{"id":9002,"date":"2007-02-15T14:54:00","date_gmt":"2007-02-15T14:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9002"},"modified":"2007-02-15T14:54:00","modified_gmt":"2007-02-15T14:54:00","slug":"problema-que-pede-mais-do-que-a-mudanca-de-uma-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/problema-que-pede-mais-do-que-a-mudanca-de-uma-lei\/","title":{"rendered":"Problema que pede mais do que a mudan\u00e7a de uma lei"},"content":{"rendered":"<p>Escrevo dois dias antes do referendo e fa\u00e7o-o de prop\u00f3sito, para que n\u00e3o seja o resultado dos votos contados a influenciar o meu pensamento. Poderei, assim, antecipar algumas reflex\u00f5es oportunas, quaisquer que sejam os votantes a fazer a festa.<\/p>\n<p>Quero deixar claro que o resultado final n\u00e3o me \u00e9 indiferente. Tornei p\u00fablico o sentido do meu voto e as raz\u00f5es da minha op\u00e7\u00e3o. N\u00e3o calei, nas \u00faltimas semanas, que estamos num momento muito importante e s\u00e9rio da vida nacional e que os \u00eaxitos e preocupa\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas dos governantes n\u00e3o podem deitar para debaixo do tapete o mundo de problemas sociais e humanos graves que temos diante dos olhos e n\u00e3o podemos ignorar. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que p\u00f5em a claro o respeito ou o desprezo por valores morais e \u00e9ticos essenciais, que n\u00e3o s\u00f3 dignificam a pessoa, como d\u00e3o consist\u00eancia \u00e0 comunidade que somos e esperan\u00e7a ao futuro que desejamos e necessitamos.<\/p>\n<p>Porque as situa\u00e7\u00f5es e os problemas s\u00e3o conhecidos, temos possibilidade de tirar, desde j\u00e1, algumas conclus\u00f5es que podem e devem perdurar para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estes meses puseram ainda mais a claro que h\u00e1, na sociedade portuguesa, fracturas e divis\u00f5es muito grandes e projectos muito divergentes. Desde h\u00e1 muito, o pluralismo nas opini\u00f5es, atitudes e op\u00e7\u00f5es dos portugueses se foi constituindo um desafio \u00e0 conviv\u00eancia pac\u00edfica e ao respeito pela diferen\u00e7a. Uma realidade que n\u00e3o dispensa a m\u00fatua aceita\u00e7\u00e3o, o di\u00e1logo aberto, a toler\u00e2ncia activa, a liberdade ao alcance de todos, para que cada um se possa afirmar e exprimir, sem que seja por isso minimizado nos seus direitos de leg\u00edtima cidadania, ou considerado a mais nesta terra que \u00e9 tamb\u00e9m sua.<\/p>\n<p>Ficou claro, para quem o quis ver sem preconceitos, que os crist\u00e3os de norte a sul e de todos os quadrantes sociais, n\u00e3o s\u00e3o nem ignorantes, nem retr\u00f3grados. T\u00eam cabe\u00e7a para pensar e raz\u00f5es para se organizarem pelas causas em que acreditam. Est\u00e3o presentes, conscientes e activos na nossa sociedade, como volunt\u00e1rios empenhados em coisas fundamentais. N\u00e3o cruzam os bra\u00e7os com as derrotas, nem entram em histeria com as vit\u00f3rias e os \u00eaxitos. Na fidelidade ao que, no passado, foi e continua a ser essencial, estruturante e gerador de seguran\u00e7a, lutam com denodo no presente, com olhos num amanh\u00e3 e projectando o futuro que n\u00e3o se dispensam de querer construir com os outros. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode esquecer que muitos dos que se dizem laicos e se contrap\u00f5em em muitos casos \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cultural inspirada no cristianismo, relativizando ou negando os seus valores, t\u00eam hoje projectos pr\u00f3prios de sociedade e por eles lutam, segundo o seu mundo e concep\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m estes, como todos, merecem o respeito que as diferen\u00e7as leg\u00edtimas de uma sociedade plural nunca dispensam.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o as op\u00e7\u00f5es seguintes \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, a sua verdade, qualidade e validade, bem como o empenho em as levar por diante, como resposta aos problemas em campo, que dir\u00e3o da validade dos projectos sociais de cada parte que nelas se empenhou e por elas lutou. <\/p>\n<p>O problema do aborto, a dor de quem o pratica ou a imposi\u00e7\u00e3o dos que para ele empurram a mulher, a responsabilidade pelo dom indiscut\u00edvel da vida, o respeito e os compromissos sociais, que o mesmo dom comporta, n\u00e3o ficaram resolvidos nem terminam, para o governo e para a comunidade solid\u00e1ria, com o resultado eleitoral.  A simples mudan\u00e7a de uma lei, em breve a clamar por novas mudan\u00e7as, \u00e9 muito pouco. <\/p>\n<p>Do anterior referendo, e j\u00e1 antes dele, as iniciativas de apoio \u00e0s mulheres em dificuldade, gr\u00e1vidas ou n\u00e3o, de protec\u00e7\u00e3o \u00e0 vida do nascituro, de acolhimento respeitoso e confidencial de quem havia abortado e precisava de ajuda, foram da Igreja ou de crist\u00e3os organizados. N\u00e3o vi nenhum grupo pr\u00f3-aborto a agir, em campo e de modo consequente, ante os problemas conhecidos e sobejamente denunciados.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os p\u00fablicos, entretanto quedaram-se em aspectos pouco mais que informativos, por vezes discut\u00edveis, ou apoiaram, como \u00e9 seu dever, ac\u00e7\u00f5es em curso das institui\u00e7\u00f5es privadas. Como vai ser agora? Parte j\u00e1 sabemos, a outra estamos atentos para ver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrevo dois dias antes do referendo e fa\u00e7o-o de prop\u00f3sito, para que n\u00e3o seja o resultado dos votos contados a influenciar o meu pensamento. Poderei, assim, antecipar algumas reflex\u00f5es oportunas, quaisquer que sejam os votantes a fazer a festa. Quero deixar claro que o resultado final n\u00e3o me \u00e9 indiferente. 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