{"id":9310,"date":"2007-07-26T10:10:00","date_gmt":"2007-07-26T10:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9310"},"modified":"2007-07-26T10:10:00","modified_gmt":"2007-07-26T10:10:00","slug":"a-missao-nao-e-apenas-um-partir-mas-uma-forma-de-estar-na-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-missao-nao-e-apenas-um-partir-mas-uma-forma-de-estar-na-vida\/","title":{"rendered":"&#8220;A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um partir, mas uma forma de estar na vida&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Eu estive l\u00e1 <!--more--> Testemunho de Karina Oliveira, jovem de \u00cdlhavo, que trabalhou um ano como enfermeira em Timor.<\/p>\n<p>J\u00e1 tentei recome\u00e7ar este texto, vezes sem conta. Acho sempre dif\u00edcil falar de Timor, ou melhor, da experi\u00eancia de Timor em poucas palavras. Mas antes de falar de mim, gostava de fazer um tributo a um povo que me ensinou o verdadeiro significado da palavra \u201cResist\u00eancia\u201d, isto \u00e9, os valores &#8211; o porqu\u00ea e o que nos faz viver. <\/p>\n<p>Em Timor, ouvi hist\u00f3rias dos guerrilheiros na primeira pessoa; trilhei as montanhas que outrora foram esconderijos, para quem fugia da morte; rezei junto ao t\u00famulo dos que morreram pela liberdade; estive no cemit\u00e9rio \u201cSanta Cruz\u201d, junto ao muro onde os soldados indon\u00e9sios come\u00e7aram \u201co cruzar fogo\u201d contra os jovens que estavam em ora\u00e7\u00e3o; vivi os campos de ref\u00fagios por causa dos conflitos pol\u00edticos&#8230; As minhas palavras parecem-me sempre vagas, e a minha experi\u00eancia sempre curta, junto ao que vivi e com quem vivi. <\/p>\n<p>Sou a Karina, tenho 24 anos e sou enfermeira. Choro com uma hist\u00f3ria feliz e adoro chocolate. Estive em Timor-leste um ano, em Laclubar, numa zona montanhosa, a 4h de dist\u00e2ncia da capital. Parti em miss\u00e3o com os Irm\u00e3os de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, pelos Leigos Mission\u00e1rios Hospitaleiros. N\u00e3o foi de um dia para outro que surgiu este \u201cser mission\u00e1ria!\u201d. Foi um \u201cn\u00e3o sei qu\u00ea\u201d, que \u201ccome\u00e7ou n\u00e3o sei onde\u201d, mas que foi crescendo, vivido e posto em pr\u00e1tica. Fiz forma\u00e7\u00e3o pela Juventude Hospitaleira. Fiz campos e encontros mission\u00e1rios, fins-de-semana de voluntariado, encontros pela Funda\u00e7\u00e3o de Evangeliza\u00e7\u00e3o e Culturas, aulas de t\u00e9tum, entre outros. Fiz tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o pelo SDAM, pela indecis\u00e3o de fazer uma experi\u00eancia curta ou longa. N\u00e3o sei bem o que me fez escolher, mas a paz de esp\u00edrito que senti, quando fiz a minha escolha, mostrou-me que o caminho era por Timor. <\/p>\n<p>Antes de partir, lembro-me de ter escrito: \u201cQuando se acredita em Cristo, tudo o que podemos fazer parece pouco aos seus olhos\u201d. Assim, parti em Miss\u00e3o para ser testemunha deste Amor. <\/p>\n<p>A fam\u00edlia foi uma base de suporte importante para estar em miss\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil para eles, \u00e9 como \u201cesticar o cord\u00e3o umbilical\u201d a uma dist\u00e2ncia de 15 mil km. Mas aceitaram a minha decis\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o parti sozinha, parti com a Xana Abreu, auxiliar de educa\u00e7\u00e3o, e mais tarde juntou-se a n\u00f3s a Manuela Fonseca, psic\u00f3loga. Vivendo em comunidade, tornamo-nos conscientes de que a diversidade \u00e9 uma dificuldade, mas tamb\u00e9m a grande riqueza. Existem valores como o respeito, a sinceridade e a compreens\u00e3o, que s\u00e3o pilares essenciais para a vida em comunidade. <\/p>\n<p>Em Timor, fomos acolhidas pelos irm\u00e3os Jos\u00e9 Ant\u00f3nio e V\u00edtor, irm\u00e3os de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, que nos mostraram Timor como um tesouro embrulhado em papel de jornal. S\u00f3 depois de o desembrulhar \u00e9 que o podemos apreciar. S\u00e3o dois irm\u00e3os que nos ensinaram, sempre com um sorriso, que a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um partir, mas uma forma de estar na vida. A comunidade de mission\u00e1rios em Timor era composta por mim e as minhas duas manas (a Xana e a Manuela), os dois irm\u00e3os, e tr\u00eas irm\u00e3s brasileiras (a Ana, a L\u00facia, e a Vera), que estavam num projecto de apoio \u00e0 igreja de Timor.<\/p>\n<p>Em Laclubar, trabalhei como enfermeira no Centro de Sa\u00fade, em conjunto com os enfermeiros timorenses. Nunca assumindo uma \u00e1rea de responsabilidade, porque a experi\u00eancia \u00e9 muito curta, apoiei as diversas \u00e1reas de sa\u00fade, mais especificamente, sa\u00fade mental, sa\u00fade infantil, tratamentos, visitas domicili\u00e1rias, etc., atrav\u00e9s de forma\u00e7\u00e3o profissional, presta\u00e7\u00e3o de cuidados, desenvolvimento do processo de enfermagem, etc. Tamb\u00e9m apoi\u00e1vamos as actividades pastorais da par\u00f3quia de Laclubar, visitando as comunidades mais distantes, para fazer celebra\u00e7\u00f5es da palavra e acompanhamento aos doentes. <\/p>\n<p>Foi uma experi\u00eancia gratificante, e recordar \u00e9 sempre fazer saltar em mim um sorriso. <\/p>\n<p>Regressei h\u00e1 quase tr\u00eas meses, sinto que h\u00e1 muito por fazer, ainda\u2026 <\/p>\n<p>Karina Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu estive l\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-9310","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jovens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9310","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9310"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9310\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}