{"id":9004,"date":"2007-02-22T14:50:00","date_gmt":"2007-02-22T14:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9004"},"modified":"2007-02-22T14:50:00","modified_gmt":"2007-02-22T14:50:00","slug":"grandes-aveirenses-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/grandes-aveirenses-3\/","title":{"rendered":"Grandes Aveirenses"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores <!--more--> Concluindo o espa\u00e7o dedicado aos \u201cGrandes Aveirenses\u201d, referem-se hoje tr\u00eas personalidades: General Jo\u00e3o de Almeida, por sugest\u00e3o do assinante Ant\u00f3nio de Barros Paula Santos, Fern\u00e3o de Oliveira e Alberto Souto, estes dois \u00faltimos sugeridos por um leitor que n\u00e3o quis ser identificado.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o de Almeida nasceu em 1873, em Carri\u00e3o, Vila Garcia, e veio casar a Aveiro, com uma filha de Jos\u00e9 Manuel Mendes Leite (o c\u00e9lebre aveirense que esteve na origem da aboli\u00e7\u00e3o de pena de morte em Portugal). Tornou-se, por isso, senhor da \u201cCasa do Seixal\u201d, onde passou alguns per\u00edodos. Em 1906, partiu para Angola, distinguindo-se nas campanhas militares do norte de Angola. Ficou conhecido, popularmente, como \u201cHer\u00f3i dos Dembos\u201d. Por motivos de doen\u00e7a, regressou a Portugal em 1908, mas voltou a Angola no ano seguinte, como governador da Hu\u00edla (sul), sendo respons\u00e1vel pela fixa\u00e7\u00e3o da fronteira sul de todo o territ\u00f3rio angolano. Um trabalho militar e geogr\u00e1fico not\u00e1vel. Ap\u00f3s a queda da monarquia, \u00e9 demitido, mas volta a assumir cargos p\u00fablicos em 1918, ao ser nomeado director interino das Obras P\u00fablicas de Cabo Verde.<\/p>\n<p>O general Jo\u00e3o de Almeida deixou vasta obra escrita e, na Casa do Seixal, um valioso esp\u00f3lio das campanhas militares africanas. Morreu no dia 6 de Maio de 1953, em Lisboa.<\/p>\n<p>Fern\u00e3o de Oliveira, esp\u00edrito irrequieto e aventureiro, foi o autor da primeira \u201cGram\u00e1tica da Linguagem Portuguesa\u201d, publicada em 1536. A sua vida est\u00e1 cheia de perip\u00e9cias. Perece um romance de aventuras. Vejamos algumas. Educado no Convento de S. Domingos, entra no convento eborense da mesma ordem, mas foge para Castela, aos 25 anos. Novamente em Portugal, \u00e9 educador de filhos de ilustres (como de Jo\u00e3o de Barros). Em 1540, parte para It\u00e1lia. Novamente em Portugal, receia a Inquisi\u00e7\u00e3o e foge para Fran\u00e7a, combatendo por Francisco I contra a Inglaterra. Por\u00e9m, \u00e9 capturado e levado para Inglaterra, tornando-se amigo e protegido de Henrique VIII (o rei que se \u201czanga\u201d com o Papa e est\u00e1 na origem do anglicanismo), que lhe d\u00e1 rendimentos. De regresso a Portugal, acaba por ser perseguido, efectivamente, pela Inquisi\u00e7\u00e3o (nessa altura declara-se natural de Aveiro), em 1547, por causa das simpatias pelo rei cism\u00e1tico. Mas \u00e9 igualmente detestado pelos judeus (\u201ccrist\u00e3os novos\u201d), pois considera-se que a sua viagem a It\u00e1lia servira para pedir ao Papa a Inquisi\u00e7\u00e3o. Para sair das pris\u00f5es do Santo Of\u00edcio, valeu-lhe o apoio do Conde de Castanheira. Depois de um per\u00edodo em que esteve no convento de Bel\u00e9m (Lisboa), \u201cpara sossego da sua consci\u00eancia e salva\u00e7\u00e3o da sua alma\u201d, parte para \u00c1frica, sendo feito prisioneiro em Argel. Em 1553 est\u00e1 novamente em Portugal, exercendo o cargo de revisor da imprensa da Universidade de Coimbra. \u00c9 novamente preso pela Inquisi\u00e7\u00e3o, mas sabe-se que em 1565 est\u00e1 livre, pois recebe de D. Sebasti\u00e3o uma ten\u00e7a de 20 mil r\u00e9is. <\/p>\n<p>Julga-se que este aveirense morreu em Lisboa, no ano de 1581. Fern\u00e3o de Oliveira era especialista em n\u00e1utica e al\u00e9m da gram\u00e1tica escreveu: \u201cA Arte de Guerra do Mar\u201d, \u201cLivro da F\u00e1brica das Naus\u201d, \u201cDe re rustica\u201d e \u201cA Arte de Navega\u00e7\u00e3o\u201d. Desta \u00faltima obra n\u00e3o existe nenhum exemplar.<\/p>\n<p>Alberto Augusto Sim\u00f5es Souto Ratola nasceu no lugar do Bom Sucesso (freguesia de Aradas, Aveiro), no dia 23 de Julho de 1888. \u00d3rf\u00e3o de m\u00e3e aos tr\u00eas anos, \u00e9 educado pela madrinha, dispondo nessa casa de uma vasta biblioteca de Direito, Literatura e Hist\u00f3ria \u2013 o que muito ter\u00e1 contribu\u00eddo para a forma\u00e7\u00e3o de Alberto Souto. Frequentou o Semin\u00e1rio de Coimbra (teve como professor o Pe. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, que viria a ser o \u201cbispo restaurador de Aveiro\u201d) e come\u00e7ou ent\u00e3o a escrever para os jornais \u201cA Vitalidade\u201d e \u201cNauta\u201d. Deixa o Semin\u00e1rio em 1905 e estuda nos liceus do Porto e de Aveiro. Apoiante da Rep\u00fablica, \u00e9 nomeado administrador do concelho de Estarreja, ap\u00f3s a queda da Monarquia. Funda o jornal \u201cA Liberdade\u201d, participa na funda\u00e7\u00e3o de \u201cO Democrata\u201d e \u00e9 deputado por Aveiro \u00e0 Assembleia Nacional Constituinte (1911-1915). Terminando o curso de Direito em 1919, estabelece-se como advogado em Aveiro e, com M\u00e1ximo J\u00fanior e L\u00edvio Salgueiro, cria o Banco Regional de Aveiro, que dirige at\u00e9 1928. Com Homem Cristo e outros, cria a \u201cAlian\u00e7a Regionalista\u201d (1921), uma associa\u00e7\u00e3o de luta pelos interesses de Aveiro. Alberto Souto desempenha com reconhecido m\u00e9rito cargos p\u00fablicos de relevo: presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial e Industrial de Aveiro (1920), Presidente do Senado Municipal (numa lista que lan\u00e7a a candidatura de Louren\u00e7o Peixinho), director do Museu de Aveiro (1925). Como historiador e arque\u00f3logo, cria a Sec\u00e7\u00e3o de Arqueologia e Proto-Hist\u00f3rica no Museu de Aveiro e, com Marques Abreu, elabora o volume \u201cAveiro\u201d, da colect\u00e2nea \u201cArte em Portugal\u201d. Em 1957, \u00e9 nomeado presidente da C\u00e2mara Municipal, sendo respons\u00e1vel pela comemora\u00e7\u00e3o do Milen\u00e1rio de Aveiro (1959). Em 1961, \u00e9 afastado da C\u00e2mara, por uma \u201cintriga pol\u00edtica de contornos pouco dignos\u201d. O desgosto que sofre acabar\u00e1 por provocar a sua morte, desiludido, a 23 de Outubro desse ano.<\/p>\n<p>Nota: Os apontamentos biogr\u00e1ficos de Fern\u00e3o de Oliveira e Alberto Souto baseiam-se principalmente na obra \u201cRuas que s\u00e3o Gente\u201d, de Carlos Campos, Fausto Ferreira e Gabriela Amorim Faria (edi\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, 2000).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-9004","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9004"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9004\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}