{"id":9022,"date":"2007-02-22T15:18:00","date_gmt":"2007-02-22T15:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9022"},"modified":"2007-02-22T15:18:00","modified_gmt":"2007-02-22T15:18:00","slug":"paroquia-e-mobilidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/paroquia-e-mobilidade-humana\/","title":{"rendered":"Par\u00f3quia e mobilidade humana"},"content":{"rendered":"<p>Parece evidente o mal-estar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s par\u00f3quias. Esta situa\u00e7\u00e3o deve-se a muitos factores, dos quais pretendo apenas salientar um: a mobilidade das pessoas e os seus efeitos provocadores, que me parecem determinantes.<\/p>\n<p>Se o territ\u00f3rio \u00e9 importante para a compreens\u00e3o da par\u00f3quia, n\u00e3o o \u00e9 menos a pessoa \u201cem tr\u00e2nsito\u201d, aquele que n\u00e3o sente terra alguma como sua, o emigrante for\u00e7ado, o que vive num local e tem filhos a educar noutro, faz vida social ou participa na celebra\u00e7\u00e3o dominical noutro ainda, pois a\u00ed encontra amigos crist\u00e3os com quem simpatiza e se identifica. O sentido de perten\u00e7a afirma-se mais pela intensidade da rela\u00e7\u00e3o do que pela resid\u00eancia ou local de origem. A proximidade cria-se mais pela comunh\u00e3o de sentimentos e sintonia de experi\u00eancias do que por v\u00ednculos legais ou exig\u00eancias impostas. <\/p>\n<p>Efeitos da mobilidade<\/p>\n<p>A mobilidade provoca a concentra\u00e7\u00e3o de numerosas pessoas em vilas e cidades, que, a manter-se a tend\u00eancia, se v\u00e3o tornando realidades difusas, aglomerados ocasionais de estranhos, espa\u00e7os de inquilinos an\u00f3nimos que se entrecruzam, talvez com saudades de um passado que n\u00e3o volta e sem possibilidades de sonhar um futuro que intuem desejar. <\/p>\n<p>Ocasiona igualmente a \u201cdesertifica\u00e7\u00e3o\u201d das povoa\u00e7\u00f5es rurais e dos centros hist\u00f3ricos urbanos. H\u00e1 par\u00f3quias, na vizinha Espanha, com 18, 70 ou 73 pessoas residentes e apenas duas ou tr\u00eas crian\u00e7as na escola. Passam-se anos sem nascimentos. Os mais jovens ou os mais empreendedores procuram outras paragens. Os idosos v\u00e3o morrendo. Entre n\u00f3s e outros pa\u00edses da Europa Ocidental, encontram-se situa\u00e7\u00f5es semelhantes, embora com alguns matizes. <\/p>\n<p>O n\u00famero de praticantes, tamb\u00e9m aqui, continua a baixar. Situa\u00e7\u00f5es h\u00e1 em que n\u00e3o existe qualquer hip\u00f3tese de constituir uma assembleia dominical, mesmo que o padre possa ir l\u00e1 celebrar. Mas acresce outro factor: a diminui\u00e7\u00e3o do clero vem agravar o \u201cestado das coisas\u201d e a urgir uma solu\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p>Que fazer?! Manter o que est\u00e1 \u00e9 \u201cser infiel\u201d \u00e0 miss\u00e3o que foi confiada \u00e0 Igreja e, sobretudo, \u00e0 sua hierarquia. \u00c9 urgente procurar solu\u00e7\u00f5es, ainda que provis\u00f3rias, como por exemplo a daquele p\u00e1roco que arranjou uma carrinha comunit\u00e1ria para passar aos domingos pelas povoa\u00e7\u00f5es a fim de levar os crist\u00e3os que querem tomar parte na celebra\u00e7\u00e3o dominical. H\u00e1 casos em que, para constituir uma assembleia de vinte ou trinta pessoas, \u00e9 preciso percorrer cinco ou dez lugares dessas povoa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Que fazer?! A resposta n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas h\u00e1 experi\u00eancias com resultados positivos. Nenhuma se fez por decreto ou sem ter em conta as pessoas afectadas. Todas s\u00e3o fruto de uma compreens\u00e3o da Igreja comunh\u00e3o, que se configura em diversos \u00e2mbitos de realiza\u00e7\u00e3o e de adequada pedagogia pastoral.<\/p>\n<p>Aponto caminhos que s\u00e3o vi\u00e1veis e consistentes, embora morosos: reflectir com as pessoas as poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es; prepar\u00e1-las para serem a Igreja poss\u00edvel na respectiva povoa\u00e7\u00e3o: ler a Palavra de Deus ou aceitar quem a possa ler, fazer ora\u00e7\u00e3o em comum, atender doentes e idosos solit\u00e1rios, acompanhar pela r\u00e1dio ou televis\u00e3o celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas ou programas de forma\u00e7\u00e3o, manter a igreja aberta e tocar o sino nos maiores acontecimentos da vida ou do dia.<\/p>\n<p>Simultaneamente, refor\u00e7ar os la\u00e7os com par\u00f3quias vizinhas e procurar que sejam assumidas outras dimens\u00f5es da Igreja, designadamente na promo\u00e7\u00e3o de pessoas que realizem servi\u00e7os ou minist\u00e9rios: moderadores da celebra\u00e7\u00e3o da Palavra no domingo, na festa de anos, na vig\u00edlia e no funeral, em outros acontecimentos significativos; garantes da coordena\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o; visitadores e acompanhantes de fam\u00edlias em necessidade; catequistas; ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o e outros servi\u00e7os que se revelem indispens\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, promover ac\u00e7\u00f5es em comum, ainda que se tenha de recorrer a meios de transporte pessoais ou colectivos. S\u00e3o indispens\u00e1veis, nesta altura, dialogar e procurar o consenso sobre o que pode ficar a ser programa comum a todos: prepara\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o de sacramentos, de festas religiosas, de iniciativas de forma\u00e7\u00e3o, de contribui\u00e7\u00e3o para as despesas colectivas, circuito e periodicidade da ida-visita marcada do p\u00e1roco ou de quem partilha com ele solidariamente a responsabilidade pastoral de cada pequena comunidade.<\/p>\n<p>Grupos de estilo familiar<\/p>\n<p>De acordo com a caminhada feita, \u00e9 muito expressiva a celebra\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o alcan\u00e7ada com o contributo de todos ou da maioria, a configura\u00e7\u00e3o da nova unidade pastoral e o rosto humano da \u201cvelha\u201d par\u00f3quia, agora comunidade eclesial articulada com outras. A elabora\u00e7\u00e3o de uma acta em que constem estes elementos pode constituir \u201ca mem\u00f3ria\u201d de um acerto conseguido e que \u00e9 confirmado pelo decreto episcopal.<\/p>\n<p>Nas cidades e vilas que constituem p\u00f3los de atrac\u00e7\u00e3o, o processo de renova\u00e7\u00e3o tender\u00e1 a provocar a desconcentra\u00e7\u00e3o, a criar novas formas de relacionamento entre vizinhos, a fazer surgir grupos de estilo familiar que tratam de assuntos comuns \u00e0 luz da Palavra de Deus, a dar come\u00e7o a um processo de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 em espa\u00e7os onde as pessoas vivem e convivem. As linhas mestras deste processo est\u00e3o previstas no Ritual da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 dos Adultos e exigem apenas a criatividade realista e o amor pastoral indispens\u00e1veis \u00e0s correspondentes adapta\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Mais dif\u00edcil, \u00e9 escolher em di\u00e1logo com os grupos os temas  a aprofundar, usando uma pedagogia apta a adultos que pretendem iniciar-se na f\u00e9, e definir o tipo de comunidade eclesial em que querem e devem celebrar os sacramentos da Igreja na sua vida. H\u00e1 exemplos conseguidos, embora outros nem tanto, mas todos podem inspirar quem pretenda avan\u00e7ar nesta forma de renovar a par\u00f3quia.<\/p>\n<p>As unidades pastorais nascem, por conseguinte, da compreens\u00e3o da Igreja como comunh\u00e3o que se exprime em espa\u00e7os \u201ccom medida humana\u201d. A sua configura\u00e7\u00e3o \u00e9 muito diversificada. Os caminhos para a sua constitui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m. A defini\u00e7\u00e3o do que \u201ccorresponde\u201d a cada n\u00edvel de realiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 pendente da an\u00e1lise dos recursos humanos e da vontade de progredir para uma solu\u00e7\u00e3o mais conveniente. A articula\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e funcional de todo o conjunto d\u00e1 rosto \u00e0 caridade pastoral que se faz servi\u00e7o adequado \u00e0s necessidades de cada um e de todos. A \u201cnova\u201d par\u00f3quia constr\u00f3i-se como fam\u00edlia de fam\u00edlias ou seja comunidade de comunidades, com fun\u00e7\u00f5es definidas entre si e no seio da Igreja diocesana.<\/p>\n<p>Por aqui \u201canda\u201d o Esp\u00edrito de Deus a convidar \u00e0 renova\u00e7\u00e3o do conjunto eclesial e das suas m\u00faltiplas express\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parece evidente o mal-estar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s par\u00f3quias. 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