{"id":9360,"date":"2007-03-15T11:55:00","date_gmt":"2007-03-15T11:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9360"},"modified":"2007-03-15T11:55:00","modified_gmt":"2007-03-15T11:55:00","slug":"para-que-nao-se-perca-no-labirinto-dos-desejos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/para-que-nao-se-perca-no-labirinto-dos-desejos\/","title":{"rendered":"Para que n\u00e3o se perca no labirinto dos desejos"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o em tempo de Quaresma <!--more--> \u201cO budismo anula os desejos\u201d. \u201cO capitalismo expande os desejos\u201d. \u201cO cristianismo hierarquiza os desejos\u201d. Resumo da confer\u00eancia de Bento Domingues no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, na noite de 28 de Fevereiro \u2013 uma \u00f3ptima reflex\u00e3o quaresmal!<\/p>\n<p>\u201cSomos feitos de desejo. Se n\u00e3o desejamos, estamos mortos\u201d. Esta frase foi dita por Frei Bento Domingues quase no fim da palestra, mas esteve impl\u00edcita ao longo de toda a comunica\u00e7\u00e3o. Ao desejo inerente ao ser humano, budismo, capitalismo e cristianismo respondem de forma diferente.<\/p>\n<p>A religi\u00e3o oriental (ou talvez antes sabedoria e filosofia) pretende a supress\u00e3o do desejo. Porqu\u00ea? \u201cPorque enquanto h\u00e1 desejo, h\u00e1 insatisfa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 sofrimento, h\u00e1 morte\u201d. \u00abSofre-se por causa do desejo\u00bb, diz o Buda. E, quando supera todos os desejos, atinge a figura de plenitude, a ilumina\u00e7\u00e3o\u201d, sintetiza o sacerdote dominicano.<\/p>\n<p>A proposta do capitalismo vai no sentido oposto: expans\u00e3o constante dos desejos. \u201cO capitalismo global \u00e9 perito na produ\u00e7\u00e3o de desejos e n\u00e3o na satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades. A sua genialidade est\u00e1 em fazer-nos desejar o que nos quer dar\u201d, disse. O corol\u00e1rio do capitalismo est\u00e1 na publicidade. \u201cA publicidade, se n\u00e3o nos torna infelizes, \u00e9 uma publicidade infeliz. A sua l\u00f3gica \u00e9: se eu n\u00e3o tenho isto, sou infeliz\u201d, afirmou. Chega-se \u00e0 \u201cinsaciabilidade do desejo\u201d. A droga, de certa forma, \u00e9 uma consequ\u00eancia da exacerba\u00e7\u00e3o do desejo. Revela \u201ca incapacidade de diferir o desejo. Tem de ser j\u00e1!\u201d<\/p>\n<p>Ora o cristianismo n\u00e3o excomunga o desejo; \u201chierarquiza aquilo que mais conta para a vida\u201d, argumenta Bento Domingues. E a Quaresma, nesse sentido, \u00e9 o \u201ctempo de ensaiar novas formas de viver sem exagerar o desejo\u201d, tal como \u00e9 miss\u00e3o da Igreja incentivar a procura de um mundo sustent\u00e1vel. \u201cO que Al Gore nos veio dizer foi: \u00abOu vos converteis ou estais tramados\u00bb\u201d, afirmou o dominicano.<\/p>\n<p>Bento Domingues, com o seu jeito repentino e por vezes desconcertante, deixou algumas reflex\u00f5es que provocaram sorrisos nas pessoas que enchiam o sal\u00e3o do Centro Universit\u00e1rio (ver frases em destaque). Conv\u00e9m ainda anotar mais estas duas frase sobre o desejo, em perspectiva claramente quaresmal: \u201cA convers\u00e3o do desejo \u00e9 desejar que o outro tamb\u00e9m cres\u00e7a, que o irm\u00e3o se reconhe\u00e7a como filho de Deus\u201d. \u201cO voluntariado \u00e9 uma das melhores formas de canalizar o desejo\u201d.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Outras reflex\u00f5es de Bento Domingues<\/p>\n<p>\u201cHav\u00edamos de ter um catecismo da imagina\u00e7\u00e3o. A boa linguagem religiosa \u00e9 a dos bons m\u00fasicos, bons poetas, bons arquitectos, porque p\u00f5em a imagina\u00e7\u00e3o a funcionar como ela \u00e9.\u201d<\/p>\n<p>\u201cCristo est\u00e1 na cruz, porque a nossa sociedade continua a crucificar pessoas. \u00c9 como diz o poeta [brasileiro] Manuel Bandeira: \u201cBem queria eu tir\u00e1-lo da cruz; o problema \u00e9 que h\u00e1 tantos crucificados que ficavam sem companhia&#8230;\u201d <\/p>\n<p>\u201cOs divorciados recasados, na Igreja, s\u00e3o convidados para jantar [Eucaristia], mas n\u00e3o podem comer. S\u00e3o quest\u00f5es empancadas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o em tempo de Quaresma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-9360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9360"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9360\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}