{"id":8920,"date":"2007-02-15T11:40:00","date_gmt":"2007-02-15T11:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8920"},"modified":"2007-02-15T11:40:00","modified_gmt":"2007-02-15T11:40:00","slug":"sao-necessarias-medidas-imediatas-para-fazer-face-as-alteracoes-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sao-necessarias-medidas-imediatas-para-fazer-face-as-alteracoes-climaticas\/","title":{"rendered":"S\u00e3o necess\u00e1rias medidas imediatas para fazer face \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o uma \u201crealidade incontest\u00e1vel\u201d, at\u00e9 porque \u201ctodos n\u00f3s j\u00e1 demos conta de uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as em termos do que era o clima normal\u201d. \u201cCientificamente, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma\u201d, defende Carlos Borrego. O professor da Universidade de Aveiro (UA) e antigo ministro do Ambiente considera que em Aveiro \u00e9 necess\u00e1rio tomar medidas espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Carlos Alberto Diogo Soares Borrego, <\/p>\n<p>59 anos, licenciou-se em Engenharia Mec\u00e2nica (ramo Termodin\u00e2mica Aplicada), pelo Instituto Superior T\u00e9cnico (Lisboa), em 1972. Desde 1975 \u00e9 professor da Universidade de Aveiro (professor catedr\u00e1tico a partir de 1991). Em 1981, fez o doutoramento na Universit\u00e9 Libre de Bruxelles. Entre 1991 e 1993 foi ministro do Ambiente e Recursos Naturais. De 1998 a 2002 foi vice-reitor da UA. Com dezenas de artigos e livros publicados e tendo coordenado diversos projectos de investiga\u00e7\u00e3o, Carlos Borrego \u00e9 reconhecidamente um dos maiores especialistas nacionais em polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, foram provocadas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que, na opini\u00e3o do investigador da UA, \u201cn\u00e3o t\u00eam s\u00f3 a ver com a componente natural, j\u00e1 que, nas altera\u00e7\u00f5es que entretanto se produziram, houve, sem d\u00favida nenhuma, a introdu\u00e7\u00e3o de factores antropog\u00e9nicos que deram origem a um aumento da velocidade no que causa essas altera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o estamos a dizer que n\u00e3o haja altera\u00e7\u00f5es naturais, pode haver perfeitamente, e, se calhar, estamos numa situa\u00e7\u00e3o em que as altera\u00e7\u00f5es naturais est\u00e3o a evoluir; mas n\u00f3s, com a nossa interven\u00e7\u00e3o, viemos acelerar essas altera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Carlos Borrego real\u00e7a que, por aquilo que \u201choje \u00e9 conhecido cientificamente e est\u00e1 comprovado, as causas do aquecimento t\u00eam a ver com os gases do chamado \u00abefeito de estufa\u00bb. Neste conjunto de gases, incluem-se o anidrido carb\u00f3nico (ou di\u00f3xido de carbono, CO2,resultante de queimas), o metano (da putrefac\u00e7\u00e3o de res\u00edduos), o \u00f3xido nitroso (da decomposi\u00e7\u00e3o dos fertilizantes), os HCFC e os PFC (compostos clorados usados na ind\u00fastria) e o hexafloreto de enxofre (usado na ind\u00fastria).<\/p>\n<p>O efeito de estufa provoca o aumento da temperatura, o qual, de acordo com Carlos Borrego, \u201cj\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel, apesar de ainda ser em d\u00e9cimos de grau. O problema \u00e9 saber o que \u00e9 que estes d\u00e9cimos de grau, ou um grau, pode provocar\u201d. E pode provocar o aumento dos \u201cchamados eventos extremos\u201d, como \u201csecas, furac\u00f5es, inunda\u00e7\u00f5es, tempestades, temperaturas muito baixas, temperaturas muito altas; estes chamados eventos extremos acontecer\u00e3o mais vezes\u201d, at\u00e9 porque, \u201cnos \u00faltimos 20 anos, tem vindo a acontecer isto com muito mais frequ\u00eancia do que aconteceu nos \u00faltimos cem anos\u201d. Igualmente, \u201co aumento da temperatura ir\u00e1 provocar o aumento do degelo das calotes polares e isto provocar\u00e1 um aumento do n\u00edvel da \u00e1gua do mar, o qual pode ir dos 20 cent\u00edmetros at\u00e9 um metro\u201d.<\/p>\n<p>Repor muretes <\/p>\n<p>e subir comportas<\/p>\n<p>Como \u201cas concentra\u00e7\u00f5es j\u00e1 aumentaram, e de tal maneira que j\u00e1 produziram efeitos\u201d, e como \u201cn\u00e3o conseguimos extrair da atmosfera os gases que lan\u00e7\u00e1mos, eles v\u00e3o l\u00e1 continuar, o que quer dizer que v\u00e3o continuar a produzir efeitos\u201d; por isso, Carlos Borrego prop\u00f5e medidas de mitiga\u00e7\u00e3o e de adapta\u00e7\u00e3o. \u201cMitiga\u00e7\u00e3o no sentido de reduzirmos nos efeitos, diminuir a quantidade de gases; adapta\u00e7\u00e3o no sentido de que j\u00e1 sabemos que v\u00e3o acontecer determinadas situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o extremas e, portanto, come\u00e7ar a preparar planos para enfrentar essas situa\u00e7\u00f5es: ondas de calor, ondas de frio, aumento da \u00e1gua do mar, inunda\u00e7\u00f5es. Tentar come\u00e7ar a prever com maior efic\u00e1cia quando \u00e9 que isso pode acontecer e que medidas \u00e9 que podemos tomar para minimizar estes efeitos\u201d.<\/p>\n<p>Este especialista considera que \u201ca previs\u00e3o de que, de facto, haja um aumento do n\u00edvel da ria de Aveiro e do n\u00edvel do mar \u00e9 perfeitamente exequ\u00edvel; portanto, temos que pensar seriamente que as comportas que est\u00e3o \u00e0 entrada do Canal Central dever\u00e3o ser aumentadas em 50 cent\u00edmetros\u201d, at\u00e9 porque, \u201cse houver aumento do n\u00edvel do mar, vamos aqui ter varia\u00e7\u00f5es brutais e significativas. \u00c9 fundamental que as autoridades locais e nacionais tenham consci\u00eancia de que isto pode suceder, do que \u00e9 que isto pode dar em termos da necessidade de adaptar para prevenir. Prevenir no sentido de que, a haver um cataclismo desses, haja uma capacidade de deslocar as pessoas sem haver perdas humanas. Vai haver, com certeza, perda de bens, isso \u00e9 incontest\u00e1vel, mas pelo menos evitar perdas humanas\u201d.<\/p>\n<p>Carlos Borrego diz que, como \u201ca cidade est\u00e1 muito encostada \u00e0 zona da \u00e1gua, dev\u00edamos come\u00e7ar a encontrar alternativas \u00e0s constru\u00e7\u00f5es demasiado chegadas aos canais e \u00e0 pr\u00f3pria ria\u201d. Tamb\u00e9m os muros das marinhas \u201cs\u00e3o fundamentais para garantir que temos protec\u00e7\u00f5es efectivas contra a subida da \u00e1gua do mar. Um investimento fundamental \u00e9 voltar outra vez a repor todos estes muretes adequadamente, de maneira a n\u00e3o ir contra a l\u00f3gica do que \u00e9 ecologicamente equilibrado, e, portanto, usar a tecnologia que usavam antigamente e com os materiais locais, e subir os muretes, de maneira a garantir que haja zonas que nunca vir\u00e3o a ser inundadas, e com isto proteger a cidade e outras zonas habitacionais \u00e0 volta da cidade\u201d.<\/p>\n<p>Amanh\u00e3 \u00e9 tarde<\/p>\n<p>O antigo ministro afirma que \u201ch\u00e1 v\u00e1rias medidas que j\u00e1 deviam come\u00e7ar a ser tomadas, que s\u00e3o as tais medidas de preven\u00e7\u00e3o e de mitiga\u00e7\u00e3o, que, porventura, no futuro, poder\u00e3o j\u00e1 ser tardias\u201d. Para isso, ter\u00e1 de \u201chaver um plano estrat\u00e9gico que tenha em linha de conta quais s\u00e3o as medidas que devem ser tomadas j\u00e1 e aquelas que podem ser tomadas ao longo do tempo. H\u00e1 medidas que, n\u00e3o tenho d\u00favidas, deveriam ser imediatamente pensadas, como as que t\u00eam a ver com a quest\u00e3o dos fogos aqui na zona perto de Aveiro. H\u00e1 medidas que podem esperar mais algum tempo, mas todas elas deviam come\u00e7ar j\u00e1 a ser postas no papel e \u00e0 frente delas a p\u00f4r os euros necess\u00e1rios para n\u00f3s sabermos o que isso nos vai custar, sabermos quem vai pagar e como. Estamos a falar em quest\u00f5es em que, na sua maior parte, est\u00e3o vidas humanas em perigo. Viu-se o que aconteceu com o \u00abCatrina\u00bb, vimos o que tem vindo a acontecer ao longo destes anos com furac\u00f5es cada vez com mais intensidade e a tocar em maior n\u00famero de pessoas. Acho que j\u00e1 temos \u00e0 nossa frente exemplos suficientes para sabermos que a preven\u00e7\u00e3o neste processo \u00e9 absolutamente fundamental. A preven\u00e7\u00e3o passa por um planeamento adequado do ponto de vista de quais s\u00e3o aquelas medidas que podem ser introduzidas agora, aquelas que dever\u00e3o ser introduzidas a m\u00e9dio prazo, aquelas que s\u00e3o de adapta\u00e7\u00e3o e aquelas que s\u00e3o estrat\u00e9gicas e de fundo\u201d.<\/p>\n<p>O que j\u00e1 foi observado<\/p>\n<p>&#8211; As concentra\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (o principal g\u00e1s de efeito estufa) na atmosfera aumentaram de 280 ppm (parte por milh\u00f5es) antes da era industrial para 379 ppm, enquanto as concentra\u00e7\u00f5es de metano mais que duplicaram.<\/p>\n<p>&#8211; 11 dos \u00faltimos 12 anos foram os mais quentes desde que h\u00e1 registos (1850).<\/p>\n<p>&#8211; Os glaciares e o manto de neve nas montanhas t\u00eam vindo a diminuir<\/p>\n<p>&#8211; O n\u00edvel do mar subiu a um ritmo de 1,8 mil\u00edmetros por ano, entre 1961 e 2003. No s\u00e9c. XX, o mar subiu 0,17 metros.<\/p>\n<p>&#8211; A extens\u00e3o de gelo no \u00c1rtico reduziu-se 2,7 % por d\u00e9cada, desde 1978.<\/p>\n<p>&#8211; As zonas cobertas por neve no Hemisf\u00e9rio Norte t\u00eam vindo a diminuir.<\/p>\n<p>&#8211;  A dura\u00e7\u00e3o e a intensidade das secas aumentaram desde os anos 70, sobretudo nas regi\u00f5es tropicais e subtropicais.<\/p>\n<p>Previs\u00f5es para o nosso s\u00e9culo<\/p>\n<p>Na passagem de Al Gore por Lisboa, ficou o alerta. O n\u00edvel do mar pode subir at\u00e9 7 metros. Sem tantos alarmismos, os cientistas s\u00e3o consensuais nos seguintes pontos: 1) O n\u00edvel das \u00e1guas do mar vai subir entre 28 cm e 59 cm nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas; 2) As temperaturas v\u00e3o subir entre 2\u00ba C e 4,5\u00ba C; 3) no Oceano \u00c1rtico, poder\u00e3o deixar de existir \u00e1reas geladas; 4) Haver\u00e1 mais chuvas torrenciais, recuo dos glaciares, mais secas e ondas de calor.<\/p>\n<p>Fonte: Jornal P\u00fablico de 3 de Fevereiro de 2007, citando o relat\u00f3rio do  Painel Intergovernamental para as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas, elaborado por centenas de cientistas e apresentado no dia 2 de Fevereiro em Paris.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o uma \u201crealidade incontest\u00e1vel\u201d, at\u00e9 porque \u201ctodos n\u00f3s j\u00e1 demos conta de uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as em termos do que era o clima normal\u201d. \u201cCientificamente, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma\u201d, defende Carlos Borrego. 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