{"id":9195,"date":"2007-03-22T11:32:00","date_gmt":"2007-03-22T11:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9195"},"modified":"2007-03-22T11:32:00","modified_gmt":"2007-03-22T11:32:00","slug":"humildade-de-quem-preside-e-governa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/humildade-de-quem-preside-e-governa\/","title":{"rendered":"Humildade de quem preside e governa"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA humildade \u00e9 a verdade\u201d. Assim dizia Teresa de \u00c1vila, que bem o sabia por experi\u00eancia pr\u00f3pria e pelo dever e miss\u00e3o di\u00e1ria de educar quem pretendia ir al\u00e9m da monotonia de uma vida instalada ou apenas voltada para si pr\u00f3pria. A frase ficou, mas a sua pr\u00e1tica deixa ainda muito a desejar. <\/p>\n<p>Os tempos n\u00e3o s\u00e3o prop\u00edcios \u00e0 verdade, porque, tamb\u00e9m, a humildade tem um pre\u00e7o caro e, num mundo de apar\u00eancias, poucos se disp\u00f5em a andar por tal caminho. <\/p>\n<p>Quem n\u00e3o aceita confrontos de outros e tudo faz, sem olhar a meios, para ocupar sempre o p\u00f3dio dos vencedores, acha que a humildade \u00e9 deprimente e coisa de pessoas alienadas e sem brio. Nada tem a ver com os sentimentos de quem gosta de aparecer \u00e0 frente do pelot\u00e3o, nem que outros o levem, de bom gosto, ao colo, ou comodamente instalado num palanquim, aos ombros de escravos sorridentes. <\/p>\n<p>Todos temos mais raz\u00f5es para ser humildes, que suficientes e orgulhosos. Mas, quem det\u00e9m o poder, qualquer que ele seja, ou faz um esfor\u00e7o de verdadeira humildade ou entra numa atitude de mentira e arrog\u00e2ncia que, tarde ou cedo, deixa a descoberto p\u00e9s de barro, incapazes de sustentar a est\u00e1tua que tem sempre o peso da sua inutilidade.<\/p>\n<p>Quem preside e governa n\u00e3o pode ser malabarista ou ilusionista. Aqueles que s\u00e3o a raz\u00e3o de ser do servi\u00e7o da autoridade, t\u00eam direito \u00e0 verdade. Ocult\u00e1-la ou disfar\u00e7\u00e1-la \u00e9 enganar os outros e enganar-se a si pr\u00f3prio. Quem preside e governa n\u00e3o pode prometer o que sabe que n\u00e3o pode dar; n\u00e3o pode calar ou disfar\u00e7ar as dificuldades e os fracassos; n\u00e3o pode falar de \u00eaxitos, quando j\u00e1 se v\u00eaem as falhas e as car\u00eancias; n\u00e3o pode deixar-se inebriar com os elogios dos louvaminhas da corte; n\u00e3o pode desprezar quem n\u00e3o se deixou acorrentar, nem perseguir quem ousou contrariar e dissentir.<\/p>\n<p>Em tudo a humildade tem um lugar indispens\u00e1vel. Quando se perde a consci\u00eancia da pr\u00f3pria dimens\u00e3o, tudo, pessoas e acontecimentos, fica deformado e menos verdadeiro   <\/p>\n<p>Os orgulhosos, por mais que o disfarcem, s\u00e3o inseguros. A sua for\u00e7a \u00e9 a que lhes vem de fora, quando dela podem dispor arbitrariamente. Por isso, a procuram e sempre a concentram nas suas m\u00e3os. N\u00e3o confiam nos outros, nem na sua opini\u00e3o, nem na sua ajuda. N\u00e3o gostam de estender a m\u00e3o para pedir, nem de acolher a m\u00e3o que se lhes estende, mesmo que seja apenas para dar e para propor. Nasceram para mandar.<\/p>\n<p>O orgulho e a total sufici\u00eancia dos chefes n\u00e3o s\u00e3o est\u00edmulo para ningu\u00e9m. Ao contr\u00e1rio, provocam desinteresse, cr\u00edtica, passividade, d\u00f3. O orgulhoso acaba sempre por ficar s\u00f3. Mesmo os que se lhe venderam aos elogios, um dia v\u00eaem que, afinal, o engodo em que ca\u00edram, n\u00e3o trazia nada de v\u00e1lido na ponta da linha.<\/p>\n<p>S\u00f3 a verdade liberta e s\u00f3 ela permite fazer caminho com esperan\u00e7a e sentido. O projecto da verdade s\u00f3 os humildes s\u00e3o capazes de o realizar. Sabem o que podem e valem, d\u00e3o valor aos outros, contam com todos e proporcionam a cada um a oportunidade de servir a comunidade com as suas capacidades. <\/p>\n<p>Por estranho que pare\u00e7a, o \u201cPrinc\u00edpio de Peter\u201d, por virtude do qual se constr\u00f3i a pir\u00e2mide dos in\u00fateis, \u00e9 ainda muito seguido e apreciado, em v\u00e1rios campos da vida. Tem os seus cultores, que s\u00e3o sempre os iludidos acerca do seu valor pessoal e, por isso, se rodeiam dos que executam sem nada perguntar e concordam sempre, mesmo que vejam que \u00e9 disparate. Com tal gente, o chefe nunca se sentir\u00e1 incomodado, nem ajudado. Nem corrigido e aconselhado. <\/p>\n<p>Sem humildade e verdade o terreno est\u00e1 mais prop\u00edcio e aberto ao orgulho e \u00e0 mentira. Quem preside e governa fica mais enganado consigo pr\u00f3prio e mais pobre e perigoso para a comunidade que lhe \u00e9 dado servir. At\u00e9 o que h\u00e1 de bem deixar\u00e1 de o ser, porque a fuma\u00e7a lan\u00e7ada um dia acabar\u00e1 por ocult\u00e1-lo e enegrec\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA humildade \u00e9 a verdade\u201d. Assim dizia Teresa de \u00c1vila, que bem o sabia por experi\u00eancia pr\u00f3pria e pelo dever e miss\u00e3o di\u00e1ria de educar quem pretendia ir al\u00e9m da monotonia de uma vida instalada ou apenas voltada para si pr\u00f3pria. A frase ficou, mas a sua pr\u00e1tica deixa ainda muito a desejar. 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