{"id":9191,"date":"2007-03-22T11:27:00","date_gmt":"2007-03-22T11:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9191"},"modified":"2007-03-22T11:27:00","modified_gmt":"2007-03-22T11:27:00","slug":"foi-uma-graca-nossa-senhora-fez-lhe-a-vontade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/foi-uma-graca-nossa-senhora-fez-lhe-a-vontade\/","title":{"rendered":"&#8220;Foi uma gra\u00e7a: Nossa Senhora fez-lhe a vontade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 CARLOS<\/p>\n<p>Di\u00e1cono Permanente, M\u00e9dido<\/p>\n<p>Esta foi a frase que mais se repetiu, por aqueles e aquelas que presenciaram o t\u00e9rmino vital f\u00edsico, em pleno Retiro, da companheira e amiga Rosa Estela, da Borralha, \u00c1gueda. <\/p>\n<p>Com 86 anos de idade, mas de esp\u00edrito muito jovem, decidiu, de sua livre vontade, juntar-se aos restantes doentes da Diocese, para participar no Retiro, em F\u00e1tima, que decorreu nos dias 6, 7, 8 e 9 do corrente m\u00eas de Mar\u00e7o. Decidiu participar no Retiro e manifestou um desejo transmitindo-o aos seus familiares pr\u00f3ximos: \u00abVou a F\u00e1tima para visitar o t\u00famulo da Irm\u00e3 L\u00facia, a Bas\u00edlica, reconciliar-me e depois o meu maior desejo era que Nossa Senhora me levasse\u00bb.<\/p>\n<p>No autocarro, durante a viagem, foi pedido, na ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria que foi feita, que cada um ali presente procurasse libertar das suas m\u00e3os, da mente e do cora\u00e7\u00e3o, tudo quanto estivesse a ocupar, inutilmente, espa\u00e7os do nosso interior e que viesse a obstar a entrada da gra\u00e7a do Senhor nos nossos cora\u00e7\u00f5es, \u00e0 semelhan\u00e7a do que aconteceu com Maria, no dia em que ela recebeu no seu seio o Filho de Deus, Jesus, o Salvador de Todos: Ave-Maria, \u00f3 cheia de gra\u00e7a\u2026\u00bb (Lc. 1, 28) <\/p>\n<p>Todo o grupo se esfor\u00e7ou, no sentido de se preparar com as melhores condi\u00e7\u00f5es espirituais, para garantir o maior aproveitamento do Retiro. E foi aqui, j\u00e1 em ambiente de ora\u00e7\u00e3o, que a D. Rosa Estela expressou peremptoriamente o seu contentamento, por estar a fazer uma experi\u00eancia que, para ela, como para a maioria dos elementos do grupo, vivia pela primeira vez. <\/p>\n<p>Come\u00e7ou o Retiro na Ter\u00e7a-feira, dia 6, logo ap\u00f3s o almo\u00e7o. Entre momentos de forma\u00e7\u00e3o, momentos de reflex\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o, reconcilia\u00e7\u00e3o e Eucaristia, vieram tamb\u00e9m as visitas t\u00e3o desejadas: t\u00famulo da Irm\u00e3 L\u00facia, Bas\u00edlica, Capelinha das Apari\u00e7\u00f5es e o vislumbramento de todo aquele espa\u00e7o magnifico do Santu\u00e1rio, pela tranquilidade, serenidade e paz que proporciona a todos quantos ousam romper com o seu orgulho e vergonha e s\u00e3o capazes de pisar, silenciosamente, aquele solo sagrado, numa atitude de peregrino e de filho, muito amado, de Maria: \u00abMulher, eis o teu filho\u00bb. <\/p>\n<p>O sonho da D. Rosa Estela estava a ser realizado, nem queria acreditar. Cada dia que passava, o entusiasmo e a alegria iam aumentando e partilhava essa satisfa\u00e7\u00e3o com as colegas do quarto. Na Quinta-feira, dia 8, j\u00e1 preparada para iniciar o terceiro dia de Retiro, subitamente, deixou-nos e foi para o lugar que sempre desejou: para junto do Pai. Lentamente a not\u00edcia foi chegando a cada um, ao ritmo e intensidade escolhido por Maria, sempre presente e providente. E, em pouco tempo, se formou um coro silencioso, que n\u00e3o se fazia ouvir, mas que era sentido e, mentalmente, se repetia a frase que a todos contagiou admiravelmente: \u00abFoi uma gra\u00e7a Divina: Nossa Senhora fez-lhe a vontade\u00bb. <\/p>\n<p>Este acontecimento, embora alheio ao Retiro, come\u00e7ou a fazer parte dele. Todos os participantes revelavam alguma apreens\u00e3o e tristeza pelo sucedido. Mas, por outro lado, todos se regozijavam pela gra\u00e7a recebida e dizia-se em un\u00edssono, como me dizia uma senhora emocionada: \u00abGra\u00e7as a Deus, Nossa Senhora \u00e9 m\u00e3e!\u00bb <\/p>\n<p>Curioso foi o que aconteceu a partir deste acontecimento. Para o jovem Domingos Pereira, de vinte e cinco anos de idade, parapl\u00e9gico h\u00e1 doze, totalmente dependente, sentado numa cadeira m\u00f3vel, interrogava-o este facto incessantemente, inundado numa forte emo\u00e7\u00e3o: \u00abComo \u00e9 que Nossa Senhora permitiu \u201cmorrer\u201d uma m\u00e3e, aos seus p\u00e9s? Porqu\u00ea?\u00bb Interpelava-nos ele. E n\u00e3o descansou enquanto n\u00e3o ouviu da pr\u00f3pria filha da D. Rosa Estela, seu irm\u00e3o e respectivos c\u00f4njugues, o que eles pensavam e sentiam naquele momento. A d\u00favida do Pereira, que exigia uma resposta entend\u00edvel \u00e0 dimens\u00e3o da sua compreens\u00e3o e aceit\u00e1vel \u00e0 escala da sua f\u00e9, muito fragilizada, aparentemente, possibilitou a todos os presentes a soberana oportunidade de presenciar o testemunho dado pelos familiares, como o Pereira tinha pedido. Foi um momento extraordin\u00e1rio pela bel\u00edssima manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que esta fam\u00edlia deu ao jovem Pereira e a mim, confesso. <\/p>\n<p>Confrontados com o jovem Pereira, enervado e revoltado por n\u00e3o compreender a raz\u00e3o, nem o valor e o sentido daquela morte, agarraram-se a ele, acariciaram-no afectuosa e fraternalmente e, numa atitude de total compaix\u00e3o, disseram-lhe: \u00abA nossa m\u00e3e foi sempre uma mulher de Igreja e de muita f\u00e9. Foi uma boa m\u00e3e, boa sogra e boa pessoa. Viveu sempre muito feliz. Agora a minha m\u00e3e est\u00e1 melhor ainda, porque foi para o C\u00e9u, para junto do Pai. Foi Nossa Senhora que lhe quis dar essa gra\u00e7a, fazendo-lhe a vontade\u00bb. O Pereira, mesmo sem entender tudo, mas j\u00e1 um pouco mais calmo, exclamou: \u00abMas era m\u00e3e!\u00bb. <\/p>\n<p>Momentos antes deste testemunho ser dado, tinham-me incumbido de falar com o Pereira, para lhe dar essa explica\u00e7\u00e3o e ajud\u00e1-lo a compreender a morte para o tranquilizar. Comecei de imediato a pensar como deveria iniciar e que palavras utilizar. Ao mesmo tempo ia pedindo \u00e0 Nossa Senhora para me ajudar nessa miss\u00e3o dif\u00edcil. Pouco tempo depois chegaram os familiares e aconteceu, mais uma vez, aquilo que ningu\u00e9m esperava: escutar um testemunho, que para o Pereira foi esclarecedor e calmante e para mim foi aquela ajuda que tinha pedido momentos antes \u00e0 Nossa Senhora de F\u00e1tima. Sim, porque, para mim, foi mais do que uma simples ajuda, dado que fui substitu\u00eddo na miss\u00e3o de que me tinham incumbido e evangelizado. Obrigado, M\u00e3e do C\u00e9u. Obrigado \u00abBetinha\u00bb e seus familiares. Um bem-haja! <\/p>\n<p>Na viagem de regresso a casa, imbu\u00eddos neste ambiente de tristeza, por um lado, e de contentamento espiritual, por outro, os 48 doentes expressavam o que sentiam do fundo dos seus cora\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>\u00abGra\u00e7as a Deus, venho consolada\u00bb; \u00abFoi muito bom, gostei de tudo. Foi pena aquilo que aconteceu, porque \u00e9ramos amigas, mas era aquilo que ela mais queria e Nossa senhora ouviu-a\u201d; \u201cO retiro foi muito bom. Se para o ano puder voltar, gostava de repetir\u201d; \u201c\u00c9 um pouco cansativo, n\u00f3s quase n\u00e3o temos tempo para n\u00f3s, mas foi maravilhoso\u201d; \u201cN\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o para o conv\u00edvio entre o grupo, mas compreendo, por ser um encontro espiritual. Gostei muito e sinto-me mais leve\u201d; \u201cTrazia a minha cervical que mal podia mexer, devido \u00e0 rigidez dos m\u00fasculos, provocada pelos nervos. Estou diferente. Pare\u00e7o outra\u201d; \u201cVou cansada, mas feliz. Gostei de tudo\u201d.<\/p>\n<p>Foi un\u00e2nime a opini\u00e3o do grupo: estes encontros denominados Retiro de Doentes s\u00e3o uma maravilha, nos quais todos os enfermos deveriam participar, para viverem a experi\u00eancia das suas doen\u00e7as de outra maneira: encarar a doen\u00e7a como um processo de cura integral da pessoa humana e n\u00e3o como uma d\u00e1diva ou castigo de Deus.<\/p>\n<p>Resta-me agradecer aos p\u00e1rocos, respons\u00e1veis paroquiais, visitadores de doentes, \u00e0 equipa diocesana respons\u00e1vel, a todos quantos colabora-ram e contribu\u00edram para este retiro. O mais reconhecido agradecimento e que Deus vos recompense. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 CARLOS Di\u00e1cono Permanente, M\u00e9dido Esta foi a frase que mais se repetiu, por aqueles e aquelas que presenciaram o t\u00e9rmino vital f\u00edsico, em pleno Retiro, da companheira e amiga Rosa Estela, da Borralha, \u00c1gueda. 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