{"id":8919,"date":"2007-02-15T11:35:00","date_gmt":"2007-02-15T11:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8919"},"modified":"2007-02-15T11:35:00","modified_gmt":"2007-02-15T11:35:00","slug":"a-cidade-nao-pode-viver-sem-a-ria-mas-parece-que-a-esqueceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-cidade-nao-pode-viver-sem-a-ria-mas-parece-que-a-esqueceu\/","title":{"rendered":"A cidade n\u00e3o pode viver sem a Ria, mas parece que a esqueceu"},"content":{"rendered":"<p>No \u00faltimo F\u00f3rum do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, sobressaiu a rela\u00e7\u00e3o umbilical entre a cidade de Aveiro e a Ria. \u201cAveiro existe gra\u00e7as \u00e0 Ria\u201d e \u201cAveiro e a Ria de bra\u00e7os dados\u201d foram algumas das frases ditas sobre esta rela\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m: \u201cA Ria est\u00e1 abandonada\u201d ou \u201cQuem d\u00e1 um passeio na Ria desanima\u201d (por causa do lixo e degrada\u00e7\u00e3o que se v\u00eaem). Numa \u201cconversa aberta\u201d, moderada pela docente universit\u00e1ria Teresa Fid\u00e9lis, na noite de 7 de Fevereiro, tiveram a palavra Monsenhor Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar, historiador e vig\u00e1rio-geral da Diocese, e \u00c9lio Maia, presidente da C\u00e2mara Municipal de Aveiro que sugeriu a cria\u00e7\u00e3o de uma Funda\u00e7\u00e3o para a Ria. O p\u00fablico contribuiu com interven\u00e7\u00f5es apaixonadas.<\/p>\n<p>Entre outras imagens de Aveiro nos s\u00e9culos passados, Mons. Jo\u00e3o Gaspar apresentou mapas da evolu\u00e7\u00e3o do litoral aveirense nos \u00faltimos mil\u00e9nios at\u00e9 \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o da Barra, em 1808. Este \u00faltimo facto, \u201cfoi de excepcional import\u00e2ncia\u201d, pois \u201cveio p\u00f4r termo a longas e frequentes trag\u00e9dias\u201d. \u201cA nossa cidade, por sua parte, nunca mais deixaria de ver subir constantemente o seu \u00edndice de progresso e de crescer no ritmo demogr\u00e1fico, ali\u00e1s, merc\u00ea tamb\u00e9m de outras futuras e poderosas converg\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p>Ilha ao largo de Aveiro?<\/p>\n<p>Porque a geografia era muito diferente nos s\u00e9culos passados, Mons. Jo\u00e3o Gaspar levanta a hip\u00f3tese de a ilha referida por um historiador grego, que narrou as conquistas romanas, se situar no litoral aveirense: \u201cConta Di\u00e3o C\u00e1ssio, historiador grego falecido em 240 d. C., na sua \u201cHist\u00f3ria Romana\u201d, onde se encontram preciosos elementos sobre a Lusit\u00e2nia, que J\u00falio C\u00e9sar, ent\u00e3o questor, derrotando a corajosa valentia dos guerrilheiros dos Montes Herm\u00ednios [Viriato e Sert\u00f3rio], perseguiu-os at\u00e9 ao Oceano Atl\u00e2ntico. Um grupo deles refugiou-se numa ilha junto \u00e0 costa. Alguns militares de C\u00e9sar, em pequenos barcos, pretenderam atac\u00e1-los; mas a corrente mar\u00edtima apresentou-se-lhes inesperada e foi-lhes adversa, sendo impiedosamente dizimados pelos lusitanos. Recebidos refor\u00e7os, vindos de C\u00e1dis por mar, os romanos acabaram por vencer. Uma vez que a frota, antes de regressar ao sul, ainda navegou at\u00e9 \u00e0 Corunha, sup\u00f5e-se que a referida ilha se situava no litoral alavariense. Assassinado o general Sert\u00f3rio por trai\u00e7\u00e3o, no ano 72 a.C., foi finalmente aberta aos romanos a porta da Lusit\u00e2nia\u201d.<\/p>\n<p>Salinas em Eixo e Alquerubim<\/p>\n<p>No s\u00e9c. X d.C., ainda a costa tinha a forma de uma comprida ba\u00eda. Sabe-se, por documentos dos s\u00e9c. X e XI, que o sal era fabricado n\u00e3o apenas em \u00cdlhavo, Vagos, Soza e Boco, mas tamb\u00e9m em Esgueira, Eixo e Alquerubim.<\/p>\n<p>Barra m\u00f3vel<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o da Ria ao Mar variou ao longo dos tempos. Por volta de 1200, achava-se na Torreira. No final do s\u00e9c. XV, quase obstru\u00edda, encontrava-se em S. Jacinto; algumas d\u00e9cadas depois, estava na Costa Nova do Prado. Em 1575, um inverno tempestuoso quase a obstruiu, permitindo apenas a navega\u00e7\u00e3o de pequenas embarca\u00e7\u00f5es. No s\u00e9c. XVII, a barra encontrava-se na Vagueira. Em 1756, estava no limite actual do concelho de Mira. Em 1808, com obras que utilizaram as pedras da muralha de Aveiro, a barra foi definitivamente fixada no local actual.<\/p>\n<p>Popula\u00e7\u00e3o de Aveiro ao sabor da barra<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de Aveiro flutuou consoante a barra se situou perto de Aveiro e permitiu n\u00e3o s\u00f3 a navega\u00e7\u00e3o de grandes embarca\u00e7\u00f5es como a renova\u00e7\u00e3o e controlo das \u00e1guas. No s\u00e9c. XV (barra na Costa Nova), Aveiro tinha 18 mil habitantes. Ao longo do s\u00e9c. XVII (barra atulhada e mais para sul), a popula\u00e7\u00e3o diminui at\u00e9 aos 4 mil habitantes.<\/p>\n<p>Ria abandonada<\/p>\n<p>\u00c9lio Maia considerou que o abandono a que a Ria est\u00e1 votada na actualidade deve-se a factores como o decl\u00ednio das actividades comerciais a ela associadas e a outros de car\u00e1cter burocr\u00e1tico. \u00c9 que a gest\u00e3o do espa\u00e7o da Ria est\u00e1 dependente da CCDRC (Comiss\u00e3o de Coordena\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Regional do Centro), em Coimbra, desde que deixou de estar dependente da Junta Aut\u00f3noma do Porto de Aveiro. Por outro lado, \u201cpara espetar uma estaca na Ria\u201d, disse \u00c9lio Maia, \u00e9 preciso pedir autoriza\u00e7\u00e3o a dezenas de organismos, o que dificulta qualquer ac\u00e7\u00e3o. O presidente da C\u00e2mara de Aveiro referiu que os agentes econ\u00f3micos t\u00eam esbarrado com demasiada burocracia nos processos de licenciamento de actividades, como um restaurante flutuante. \u201cPercebendo que os processos podem demorar v\u00e1rios anos e, no fim, pode voltar tudo ao ponto de partida, os agentes desistem\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Quatro ideias-chave<\/p>\n<p>Reportando-se \u00e0s Jornadas da Ria, que decorreram em Outubro passado e em breve ter\u00e3o as suas conclus\u00f5es publicadas, \u00c9lio Maia sublinhou \u201cquatro grandes caminhos\u201d:<\/p>\n<p>&#8211; cria\u00e7\u00e3o de uma estrutura de coordena\u00e7\u00e3o com perspectiva global ao n\u00edvel da AMRia &#8211; Associa\u00e7\u00e3o de Munic\u00edpios da Ria (\u201cuma pessoa ou estrutura com vis\u00e3o global a quem saibamos que nos podemos dirigir\u201d);<\/p>\n<p>&#8211; cria\u00e7\u00e3o de um f\u00f3rum ou funda\u00e7\u00e3o global da Ria de Aveiro, com a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil, para aproveitar os fundos que est\u00e3o dispon\u00edveis pelo QREN, at\u00e9 2013;<\/p>\n<p>&#8211; elabora\u00e7\u00e3o de um plano de ac\u00e7\u00e3o que articule os planos municipais e da AmRia;<\/p>\n<p>&#8211; cobertura legal \u00e0s iniciativas anteriores, no \u00e2mbito da Lei da \u00c1gua.<\/p>\n<p>Estes quatro caminhos ser\u00e3o apresentados publicamente e poder\u00e3o depois ser enriquecidos por cidad\u00e3os de Aveiro e de todo este espa\u00e7o que \u00e9 abrangido pela Ria.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O presidente da C\u00e2mara afirmou que o muito que h\u00e1 a fazer tem de come\u00e7ar por cada aveirense. \u201cApesar de nenhum de n\u00f3s se sentir espelhado no que \u00e9 a Ria, n\u00e3o adianta atirar as culpas ao outros. Culpados? Somos n\u00f3s. A solu\u00e7\u00e3o? Come\u00e7a por n\u00f3s. Temos de assumir essa responsabilidade!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo F\u00f3rum do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, sobressaiu a rela\u00e7\u00e3o umbilical entre a cidade de Aveiro e a Ria. \u201cAveiro existe gra\u00e7as \u00e0 Ria\u201d e \u201cAveiro e a Ria de bra\u00e7os dados\u201d foram algumas das frases ditas sobre esta rela\u00e7\u00e3o. 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