{"id":929,"date":"2010-03-17T16:18:00","date_gmt":"2010-03-17T16:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=929"},"modified":"2010-03-17T16:18:00","modified_gmt":"2010-03-17T16:18:00","slug":"a-justica-e-o-primeiro-dever-de-quem-ama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-justica-e-o-primeiro-dever-de-quem-ama\/","title":{"rendered":"A justi\u00e7a \u00e9 o primeiro dever de quem ama"},"content":{"rendered":"<p>Dez palavras-chave sobre a &#8220;Caritas in Veritate&#8221; <!--more--> Bento XVI afirma no in\u00edcio da \u201cCaritas in veritate\u201d, no n.\u00ba 6, que a enc\u00edclica ganha \u201cforma operativa em crit\u00e9rios orientadores da ac\u00e7\u00e3o moral\u201d, nomeadamente na \u201cjusti\u00e7a e no bem comum\u201d. Por outras palavras, a pr\u00e1tica da justi\u00e7a e do bem comum concretizam a \u201ccaridade na verdade\u201d. Para que ningu\u00e9m fique a discutir conceitos, o Papa diz o que entende por um e por outro. Hoje, fiquemos pela \u201cjusti\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>A justi\u00e7a surge (ou \u00e9 necess\u00e1ria) onde h\u00e1 sociedade, como afirma o princ\u00edpio cl\u00e1ssico, \u201cubi societas, ibi ius\u201d (onde [h\u00e1] sociedade, l\u00e1 [h\u00e1] direito), e consiste em \u201cdar ao outro o que \u00e9 dele, o que lhe pertence em raz\u00e3o do seu ser e do seu agir\u201d. O Papa n\u00e3o distingue os tipos de justi\u00e7a (que s\u00e3o essencialmente dois, embora haja quem acrescente a \u201cjusti\u00e7a social\u201d: a justi\u00e7a comutativa e a justi\u00e7a distributiva; a primeiro consiste em dar a cada um aquilo a que tem direito como se fosse uma troca directa; o segundo consiste em dar em fun\u00e7\u00e3o do que precisa, redistribuindo rendimentos, por exemplo), mas conjuga-a com a caridade. \u201cA caridade supera a justi\u00e7a\u201d, por\u00e9m, \u201cn\u00e3o posso \u00abdar\u00bb ao outro do que \u00e9 meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justi\u00e7a. Quem ama os outros com caridade \u00e9, antes de mais nada, justo para com eles\u201d, escreve Bento XVI. O amor \u00e9 falso ou pelo menos incompleto se ignorar a justi\u00e7a. \u201cA justi\u00e7a m\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 alheia \u00e0 caridade, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 um caminho alternativo ou paralelo \u00e0 caridade, mas \u00e9 \u00abinsepar\u00e1vel da caridade\u00bb, \u00e9-lhe intr\u00ednseca\u201d, acrescenta. Nisto podemos ver uma cr\u00edtica a muita ac\u00e7\u00e3o social dos crist\u00e3os, que, sendo imensamente generosos, s\u00e3o, por vezes coniventes com situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f3micas injustas. Nestes casos, o testemunho pode ser contraproducente. Salvaguarde-se que a Igreja \u201cn\u00e3o tem solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para oferecer\u201d (n.\u00ba 7) nem pretende \u201cimiscuir-se nas pol\u00edticas dos Estados\u201d, mas tem uma \u201cmiss\u00e3o ao servi\u00e7o da verdade\u201d que passa claramente pela den\u00fancia da injusti\u00e7a social.<\/p>\n<p>Bento XVI escreve tamb\u00e9m que a caridade \u201csupera a justi\u00e7a e completa-a com a l\u00f3gica do dom e do perd\u00e3o\u201d, por \u201crela\u00e7\u00f5es de gratuidade, miseric\u00f3rdia e comunh\u00e3o\u201d, mas fica bem sublinhado o alerta: se a caridade n\u00e3o tiver como base a justi\u00e7a, estamos a construir sobre a areia.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Verdade | Desenvolvimento | Populorum progressio | Justi\u00e7a | Bem Comum | Globaliza\u00e7\u00e3o | Gratuidade | Trabalho | Ambiente | Caridade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez palavras-chave sobre a &#8220;Caritas in Veritate&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-929","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/929\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}