{"id":8972,"date":"2007-05-03T15:19:00","date_gmt":"2007-05-03T15:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8972"},"modified":"2007-05-03T15:19:00","modified_gmt":"2007-05-03T15:19:00","slug":"sem-voluntarios-o-banco-alimentar-nao-tem-razao-de-ser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sem-voluntarios-o-banco-alimentar-nao-tem-razao-de-ser\/","title":{"rendered":"&#8220;Sem volunt\u00e1rios, o Banco Alimentar n\u00e3o tem raz\u00e3o de ser&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome\/Aveiro, desde o seu in\u00edcio, o Coronel Martinho Pereira explica como funciona esta institui\u00e7\u00e3o, numa altura em que se prepara a pr\u00f3xima campanha. Nos dias 5 e 6 de Maio, se for a uma superf\u00edcie comercial, \u00e9 prov\u00e1vel que encontre algu\u00e9m a sugerir que partilhe alimentos com as 30 000 pessoas da regi\u00e3o de Aveiro que s\u00e3o apoiadas pelo Banco Alimentar.<\/p>\n<p>Correio do Vouga &#8211; Nos dias 5 e 6 de Maio, vai haver mais uma campanha do Banco Alimentar (BA). Em quantos locais do distrito de Aveiro vai ser feita?<\/p>\n<p>Coronel Martinho Pereira &#8211; A campanha cobre quase todo o distrito, com a excep\u00e7\u00e3o dos concelhos de Oliveira de Azem\u00e9is, Arouca e Castelo de Paiva, unicamente porque ainda n\u00e3o arranj\u00e1mos nenhuma institui\u00e7\u00e3o que consiga localmente supervisionar o voluntariado. Enquanto n\u00e3o tivermos algu\u00e9m que se responsabilize pelo voluntariado, para que tudo decorra correctamente, como \u00e9 norma do BA, n\u00f3s n\u00e3o podemos avan\u00e7ar. Tem que haver forma\u00e7\u00e3o do voluntariado e um supervisor que responda \u00e0s perguntas que a popula\u00e7\u00e3o possa p\u00f4r: para que \u00e9, para que serve, onde \u00e9 recolhido, a quem \u00e9 distribu\u00eddo&#8230; Mil e uma perguntas. O coordenador local tem de saber responder, j\u00e1 que o volunt\u00e1rio nem sempre est\u00e1 habilitado a responder. S\u00f3 quando isso acontece \u00e9 que abrimos a campanha num outro concelho.<\/p>\n<p>A campanha dos pr\u00f3ximos dias vai abranger mais um concelho&#8230;<\/p>\n<p>Sim, S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira. H\u00e1 uma grande expectativa e esperamos que tudo corra bem. <\/p>\n<p>Esses coordenadores locais est\u00e3o ligados a alguma institui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Normalmente s\u00e3o pessoas de IPSS, C\u00e1ritas, Vicentinos&#8230; Em alguns concelhos, como Estarreja, Ovar, \u00cdlhavo, Oliveira do Bairro e \u00c1gueda, os rot\u00e1rios assumem essa supervis\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o eles que angariam os volunt\u00e1rios&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o. Os volunt\u00e1rios oferecem-se ao BA e o BA d\u00e1 ao coordenador local a lista de volunt\u00e1rios para a sua zona de ac\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o quer dizer que o pr\u00f3prio coordenador n\u00e3o arranje pessoas com esp\u00edrito solid\u00e1rio.<\/p>\n<p>As pessoas perguntam muito? Contestam?<\/p>\n<p>N\u00e3o. O BA t\u00eam uma credibilidade que permite que a campanha seja feita com um certo \u00e0 vontade, porque todos os g\u00e9neros alimentares recolhidos s\u00e3o consumidos no local onde \u00e9 feita a recolha. Nunca vai nada para fora da \u00e1rea respectiva de cada BA, no nosso caso, o distrito. Mais: as pessoas acreditam no BA.<\/p>\n<p>De onde vem essa credibilidade?<\/p>\n<p>Os BA s\u00e3o contra os desperd\u00edcios alimentares. E n\u00e3o podemos, de maneira nenhuma, permitir que algo que seja entregue no banco seja motivo de desperd\u00edcio. Tudo o que \u00e9 entregue no BA \u00e9 consumido a tempo e horas, dentro do prazo de validade. Podem perguntar: \u201cMas n\u00e3o h\u00e1 g\u00e9neros consumidos fora do prazo de validade?\u201d Isso s\u00f3 acontece quando h\u00e1 uma credencial passada pela autoridade sanit\u00e1ria que diga que o g\u00e9nero alimentar pode ser consumido at\u00e9 \u00e0 data tal, porque est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es. Acontece as empresas terem g\u00e9neros em fim do tempo de utiliza\u00e7\u00e3o, digamos assim. Esses g\u00e9neros s\u00e3o analisados pela autoridade sanit\u00e1ria e \u00e9-lhes dado mais um prazo. Em vez irem para o lixo, s\u00e3o distribu\u00eddos com qualidade \u2013 de certeza absoluta, caso contr\u00e1rio n\u00e3o os distribu\u00edmos \u2013 a pessoas com fome.<\/p>\n<p>Deduz-se das suas palavras que, al\u00e9m das recolhas \u00e0 porta do supermercado, h\u00e1 ofertas das empresas&#8230;<\/p>\n<p>As duas campanhas por ano [em Dezembro e em Maio] s\u00e3o as partes vis\u00edveis do BA. O volunt\u00e1rio d\u00e1 de si, d\u00e1 o seu trabalho. \u00c9 a parte mais agrad\u00e1vel, \u00e9 bom ver a alegria com que as pessoas trabalham para o BA! Mas isso corresponde a uma recolha de pouco mais do que 200 toneladas. Ora, n\u00f3s distribu\u00edmos cerca de 1800 toneladas por ano. O que o Banco recolhe \u00e9 uma m\u00ednima parte do que distribui.<\/p>\n<p>De onde v\u00eam, ent\u00e3o, esses g\u00e9neros?<\/p>\n<p>V\u00eam das empresas alimentares e cooperativas, que d\u00e3o aos BA g\u00e9neros que n\u00e3o conseguem p\u00f4r no mercado. T\u00eam uma contrapartida, porque o Banco passa recibo de tudo o que recebe, que pode ser descontado no IRC. \u00c9 vantajoso para as empresas entregar no BA, em vez de irem poluir e criar problemas. E, acima de tudo, alimentam aqueles que t\u00eam fome.<\/p>\n<p>T\u00eam alguma ac\u00e7\u00e3o junto das empresas? Alguma ac\u00e7\u00e3o de charme?<\/p>\n<p>N\u00e3o. Quase todas sabem que existem BA. Acontece que existe uma Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de BA. \u00c9 \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o que as empresas entregam os bens. A Federa\u00e7\u00e3o, por sua vez, faz a distribui\u00e7\u00e3o pelos Bancos, consoante a quota de cada um. Aveiro tem a terceira ou quarta maior quota. H\u00e1 empresas de transportes, que gratuitamente levam esses g\u00e9neros ao BA. H\u00e1 uma cadeia de solidariedade extraordin\u00e1ria que eu gostava de real\u00e7ar. As empresas utilizam a capacidade de transporte sobrante para levar bens alimentares aos diferentes BA.<\/p>\n<p>H\u00e1 fome em Aveiro?<\/p>\n<p>A fome \u00e9 um peso muito grande que as pessoas n\u00e3o conseguem suportar. Por vezes, nem sequer d\u00e3o a conhecer que t\u00eam fome. Essa fome envergonhada \u00e9 a mais dif\u00edcil de descobrir e apoiar. As pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es t\u00eam dificuldades em detectar. T\u00eam um papel extraordin\u00e1rio os grupos C\u00e1ritas e de Vicentinos, que v\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia escondida que passa dificuldades.<\/p>\n<p>Grande parte dos bens \u00e9 entregue \u00e0s IPSS, que t\u00eam a seu encargo imensas crian\u00e7as e utentes de todas as idades. As institui\u00e7\u00f5es recebem \u201cper capita\u201d da Seguran\u00e7a Social. No entanto, isso n\u00e3o chega para pagar o custo que t\u00eam. Por vezes, as pr\u00f3prias fam\u00edlias suprem essa diferen\u00e7a. Mas h\u00e1 fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam capacidade financeira. Por outro lado, por vezes as institui\u00e7\u00f5es acolhem mais pessoas do que as apoiadas pela Seguran\u00e7a Social. Se tem 70 crian\u00e7as e  a quota \u00e9 de 50, 20 n\u00e3o s\u00e3o subsidiadas. Esse custo social \u00e9 tido em considera\u00e7\u00e3o pelo Banco Alimentar, para saber se deve apoiar determinada institui\u00e7\u00e3o. Grupos C\u00e1ritas e Vicentinos n\u00e3o entram nessas contas, porque entregam directamente \u00e0s fam\u00edlias, tal como algumas IPSS que t\u00eam interven\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Um BA implica uma grande capacidade log\u00edstica?<\/p>\n<p>Temos um centro de distribui\u00e7\u00e3o, junto aos servi\u00e7os de transporte de Aveiro, que permite cargas e descargas num espa\u00e7o coberto. As instala\u00e7\u00f5es cedidas pela C\u00e2mara Municipal de Aveiro t\u00eam qualidade higi\u00e9nica. S\u00e3o modelares a n\u00edvel nacional, mas s\u00e3o curtas (cerca de 1500 m2 cobertos). N\u00e3o chega. Servimo-nos graciosamente de instala\u00e7\u00f5es da Equatus e da Filcra, que nos cedem na Gafanha, principalmente quando o programa comunit\u00e1rio de apoio \u00e0s popula\u00e7\u00f5es carenciadas (PCAAC) nos d\u00e1 cerca de 500 toneladas de alimentos. Para n\u00e3o haver mistura dos g\u00e9neros do BA com os g\u00e9neros da UE, servimo-nos desses armaz\u00e9ns. Por outro lado, quando algumas empresas nos d\u00e3o carnes ou gelados, como n\u00e3o temos instala\u00e7\u00f5es de frio no BA (s\u00f3 temos pequenos frigor\u00edficos e arcas que d\u00e3o para muito pouco), servimo-nos da Filcra. Sem essas ajudas, seria muito dif\u00edcil o Branco viver.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Coronel Martinho Pereria, qual \u00e9 a estrutura permanente do BA?<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1 ver, eu sou o que trabalho menos! A espinha dorsal do Banco \u00e9 o voluntariado. Sem volunt\u00e1rios, o BA n\u00e3o tinha raz\u00e3o de ser. Passava a ser uma institui\u00e7\u00e3o normal. O que nos distingue \u00e9 o voluntariado. O BA tem tr\u00eas funcion\u00e1rios: um na secretaria e dois no armaz\u00e9m. Mais ningu\u00e9m. Esses tr\u00eas funcion\u00e1rios t\u00eam por detr\u00e1s deles volunt\u00e1rios sempre dispon\u00edveis, que semanalmente v\u00e3o um, dois ou tr\u00eas dias ao BA. V\u00eam de \u00c1gueda ou de outras povoa\u00e7\u00f5es vizinhas. S\u00e3o volunt\u00e1rios permanentes, que t\u00eam tarefas a seu encargo. Cumprem religiosamente!<\/p>\n<p>Eu digo a muita gente que se reforma e as pessoas riem-se, mas acabam por me dar raz\u00e3o: \u00abReformaste-te? Emprega-te! Come\u00e7as a pensar: \u201cO que \u00e9 que eu ando c\u00e1 a fazer? J\u00e1 n\u00e3o fa\u00e7o nada. Ando de um lado para o outro, sem nenhum objectivo; e come\u00e7as a ficar desanimado da vida\u201d. Emprega-te. Vai para o BA, que dou-te l\u00e1 trabalho!\u00bb<\/p>\n<p>E tem l\u00e1 trabalho para dar nesta altura?<\/p>\n<p>Tenho. Para toda a gente. Nunca se manda nenhum volunt\u00e1rio embora. Todo o volunt\u00e1rio tem tarefas. O volunt\u00e1rio faz aquilo que entende que pode fazer, devidamente orientado pelas pessoas que est\u00e3o \u00e0 frente da institui\u00e7\u00e3o. A direc\u00e7\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda por oito pessoas, das quais quatro est\u00e3o desde a fase inicial. Sabemos de cor e salteado o que \u00e9 preciso fazer para cada campanha, qual o n\u00famero da cabazes que \u00e9 distribu\u00eddo por cada institui\u00e7\u00e3o, os dias de fazer e distribuir os cabazes, etc. Os volunt\u00e1rios s\u00e3o devidamente orientados e n\u00e3o t\u00eam qualquer pejo em pegar numa vassoura e varrer ou estar junto do computador a verificar se os s\u00f3cios t\u00eam as quotas em dia, escrever uma carta, etc.<\/p>\n<p>O BA precisa de dinheiro?<\/p>\n<p>O BA n\u00e3o quer dinheiro para nada, a n\u00e3o ser para pagar atempadamente aos seus funcion\u00e1rios e para ter o necess\u00e1rio para o expediente: telefonar a institui\u00e7\u00f5es e contactar os volunt\u00e1rios. Temos uma base de dados dos volunt\u00e1rios e escrevemos-lhes a perguntar pela disponibilidade de dias e horas. No fim, enviamos uma carta a agradecer: \u201cObrigado pelo seu trabalho. Gra\u00e7as ao seu esfor\u00e7o, conseguimos x toneladas\u201d. Merecem-na, sem d\u00favida alguma. Isso \u00e9 dignificar o seu trabalho. \u00c9 regra geral que quem vai uma vez volta a ir. As pessoas entusiasmam-se. Na sala de triagem, desde o juiz ao professor universit\u00e1rio, \u00e0 empregada dom\u00e9stica, todos est\u00e3o irmanados no esp\u00edrito solid\u00e1rio.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o g\u00e9nero que as pessoas mais d\u00e3o?<\/p>\n<p>Arroz. \u00c9 terr\u00edvel! Por mais que digamos e imprimamos nos sacos que g\u00e9neros \u00e9 mais aconselh\u00e1vel dar, o arroz bate sempre o recorde. \u00c9 o mais f\u00e1cil de dar.<\/p>\n<p>E qual o que o BA mais deseja?<\/p>\n<p>\u00d3leo, azeite, conservas&#8230; S\u00e3o g\u00e9neros que nos d\u00e3o maiores garantias de ter no BA e de distribuir correctamente. E as pessoas t\u00eam uma necessidade enorme destes g\u00e9neros. Faz-se muita coisa com atum, \u00f3leo ou azeite. Estamos agora a conseguir isso com a \u201ccampanha vale\u201d. Em vez de darem um g\u00e9nero vis\u00edvel, as pessoas d\u00e3o um vale que \u00e9 trocado por g\u00e9neros que s\u00e3o os mais aconselhados para dar ao banco: leite, conservas, azeite&#8230;<\/p>\n<p>Como se processa a \u201ccampanha vale\u201d?<\/p>\n<p>Por altura da campanha normal, as grandes cadeias de supermercados disponibilizam vales nas caixas. As pessoas tiram, pagam na caixa e entregam ao BA. No fim, \u00e9 feita listagem geral. Na \u00faltima campanha, em Aveiro, foram angariadas deste modo 30 toneladas.<\/p>\n<p>A sua experi\u00eancia de comandar soldados serviu para comandar este ex\u00e9rcito de volunt\u00e1rios do BA?<\/p>\n<p>Temos para cima de 1600 volunt\u00e1rios em cada campanha, que s\u00e3o criteriosamente utilizados. S\u00f3 aqui em Aveiro, no armaz\u00e9m e na cidade, s\u00e3o precisos cerca de 600. Cada pessoa tem tarefas pr\u00f3prias. \u00c9 uma fam\u00edlia extraordin\u00e1ria, h\u00e1 um grande esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o, tanto no BA de Aveiro, como na Federa\u00e7\u00e3o nacional \u2013 sou um dos vice-presidentes \u2013 e na Federa\u00e7\u00e3o Europeia, onde tamb\u00e9m tenho lugar.<\/p>\n<p>O voluntariado \u00e9 fundamental&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 a espinha dorsal do Banco. Sem volunt\u00e1rios, a filosofia do Banco deixava de ser posta em pr\u00e1tica. A pessoa d\u00e1 alguma coisa de si aos outros. H\u00e1 pessoas que passam fome, com o seu pequeno trabalho e doa\u00e7\u00e3o, essa pessoa pode ser alimentada melhor. \u00c9 preciso ter no\u00e7\u00e3o de que os desperd\u00edcios alimentares d\u00e3o para alimentar muita gente. Continua a haver imenso desperd\u00edcio, nas nossas casas, nas escolas&#8230;<\/p>\n<p>Espera ent\u00e3o que o volunt\u00e1rio, colaborando contra o desperd\u00edcio, tamb\u00e9m se eduque&#8230;<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Ali\u00e1s, n\u00f3s promove-mos no BA a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania. Inclusive falamos do tema nas escolas, a convite das escolas ou por nossa iniciativa.<\/p>\n<p>Temos nas nossas m\u00e3os a capacidade de evitar que muita gente passe fome. Nos pa\u00edses desenvolvidos, mais de 100 milh\u00f5es de pessoas vive abaixo do limiar de pobreza. Um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial sustenta-se com menos de dois d\u00f3lares por dia per capita. Em Portugal, 20% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo do rendimento m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Se tivermos a no\u00e7\u00e3o de que o sup\u00e9rfluo pode fazer tanto bem a outras pessoas, evitamos muitos danos. Podemos fazer muito. A Madre Teresa tem v\u00e1rias coisas escritas sobre isto. H\u00e1 um texto muito giro [E cita de cor]: \u201cN\u00e3o te detenhas. Se est\u00e1s velho, se n\u00e3o podes correr, trota. Se n\u00e3o podes trotar, caminha com uma bengala. Nunca te detenhas. N\u00e3o tenhas saudades do que fazias quando era mais novo. F\u00e1-lo na mesma. A maneira como o fazes \u00e9 que pode ser diferente\u201d.<\/p>\n<p>N\u00fameros do Banco Alimentar<\/p>\n<p>234 381 192<\/p>\n<p>Para este n\u00famero de telefone pode telefonar e inscrever-se como volunt\u00e1rio. <\/p>\n<p>1850<\/p>\n<p>Toneladas de alimentos distribu\u00eddas em 2006.<\/p>\n<p>108<\/p>\n<p>Toneladas de alimentos recolhidas na campanha de 25 e 26 de Novembro de 2006, em 88 superf\u00edcies.<\/p>\n<p>180<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es apoiadas pelo BA. O Banco Alimentar n\u00e3o apoia pessoas directamente. Estas institui\u00e7\u00f5es, por sua vez, apoiam cerca de 30.000 pessoas.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dios de colabora\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam \u201cepis\u00f3dios de colabora\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria\u201d, diz o presidente do BA.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dio 1: \u201cUma institui\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o divulgo qual \u00e9 \u2013 tem uma quinta. Cultivaram batatas e verificaram que a produ\u00e7\u00e3o foi excessiva para o seu consumo anual; perguntaram aos colaboradores o que haviam de fazer a tanta batata. E algu\u00e9m sugeriu: \u201cEnt\u00e3o, o BA nos d\u00e1 tanta coisa, por que \u00e9 que n\u00e3o damos a batata que nos sobra ao BA, para distribu\u00edrem por quem precisa?\u201d<\/p>\n<p>Epis\u00f3dio 2: \u201cEm Lourosa, h\u00e1 um grupo de jovens que trata de tudo. E fazem quest\u00e3o de, no \u00faltimo dia da campanha, virem todos. Vem uma excurs\u00e3o, com uma alegria extraordin\u00e1ria. \u201cVamos ver se batemos o recorde\u201d, dizem. H\u00e1 um entusiasmo enorme porque, acima de tudo, o volunt\u00e1rio v\u00ea que tudo o que temos \u00e9 para dar\u201d.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dio 3: Uma senhora, \u00e0 porta de uma superf\u00edcie comercial, distribui sacos do BA. De repente, v\u00ea uma s\u00e9rie de motards aproximarem-se. Teme o pior. Os motards entram, enchem carrinhos de compras e d\u00e3o ao BA. Estavam com pressa, porque tinham receio que o supermercado fechasse antes que pudessem colaborar na campanha\u2026<\/p>\n<p>Um pouco de hist\u00f3ria<\/p>\n<p>O Banco Alimentar teve origem nos Estados Unidos. O advogado John Van Hengel ia todos os dias para o seu escrit\u00f3rio. Quando passava pelos caixotes de lixo, via a quantidade de g\u00e9neros que eram colocados no lixo. E sabia que havia gente a passar fome. Pensou ent\u00e3o que, se os g\u00e9neros fossem devidamente acompanhados, acabaria a fome. E formou o primeiro BA. O BA veio depois para Paris em 1984; e foi l\u00e1 que o Comandante Jos\u00e9 Vaz Pinto, nos seus voos da TAP, contactou com o BA e trouxe a ideia para Portugal. No in\u00edcio do BA em Lisboa, em 1992, est\u00e3o \u00e0 frente os dois irm\u00e3os: o Comandante e o Pe Vaz Pinto.<\/p>\n<p>Constituiu-se depois a Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Bancos Alimentares, em 1999, que \u00e9 integrada por quase todos os bancos regionais. Alguns ainda est\u00e3o em fase de aprova\u00e7\u00e3o da sua actividade.<\/p>\n<p>Percurso de uma lata de atum<\/p>\n<p>O Correio do Vouga pediu ao presidente do BA que fizesse o relato do percurso de um alimento da prateleira do supermercado \u00e0 mesa de um beneficiado. \u201cQuando uma pessoa entra no supermercado, recebe um saco para participar na campanha. H\u00e1 pessoas que dizem que n\u00e3o querem. E h\u00e1 pessoas que dizem que n\u00e3o querem, mas depois entregam um carrinho cheio de compras. Depois de passar pela caixa, o saco com os bens \u00e9 entregue ao volunt\u00e1rio e este, sem ver o que est\u00e1 dentro, coloca-o no dep\u00f3sito de g\u00e9neros. Quando o contentor est\u00e1 cheio, o coordenador telefona para que algu\u00e9m do BA v\u00e1 buscar os bens. Nunca h\u00e1 mistura de g\u00e9neros alimentares do supermercado A com os do supermercado B. Cada supermercado sabe a quantidade de g\u00e9neros alimentares que vieram daquele supermercado. Enviamos uma carta a agradecer a colabora\u00e7\u00e3o prestada e a informar a quantidade de bens l\u00e1 recolhida.<\/p>\n<p>Uma vez no BA, os bens s\u00e3o pesados e s\u00e3o levados para a sala de triagem. L\u00e1 s\u00e3o separados e colocados no armaz\u00e9m. Na semana seguinte h\u00e1 uma segunda triagem: por data de validade. S\u00f3 a partir da\u00ed \u00e9 distribu\u00eddo \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, a qual o leva ao utente. O Banco n\u00e3o apoia pessoas. Apoia institui\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome\/Aveiro, desde o seu in\u00edcio, o Coronel Martinho Pereira explica como funciona esta institui\u00e7\u00e3o, numa altura em que se prepara a pr\u00f3xima campanha. Nos dias 5 e 6 de Maio, se for a uma superf\u00edcie comercial, \u00e9 prov\u00e1vel que encontre algu\u00e9m a sugerir que partilhe alimentos com as 30 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-8972","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8972\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}