{"id":9118,"date":"2007-03-01T16:15:00","date_gmt":"2007-03-01T16:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9118"},"modified":"2007-03-01T16:15:00","modified_gmt":"2007-03-01T16:15:00","slug":"perguntas-pos-referendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/perguntas-pos-referendo\/","title":{"rendered":"Perguntas p\u00f3s-referendo"},"content":{"rendered":"<p>Quem ter\u00e1 votado no sim e no n\u00e3o ao aborto? Dum lado, foi longamente explicado que se tratava apenas de respeitar as decis\u00f5es da mulher sem a mandar para a cadeia. Do outro, argumentou-se que a conversa do sim era s\u00f3 parte da quest\u00e3o. O que estava em causa era sim ou n\u00e3o ao aborto, sim ou n\u00e3o \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Mais de 50% dos eleitores n\u00e3o compareceu. Os que foram \u00e0s urnas, do Norte, Centro ou Sul, decretaram a vit\u00f3ria do sim. Isto \u00e9, a maioria dos que votaram. <\/p>\n<p>Logo foram tiradas ila\u00e7\u00f5es pelo governo: assim sendo, vamos legislar o sim. Transformar, com car\u00e1cter de urg\u00eancia, o pol\u00edtico em jur\u00eddico. E surgem de imediato, divis\u00f5es no sim: Pausa para reflex\u00e3o da mulher? Aconselhamento? Capacidade de resposta dos hospitais? Objec\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia dos m\u00e9dicos? Altera\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Deontol\u00f3gico? Vincula\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ou pol\u00edtica? Constitucionalidade ou n\u00e3o? Aprova\u00e7\u00e3o pelo Presidente da Rep\u00fablica? Capacidade t\u00e9cnica de acorrer aos pedidos de aborto? Prioridades adiadas na sa\u00fade? Entrega ou n\u00e3o \u00e0 medicina privada?<\/p>\n<p>O canto de vit\u00f3ria foi mais partid\u00e1rio que ideol\u00f3gico. Muitos \u201cdefensores da mulher\u201d, pelo que se percebeu s\u00f3 a defendem nesta circunst\u00e2ncia. As concep\u00e7\u00f5es que publicamente sustentam de sexualidade, casamento descart\u00e1vel, explora\u00e7\u00e3o comercial da mulher, fazem desconfiar de humanismos circunstanciais muito distantes da defesa da dignidade da mulher. <\/p>\n<p>A Igreja em Portugal tamb\u00e9m se interroga: que pensam os 97,5% de portugueses que se declaram cat\u00f3licos, em quest\u00f5es de moral familiar? Que jogos de consci\u00eancia individual esconde este referendo? Ter\u00e3o sido mesmo os cat\u00f3licos que disseram n\u00e3o? Ou, na d\u00favida, desculparam-se com o dia chuvoso de Fevereiro, como o haviam feito num dia escaldante de Ver\u00e3o em Junho de 1998?<\/p>\n<p>Seria bom que, antes de tantas respostas prontas e interesseiras, todos nos interrog\u00e1ssemos, passado serenamente algum tempo sobre o referendo de 2007. Para alguns, o resultado do referendo foi uma vit\u00f3ria do progresso e da modernidade. Ou ser\u00e1, como diz Humberto Eco no seu \u00faltimo livro, que \u201ca hist\u00f3ria se est\u00e1 a enrolar em si pr\u00f3pria, caminhando velozmente a passo de caranguejo\u201d?<\/p>\n<p>O tema est\u00e1 em aberto e o di\u00e1logo precisa ser continuado com as pontes poss\u00edveis nas converg\u00eancias fundamentais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem ter\u00e1 votado no sim e no n\u00e3o ao aborto? Dum lado, foi longamente explicado que se tratava apenas de respeitar as decis\u00f5es da mulher sem a mandar para a cadeia. Do outro, argumentou-se que a conversa do sim era s\u00f3 parte da quest\u00e3o. O que estava em causa era sim ou n\u00e3o ao aborto, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-9118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9118\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}