{"id":9145,"date":"2007-03-07T15:52:00","date_gmt":"2007-03-07T15:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9145"},"modified":"2007-03-07T15:52:00","modified_gmt":"2007-03-07T15:52:00","slug":"paroquia-presenca-entranhada-na-vida-colectiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/paroquia-presenca-entranhada-na-vida-colectiva\/","title":{"rendered":"Par\u00f3quia: presen\u00e7a entranhada na vida colectiva"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja na cidade configura, de v\u00e1rios modos, o seu rosto humano e social. Acontece o mesmo na cultura urbana, que tende a impregnar a vida colectiva e a criar novos espa\u00e7os de conviv\u00eancia entre as pessoas, os grupos e as associa\u00e7\u00f5es que d\u00e3o consist\u00eancia \u00e0 sociedade. <\/p>\n<p>A presen\u00e7a p\u00fablica da Igreja \u00e9, antes de mais, fruto de um direito humano fundamental pr\u00f3prio de todo o cidad\u00e3o. A subst\u00e2ncia deste direito consiste na liberdade de consci\u00eancia, de associa\u00e7\u00e3o e express\u00e3o, na liberdade religiosa enquanto dimens\u00e3o maior do ser humano perante a verdade, a Verdade suprema, que para os crist\u00e3os \u00e9 o Deus de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>A sociedade e, nela, os respons\u00e1veis pelo fomento, pela coordena\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o das inst\u00e2ncias que promovem o bem comum, beneficiam imenso desta presen\u00e7a t\u00e3o entranhada no modo de ser da vida colectiva e t\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 situa\u00e7\u00e3o real do pa\u00eds profundo que n\u00f3s somos, embora muitos pare\u00e7am ignorar ou menosprezar esta realidade.<\/p>\n<p>Essa presen\u00e7a diversificada em fam\u00edlias, grupos, movimentos, comunidades de vida consagrada, institui\u00e7\u00f5es de benefic\u00eancia, par\u00f3quias, plasma-se num povo que, dominicalmente ou em outras ocasi\u00f5es significativas, acorre aos templos, peregrina a santu\u00e1rios, faz festas e organiza divertimentos, ergue sinais p\u00fablicos das suas devo\u00e7\u00f5es, desfila em prociss\u00f5es, constr\u00f3i obras sociais e vela pela mem\u00f3ria colectiva que \u00e9 fonte de identidade no presente e de energia para o futuro.<\/p>\n<p>\u00c9 este povo que, em Jesus Cristo, aprende a dar a vida por todos os seus irm\u00e3os em humanidade e, por isso, \u00e9 capaz do maior hero\u00edsmo na simplicidade do seu agir em prol da vida humana em todas as suas fases, da dignidade da consci\u00eancia e do seu direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o correcta e ao respeito, quando tem de recorrer \u00e0 objec\u00e7\u00e3o fundamentada; \u00e9 este povo que, sendo de Deus, mais humano se faz, servindo a todos com a m\u00e1xima solidariedade, especialmente aos deserdados daquilo a que t\u00eam direito, a come\u00e7ar pela pr\u00f3pria dignidade e pelos bens mais elementares para a subsist\u00eancia; \u00e9 este povo que, guiado pelo Esp\u00edrito Santo, est\u00e1 atento ao que vai acontecendo e, qual sentinela da hist\u00f3ria, alerta para o valor da novidade, pressente os desafios que v\u00e3o emergindo e, ainda que n\u00e3o os saiba formular em termos t\u00e9cnicos, expressa-os nas suas atitudes de vida, aceitando ou rejeitando o que vai captando.<\/p>\n<p>A universalidade vive-se localmente<\/p>\n<p>A par\u00f3quia surge como a express\u00e3o mais conseguida daquela multiplicidade de formas que n\u00e3o se excluem umas \u00e0s outras, mas se integram na mesma Igreja diocesana e universal. Deste modo, a catolicidade vive-se localmente, a come\u00e7ar pelas dimens\u00f5es da f\u00e9 e a culminar na celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia e no servi\u00e7o por amor. A par\u00f3quia \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, uma comunidade institu\u00edda. Consequentemente, n\u00e3o pode ser apreciada apenas como institui\u00e7\u00e3o ou como comunidade; pelo contr\u00e1rio, exigem-se mutuamente, constituindo uma aut\u00eantica institui\u00e7\u00e3o-mensagem.<\/p>\n<p>Sendo comunidade de pessoas, h\u00e1-de ter medida humana, configurar a sua imagem religiosa e social, a partir das formas de relacionamento dos seus membros e grupos, da converg\u00eancia em objectivos comuns, acess\u00edveis e motivadores, da participa\u00e7\u00e3o de todos naquilo que a todos diz respeito, da miss\u00e3o que cabe a cada um e a toda a comunidade nos mais diversos \u00e2mbitos da vida social, econ\u00f3mica, pol\u00edtica, cultural. Todos est\u00e3o em miss\u00e3o, sempre! As fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o necessariamente diversas, mas igualmente dignas e complementares. <\/p>\n<p>A miss\u00e3o de cada baptizado \u00e9 ser fiel a Jesus Cristo e, coerentemente, desvendar a sua presen\u00e7a ou aus\u00eancia em todas as realidades humanas. \u201cSenhor, quando foi que te fizemos o que acabas de dizer?\u201d\u2013 perguntam os inquiridos aquando do encontro final com Jesus Cristo. E este responde, com toda a clareza: \u201cSempre que o fizestes ou n\u00e3o a um dos meus irm\u00e3os mais humildes\u201d. <\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com \u201cos pequeninos\u201d da terra significa, de forma exemplar, a miss\u00e3o primordial da comunidade paroquial e expressa-se na realiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os mais adequados \u00e0s necessidades de quem est\u00e1 privado de bens essenciais: espa\u00e7os e tempos para acolher e escutar, processos para acompanhar e manter sempre que se justifique uma rela\u00e7\u00e3o de ajuda, pedagogias que favore\u00e7am a liberta\u00e7\u00e3o de \u201cferidas\u201d abertas ou preconceitos exacerbados, provocados por atitudes religiosas desadequadas, propostas de estilos de vida imbu\u00eddos de confian\u00e7a e de alegria, celebra\u00e7\u00f5es dignas da assembleia convocada pelo Senhor ressuscitado, fonte de toda a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o ao social<\/p>\n<p>N\u00e3o basta a satisfa\u00e7\u00e3o destas necessidades b\u00e1sicas. A par\u00f3quia \u00e9 escola de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, de educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 genuinamente cat\u00f3lica, de di\u00e1logo com todas as pessoas que demandam os seus servi\u00e7os. E s\u00e3o muitas. E est\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es divers\u00edssimas. E apresentam urg\u00eancias que reclamam respostas imediatas. E sentem-se t\u00e3o sozinhas e t\u00e3o abandonadas que vivem o drama de quem est\u00e1 exposto \u00e0 tormenta n\u00e3o apenas da falta de recursos, mas da sua pr\u00f3pria impot\u00eancia an\u00edmica e espiritual.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o social prestado, ainda que humilde, tem um alcance humanit\u00e1rio incompar\u00e1vel. Sem ele, que seria dos cansados da vida, dos enjoados da rotina e das drogas, dos empobrecidos de bens e da auto-estima, dos saturados da solid\u00e3o, dos rejeitados pela fam\u00edlia, dos que se sentem estranhos na sua terra, e de tantos outros?!<\/p>\n<p>Apesar das suas limita\u00e7\u00f5es \u2013 que s\u00e3o grandes \u2013, este servi\u00e7o est\u00e1 chamado a ser esperan\u00e7a para muitos, revigoramento para a pr\u00f3pria sociedade e interpela\u00e7\u00e3o para os respons\u00e1veis pela converg\u00eancia de todas as for\u00e7as na realiza\u00e7\u00e3o do bem comum. Reconhec\u00ea-lo \u00e9 a prova mais elementar de que o poder pol\u00edtico conhece realmente quem, de facto, humaniza o tecido social e cria redes de solidariedade. Assumi-lo, sem complexos inibidores nem interfer\u00eancias indevidas, constitui um teste \u00e0 qualidade da vida democr\u00e1tica, \u00e0 verdade do Estado e \u00e0 autenticidade do servi\u00e7o dos governantes. Um gesto de amor vale mais que mil discursos vazios de conte\u00fado e cheios de ret\u00f3rica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja na cidade configura, de v\u00e1rios modos, o seu rosto humano e social. Acontece o mesmo na cultura urbana, que tende a impregnar a vida colectiva e a criar novos espa\u00e7os de conviv\u00eancia entre as pessoas, os grupos e as associa\u00e7\u00f5es que d\u00e3o consist\u00eancia \u00e0 sociedade. 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