{"id":899,"date":"2010-03-10T12:16:00","date_gmt":"2010-03-10T12:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=899"},"modified":"2010-03-10T12:16:00","modified_gmt":"2010-03-10T12:16:00","slug":"sera-o-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sera-o-fim-do-mundo\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 o fim do mundo?"},"content":{"rendered":"<p>Acontece no dia-a-dia. Ou melhor, num dia entre muitos dias. Parece que se acorda com tudo a correr ao contr\u00e1rio. O trabalho urgente a concluir e chega um telefonema a decretar outro mais urgente, uma dor de cabe\u00e7a que n\u00e3o vem a prop\u00f3sito, um assunto que chegou ao fim mal conclu\u00eddo, um problema novo que se interp\u00f4s a todos, alguma sensa\u00e7\u00e3o de nervosismo com a ideia de que tudo corre mal. Para n\u00e3o falar no que est\u00e1 por fazer, na culpa de alguns insucessos, choques, tens\u00f5es, com o ego de rastos, a triste sensa\u00e7\u00e3o de incapacidade para iniciar um novo projecto, o cansa\u00e7o que desaba e parece bloquear qualquer sa\u00edda para qualquer problema. E tudo se enrola numa vis\u00e3o mais alargada na profiss\u00e3o, na fam\u00edlia, no pa\u00eds de aspecto insol\u00favel, na economia que parece de terra queimada, na corrup\u00e7\u00e3o e esperteza como segredo de triunfo, no poder arrogante dos vencedores de sempre. E depois o fio da hist\u00f3ria, o bem e o mal, a incerteza do fim, a d\u00favida sobre o amanh\u00e3, os tons carregados de cinzento que se abatem sobre o humor, a resist\u00eancia, a alegria, a rela\u00e7\u00e3o com os outros, a estima por si pr\u00f3prio. E uma sequ\u00eancia de trag\u00e9dias naturais exaustivamente exibidas cujas origens reais n\u00e3o sabemos deslindar. Tudo embrulhado na ementa informativa servida a cada refei\u00e7\u00e3o, numa selec\u00e7\u00e3o quase s\u00e1dica e macabra de acontecimentos como se n\u00e3o houvesse outra forma de pintar a hist\u00f3ria a n\u00e3o ser em cores de sangue e dor, com tiros, l\u00e1grimas e gemidos lancinantes \u00e0 mistura.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 esta uma representa\u00e7\u00e3o real da vida ou estaremos marcados pela n\u00e1usea de Sartre, o niilismo de Nietzsche, o desespero de Hamlet, a f\u00faria de Herodes e a loucura de Hitler, ou a depress\u00e3o e ansiedade dum p\u00f3s modernismo insano?<\/p>\n<p>Bem diferente \u00e9 a teoria de Jesus. E a sua pr\u00e1tica: o desprendimento dos \u201cl\u00edrios do campo\u201d, a provid\u00eancia sobre \u201cos cabelos da vossa cabe\u00e7a\u201d, a certeza de que \u201cnada do que pedimos \u00e9 em v\u00e3o\u201d, a confian\u00e7a \u201cno p\u00e3o que nos concede\u201d em vez do escorpi\u00e3o, a certeza de que Ele venceu o mundo \u2013 tudo isso que nos sustenta \u2013 e nos projecta para al\u00e9m do desencanto que pode ser um dia mal passado ou uma vis\u00e3o azeda da hist\u00f3ria. Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espa\u00e7o e at\u00e9 dos factos que nos parecem o fim do mundo e que n\u00e3o passam duma gota de \u00e1gua oceano incomensur\u00e1vel de Deus. H\u00e1 negrumes na alma que apenas a sabedoria de Deus pode romper.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acontece no dia-a-dia. Ou melhor, num dia entre muitos dias. Parece que se acorda com tudo a correr ao contr\u00e1rio. O trabalho urgente a concluir e chega um telefonema a decretar outro mais urgente, uma dor de cabe\u00e7a que n\u00e3o vem a prop\u00f3sito, um assunto que chegou ao fim mal conclu\u00eddo, um problema novo que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-899","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/899\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}