{"id":9175,"date":"2007-03-07T16:58:00","date_gmt":"2007-03-07T16:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9175"},"modified":"2007-03-07T16:58:00","modified_gmt":"2007-03-07T16:58:00","slug":"so-pra-catolicos-somos-mesmo-uma-nodoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/so-pra-catolicos-somos-mesmo-uma-nodoa\/","title":{"rendered":"S\u00f3 p&#8217;ra cat\u00f3licos&#8230; Somos mesmo uma n\u00f3doa!"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da Linha <!--more--> Hoje quero escrever para os cat\u00f3licos. Sei que nisto, como em tudo, n\u00e3o se pode generalizar e, portanto, n\u00e3o quero meter tudo no mesmo saco. Mas quero tomar consci\u00eancia da responsabilidade que recai sobre os cat\u00f3licos como cat\u00f3licos. N\u00f3s somos injustamente acusados de muitas coisas pelos de fora e justamente censurados em tantas outras. N\u00e3o o podemos ignorar. Sabemos assumir a nossa culpa e sabemos reagir contra a injusti\u00e7a. Mas hoje quero falar para dentro.<\/p>\n<p>Dizia S. Paulo, no passado domingo, que muitos se comportam como inimigos da Cruz de Cristo. Inspirado por ele, Eu digo isso de outra maneira: muitos comportam-se como inimigos da sua pr\u00f3pria Igreja. Esses muitos s\u00e3o, no meu alcance, todos os baptizados na Igreja cat\u00f3lica que, n\u00e3o tendo renegado a sua f\u00e9, se continuam, por isso, a chamar cat\u00f3licos: Cat\u00f3licos que pedem o baptismo para os seus filhos, cat\u00f3licos que querem educar os seus filhos na linha dos valores em que foram educados, valores que eles pr\u00f3prios n\u00e3o seguem, cat\u00f3licos que desejam contrair matrim\u00f3nio na Igreja ou na igreja, cat\u00f3licos de missa ao domingo, alguns cat\u00f3licos de comunh\u00e3o, alguns catequistas, festeiros e outros. Est\u00e1 dentro da Igreja a for\u00e7a negativa da pr\u00f3pria Igreja. Acredito que os maiores inimigos n\u00e3o s\u00e3o os de fora, s\u00e3o os que est\u00e3o dentro e que n\u00e3o andam nem deixam andar. <\/p>\n<p>A liturgia do 2.\u00ba Domingo da Quaresma p\u00f5e diante dos nossos olhos a transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor. Ele, que se fez em tudo igual a n\u00f3s menos no pecado, mostra-se, aos que j\u00e1 o conheciam na sua express\u00e3o humana, na realidade da sua condi\u00e7\u00e3o divina, para manifestar \u00e0 humanidade a riqueza da presen\u00e7a divina em cada um de n\u00f3s. Riqueza essa que nos desafia \u00e0 transfigura\u00e7\u00e3o interior e exterior. Todos nos apreciamos quando nos olhamos ao espelho; todos cuidamos da nossa imagem e todos gostamos que nos apreciem. Os outros s\u00e3o o espelho onde nos vemos reflectidos, ainda que alguns espelhos aumentem a imagem e outros a diminuam. A sociedade de hoje vive muito da imagem. E direi que n\u00e3o estar\u00e1 mal se tal aprecia\u00e7\u00e3o for objectiva.<\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s, e a Igreja no seu todo, tem uma imagem diferente, conforme se observa de fora para dentro ou de dentro para fora. Em resposta \u00e0 sua miss\u00e3o, a Igreja apresenta, tem de apresentar, a sua imagem real. Esta imagem \u00e9, muitas vezes, fict\u00edcia, qual m\u00e1scara de Carnaval; esta imagem \u00e9, frequentemente, distorcida; outras vezes \u00e9 mesmo uma caricatura; outras ainda uma pesada heran\u00e7a dos antepassados; s\u00f3 algumas vezes \u00e9 a imagem real, ainda que, aqui ou ali, envergonhada, de um compromisso e uma entrega de vida, consciente do seu pecado, mas certa da ressurrei\u00e7\u00e3o. Por isso, aos cat\u00f3licos compete fazer passar a imagem de Deus em cada um, de um Deus que quer as pessoas, a Igreja e a sociedade transfiguradas. <\/p>\n<p>Perdemos uma grande oportunidade de dar uma imagem positiva ao nosso mundo, n\u00f3s, os cat\u00f3licos, que at\u00e9 fomos acusados de ter dado a vit\u00f3ria ao sim, ao aborto. Sem rodeios! Aceito a verdade dessa acusa\u00e7\u00e3o, quando reconhe\u00e7o que mais de noventa por cento da popula\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds \u00e9 gente cat\u00f3lica porque baptizada, embora tamb\u00e9m aceite que a maioria n\u00e3o passa disso mesmo. \u00c9 que s\u00f3 receberam o baptismo por causa da imagem! Mas, deixando esta maioria que, n\u00e3o querendo a Igreja, nos continua a incomodar pedindo sacramentos para os seus filhos, quero voltar-me para os que v\u00e3o enchendo as nossas igrejas. <\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o tem uma disciplina partid\u00e1ria que penaliza os que votaram contra a opini\u00e3o imposta pelo partido. A Igreja tem princ\u00edpios segundo os quais podemos formar a nossa consci\u00eancia e agir, depois, de acordo essa consci\u00eancia doutrinal e moral. N\u00e3o \u00e9 uma doutrina imposta mas uma doutrina proposta e acolhida na linha dos valores-suporte da humanidade, de ontem e de hoje, nesta terra ou naquela. <\/p>\n<p>N\u00e3o me lamento pela derrota, mas entriste\u00e7o-me pela imagem suja que demos, pela imagem conspurcada que permitimos ser entendida como imagem de todo este pa\u00eds. Lamento a hipocrisia de tantos cat\u00f3licos que n\u00e3o se comportaram como crist\u00e3os, disc\u00edpulos do mesmo Cristo, que assumiu a humanidade at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Suj\u00e1mos a cara da humanidade, escarr\u00e1mos na imagem da nossa Igreja, lan\u00e7\u00e1mos mais poeira para as rugas da nossa sociedade envelhecida. Obrigados pela for\u00e7a moral da nossa consci\u00eancia e da nossa f\u00e9 a ter comportamentos transparentes, resultantes de ideias desempoeiradas, abdic\u00e1mos daquilo que nos poderia engrandecer, e lav\u00e1mos as m\u00e3os, em atitude cobarde, em nome de uma pseudo-defesa da mulher. <\/p>\n<p>As cruzadas e a inquisi\u00e7\u00e3o envergonham-nos, a coloniza\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o de culturas tornaram-nos b\u00e1rbaros, o fascismo e as ditaduras massacraram-nos, \u00e9 verdade! Agora, em princ\u00edpios do s\u00e9c. XXI, no in\u00edcio do terceiro mil\u00e9nio, vemos a democracia invadida por uma imensa mar\u00e9 negra e somos esta Igreja que deixa uma n\u00f3doa enorme no seu historial.<\/p>\n<p>E pensar que fomos n\u00f3s, os cat\u00f3licos, por aus\u00eancia ou por inconsci\u00eancia culpada, os respons\u00e1veis por esta situa\u00e7\u00e3o, quando nos pertencia apresentar ao mundo uma imagem lavada da Igreja, comprometida com a sua f\u00e9 e com a miss\u00e3o de salvar a humanidade. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da Linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-9175","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9175"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9175\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}