isoladas j\u00e1 mostraram aonde se pode chegar, deixando a sensa\u00e7\u00e3o de que os resultados n\u00e3o correspondem ao investimento feito como suporte \u00e0 for\u00e7a renovadora do Esp\u00edrito de Deus. A efic\u00e1cia evang\u00e9lica tamb\u00e9m se mede pelos frutos. <\/p>\n<p>A necessidade de um processo que englobe todas as dimens\u00f5es da vida humana e eclesial parece impor-se cada vez mais. De contr\u00e1rio, a dist\u00e2ncia psicol\u00f3gica e cultural com os nossos contempor\u00e2neos acentua-se e corremos o risco de servir crist\u00e3os que \u201cseguem o seu caminho\u201d, de dar resposta a perguntas que n\u00e3o nos s\u00e3o pedidas, de nos relacionarmos com pessoas que \u201cn\u00e3o existem\u201d, porque est\u00e3o noutra onda.<\/p>\n<p>Vencer a dist\u00e2ncia, superar o risco, criar comunh\u00e3o, diversificar servi\u00e7os, fazer da par\u00f3quia \u201ccasa comum\u201d sempre aberta a todos, embora n\u00e3o seja para tudo, lan\u00e7ar pontes de contacto e de comunh\u00e3o com outras realidades eclesiais, constituem desafios a enfrentar, apoiados nas experi\u00eancias feitas e no desejo sincero de libertar a criatividade nesta hora hist\u00f3rica que vivemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro de uma s\u00e9rie de artigos sobre a renova\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia. Sinal diversificado da presen\u00e7a de Deus no meio do Seu povo, reflexo de uma Igreja comunh\u00e3o de pessoas com identidade e rosto pr\u00f3prio, a par\u00f3quia tem raz\u00f5es para se sentir fortemente interpelada. Primeiro artigo de uma s\u00e9rie de textos sobre a par\u00f3quia em renova\u00e7\u00e3o. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-8911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}