{"id":9109,"date":"2007-03-01T15:52:00","date_gmt":"2007-03-01T15:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9109"},"modified":"2007-03-01T15:52:00","modified_gmt":"2007-03-01T15:52:00","slug":"os-sinos-sao-um-patrimonio-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-sinos-sao-um-patrimonio-em-risco\/","title":{"rendered":"&#8220;Os sinos s\u00e3o um patrim\u00f3nio em risco&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Herm\u00ednio Nunes, t\u00e9cnico de restauro de rel\u00f3gios antigos, alerta: <!--more--> T\u00e9cnico da Marinha Grande, respons\u00e1vel pelo restauro do rel\u00f3gio do Santu\u00e1rio de Vagos, lamenta que nas par\u00f3quias n\u00e3o se conhe\u00e7am os rel\u00f3gios das suas igrejas e que n\u00e3o haja em Portugal um organismo que restaure esse patrim\u00f3nio.<\/p>\n<p>Herm\u00ednio Nunes, da Marinha Grande, \u00e9 um t\u00e9cnico de restauro de antigos rel\u00f3gios de torres, sinos e rel\u00f3gios de sol, para al\u00e9m de coleccionador de despertadores e rel\u00f3gios de parede, que tamb\u00e9m restaura.<\/p>\n<p>O t\u00e9cnico, que trabalha exclusivamente com rel\u00f3gios antigos, de p\u00eandulo, n\u00e3o com rel\u00f3gios electr\u00f3nicos, considera que o seu trabalho \u00e9 \u201cuma corrida contra o tempo, numa tentativa de conseguir que essas bel\u00edssimas m\u00e1quinas do tempo, que s\u00e3o os antigos rel\u00f3gios de torre, n\u00e3o sejam deitados para a sucata ou vendidos ao desbarato, porque, infelizmente, grande quantidade de bons rel\u00f3gios de torre est\u00e3o j\u00e1 nas m\u00e3os de coleccionadores estrangeiros\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Herm\u00ednio Nunes, em Portugal houve grandes relojoeiros de torres, entre os quais o Ver\u00edssimo da Veiga, no s\u00e9culo XVIII, e, j\u00e1 no s\u00e9culo XX, o Manuel Francisco Couzinha e o Jos\u00e9 Pereira Cardina.<\/p>\n<p>Como os rel\u00f3gios de torre \u201cs\u00e3o um patrim\u00f3nio constitu\u00eddo por pe\u00e7as \u00fanicas\u201d, para este t\u00e9cnico \u201c\u00e9 pena que em Portugal n\u00e3o haja um organismo que coordene o restauro desse patrim\u00f3nio, como acontece em outros pa\u00edses\u201d. Em Portugal, \u201cquando um desses rel\u00f3gios avaria, normalmente \u00e9 substitu\u00eddo por um rel\u00f3gio electr\u00f3nico\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, Herm\u00ednio Nunes garante que, \u201cquando as pessoas tomam conhecimento do patrim\u00f3nio que possuem, ficam com outra sensibilidade. A maioria dos paroquianos nunca viu o rel\u00f3gio, nunca vai \u00e0 torre da igreja, nunca vai aos sinos. E os sinos s\u00e3o um outro patrim\u00f3nio que est\u00e1 em risco, porque se t\u00eam mandado para a sucata, ou fundido, sinos rar\u00edssimos, de grandes fundidores, sem que haja um estudo, sem que haja algu\u00e9m a coordenar esse patrim\u00f3nio. Em Espanha, n\u00e3o se mexe numa torre, n\u00e3o se manda um sino para a refundi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se tira o rel\u00f3gio de uma torre, sem que a associa\u00e7\u00e3o de campaneiros d\u00ea o seu aval\u201d.<\/p>\n<p>Herm\u00ednio Nunes restaurou o rel\u00f3gio do Santu\u00e1rio de Vagos. Tem restaurado rel\u00f3gios de torres por todo o pa\u00eds, e ainda em Espanha. Em Portugal, diz que s\u00e3o quatro as pessoas que se dedicam ao restauro de rel\u00f3gios de torres, pelo que \u201chavia espa\u00e7o para v\u00e1rios relojoeiros e, com isso, conservar-se a arte\u201d.<\/p>\n<p>Nos rel\u00f3gios que restaura, Herm\u00ednio Nunes presta um servi\u00e7o p\u00f3s-restauro gratuito, mediante o qual, trimestralmente, todos os rel\u00f3gios que passam pelas suas m\u00e3os s\u00e3o lubrificados. \u201cUm rel\u00f3gio de torre monumental n\u00e3o requer grandes visitas, quer, uma vez por semana, a visita de quem lhe d\u00e1 corda, e a visita do t\u00e9cnico de tr\u00eas em tr\u00eas meses\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Herm\u00ednio Nunes tem um site na Internet (www.tictactemporis. com) onde d\u00e1 a conhecer o seu trabalho, e presta uma fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, principalmente junto dos mais novos. O t\u00e9cnico est\u00e1 referido em diversas obras, nomeadamente no livro \u201cRel\u00f3gios e Relojoeiros \u2013 Quem \u00e9 quem no tempo em Portugal\u201d, da autoria de Jos\u00e9 Mota Tavares e Fernando Correia de Oliveira.<\/p>\n<p>Herm\u00ednio Nunes \u00e9 um investigador da hist\u00f3ria sobre a zona da Marinha Grande, autor de diversos livros sobre essa tem\u00e1tica e sobre a hist\u00f3ria do vidro na Marinha Grande, para al\u00e9m de ser organizador e dinamizador do museu de arte sacra daquela cidade.<\/p>\n<p>Os sinos n\u00e3o morrem<\/p>\n<p>Um dos mais antigos media soa aqui ao lado: o sino da Igreja. Ontem anunciou um evento, tocando a finados; hoje anuncia outro, tocando para a missa. O sino informa e, embora o seu toque j\u00e1 seja automatizado, carrega-se num bot\u00e3o e toca, continua a ser o velho sino de sempre. Alguns sinos t\u00eam o software inscito no hardware:<\/p>\n<p>Laudo Deum verum plebem voco congrego clerum<\/p>\n<p>Defunctos ploro, nimbum fugo, festa decoro. <\/p>\n<p>Alguns media n\u00e3o morrem t\u00e3o depressa como se julga. Este sobreviveu ao telex.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Pacheco Pereira <\/p>\n<p>in http:\/\/abrupto.blogspot.com\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Herm\u00ednio Nunes, t\u00e9cnico de restauro de rel\u00f3gios antigos, alerta:<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-9109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9109"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9109\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}