{"id":9126,"date":"2007-03-07T15:01:00","date_gmt":"2007-03-07T15:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9126"},"modified":"2007-03-07T15:01:00","modified_gmt":"2007-03-07T15:01:00","slug":"cruz-gloriosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cruz-gloriosa\/","title":{"rendered":"Cruz gloriosa!"},"content":{"rendered":"<p>\u201cFogem, como o diabo, da Cruz\u201d. Bem sei que, no dizer do povo, a pontua\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, porque o que a senten\u00e7a popular quer dizer \u00e9 que algu\u00e9m foge de alguma coisa (da verdade, do sofrimento, da vida\u2026) como o diabo foge da cruz. O que eu quero dizer aqui \u00e9 que muitos fogem da Cruz, como o diabo &#8211; o que \u00e9 diferente. E fogem, porque Ela interpela e incomoda, interroga e apela.<\/p>\n<p>N\u00e3o querem o Crucifixo, n\u00e3o porque Ele traumatize, induza posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, insinue tend\u00eancias de voto, marque fronteiras culturais\u2026 Mas t\u00e3o somente porque Ele \u00e9 esc\u00e2ndalo, para todos os estabelecidos nas suas ideias feitas, nos seus esquemas de vida c\u00f3moda, mesmo nos seus rituais de cren\u00e7a incolor. <\/p>\n<p>N\u00e3o querem o Crucifixo, porque Ele \u00e9 loucura de dedica\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o, de humildade e verdade, \u00e9 sil\u00eancio eloquente e tonitruante face aos mundos da futilidade, dos interesses, da distrac\u00e7\u00e3o existencial, das inten\u00e7\u00f5es obscuras. Sobretudo, porque Ele \u00e9 refer\u00eancia de luminosidade \u00fanica, cujos raios esventram secretismos e revelam com nitidez o mais profundo dos cora\u00e7\u00f5es! <\/p>\n<p>Incomoda o Crucifixo, porque Ele n\u00e3o \u00e9 uma proposta masoquista. \u00c9, antes, o grito da liberdade plena, a afirma\u00e7\u00e3o de um abra\u00e7ar completo do projecto de vida, sem recuar um passo, diante de quantos pretendam aliciar com a facilidade, com a fuga \u00e0s responsabilidades, com a superficialidade, com caminhos ilus\u00f3rios, em detrimento da constru\u00e7\u00e3o vigorosa, do passo firme, das decis\u00f5es pensadas mas generosas e de vistas largas. <\/p>\n<p>O fen\u00f3meno da recusa p\u00fablica do sinal crist\u00e3o por excel\u00eancia exprime uma mentalidade hedonista, uma civiliza\u00e7\u00e3o de fuga ao dif\u00edcil, uma alergia \u00e0 responsabilidade, que, embora sob a pretens\u00e3o de gerar um clima de religiosidade neutra, deseja \u00e9 instaurar uma atmosfera de falta de refer\u00eancia espiritual inspiradora de uma \u00e9tica pessoal e social, uma atmosfera desprovida de educa\u00e7\u00e3o da vontade, prop\u00edcia a garantir, pela fragilidade espiritual das pessoas, caminho aberto a toda a sorte de influ\u00eancias ocultas, vulnerabilidade a todas as formas de \u201cpublicidade\u201d.<\/p>\n<p>Em tempo de Quaresma, quando a Cruz de Jesus Cristo se revela progressivamente como a express\u00e3o mais profunda do Amor que gera a Vida, quando essa Cruz floresce em \u00c1rvore da Vida, fazendo-nos saborear, passo a passo, o gozo da liberta\u00e7\u00e3o que a P\u00e1scoa nos traz, cabe aos crist\u00e3os testemunhar que esta Cruz de Servi\u00e7o \u00e9 a nossa gl\u00f3ria, \u00e9 a gl\u00f3ria de cada crist\u00e3o e da Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cFogem, como o diabo, da Cruz\u201d. Bem sei que, no dizer do povo, a pontua\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, porque o que a senten\u00e7a popular quer dizer \u00e9 que algu\u00e9m foge de alguma coisa (da verdade, do sofrimento, da vida\u2026) como o diabo foge da cruz. O que eu quero dizer aqui \u00e9 que muitos fogem da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-9126","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9126\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}