{"id":9361,"date":"2007-03-15T11:59:00","date_gmt":"2007-03-15T11:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9361"},"modified":"2007-03-15T11:59:00","modified_gmt":"2007-03-15T11:59:00","slug":"bispo-de-aveiro-propoe-forum-para-despertar-alma-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/bispo-de-aveiro-propoe-forum-para-despertar-alma-social\/","title":{"rendered":"Bispo de Aveiro prop\u00f5e f\u00f3rum para despertar alma social"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos prop\u00f4s a realiza\u00e7\u00e3o de um \u201cf\u00f3rum que congregue institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social\u201d da diocese, como forma de \u201cimplicar, sensibilizar e dinamizar\u201d a ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-caritativa dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>A proposta foi feita no encerramento da jornada promovida pela C\u00e1ritas Diocesana, que teve como tema \u201cPela dignidade, igual oportunidade\u201d e decorreu na tarde do dia 10 de Mar\u00e7o, no Semin\u00e1rio de Aveiro. D. Ant\u00f3nio Francisco considerou que os crist\u00e3os t\u00eam de ser socialmente \u201ccriativos e ousados\u201d, numa linha de \u201cfantasia da carida-de\u201d, conforme a express\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II. \u201cFalta-nos a alma social\u201d, disse. Para despertar esta alma, D. Ant\u00f3nio Francisco sugeriu um grande encontro para institui\u00e7\u00f5es, grupos, t\u00e9cnicos e t\u00e9cnicas, que trabalham com idosos, pobres, toxicodependentes ou no apoio a m\u00e3es em dificuldades, e apontou um t\u00edtulo que revela \u00e0 partida qual deve ser a atitude da Igreja: \u201cUma solicitude permanente\u201d.<\/p>\n<p>Nas interven\u00e7\u00f5es de Isabel Monteiro e Ac\u00e1cio Catarino, sobre o tema que levou ao semin\u00e1rio de Aveiro meia centena de pessoas ligadas ao sector s\u00f3cio-caritativo, real\u00e7ou-se a ac\u00e7\u00e3o que \u00e9 poss\u00edvel desenvolver pelos crist\u00e3os, quer a t\u00edtulo individual, quer em comunidade.<\/p>\n<p>Cultura da solidariedade<\/p>\n<p>A presidente em exerc\u00edcio da C\u00e1ritas Portuguesa notou que a desigualdade aumenta em Portugal. Conforme revelou, dados de 2004 dizem que 21% dos portugueses (dois milh\u00f5es de portugueses; uma em cada cinco pessoas) t\u00eam rendimentos inferiores \u00e0 linha de pobreza. Mais: o fosso entre muito ricos e os pobres \u00e9 maior do que na generalidade dos pa\u00edses europeus. Neste panorama, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio criar um novo movimento social\u201d. Isabel Monteiro defendeu que \u00e9 urgente \u201cabandonar a cultura individualista\u201d e apresentar a solidariedade como \u201cnovo fundamento da vida social\u201d, \u201cnova forma de unificar a humanidade\u201d, e sugeriu \u201catitudes e comportamentos quotidianos que todos podem assumir\u201d para essa nova cultura. Vejamos alguns: aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas de diferentes nacionalidades; consumo mais esclarecido de informa\u00e7\u00e3o (abandono da espectacularidade; procura de informa\u00e7\u00e3o alternativa em revistas ou livros); compra de produtos do com\u00e9rcio justo e solid\u00e1rio; investimento em bancos \u00e9ticos (os que, por exemplo, n\u00e3o investem em ind\u00fastrias que exploram o Terceiro Mundo ou contribuem para a degrada\u00e7\u00e3o ambiental); exerc\u00edcio dos direitos de participa\u00e7\u00e3o que as sociedades democr\u00e1ticas permitem.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os pressionam pouco<\/p>\n<p>Ac\u00e1cio Catarino, por seu turno, subordinou a sua interven\u00e7\u00e3o \u00e0 pergunta: \u201cQue respostas \u00e9 que os leigos podem dar, face aos problemas da desigualdade?\u201d A resposta: \u201cconsci\u00eancia, ac\u00e7\u00e3o e dinamiza\u00e7\u00e3o\u201d. Em primeiro ligar, \u00e9 necess\u00e1rio que haja consci\u00eancia das desigualdades de facto e, ao mesmo tempo, da igual dignidade fundamental de todas as pessoas. Os crist\u00e3os, conforme notou o consultor social, t\u00eam um motivo acrescido para sublinhar a igual dignidade: a filia\u00e7\u00e3o divina de todas as pessoas. Os outros motivos s\u00e3o: a natureza humana, a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica (\u201capesar de tudo\u201d, na linha da progressiva igualdade), as doutrinas e pr\u00e1ticas de socializa\u00e7\u00e3o e a \u201cconsci\u00eancia da nossa relatividade\u201d.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 ac\u00e7\u00e3o, o antigo presidente da C\u00e1ritas Nacional sublinhou o \u00e2mbito familiar (\u201cespa\u00e7o por excel\u00eancia da dignidade\u201d), a distribui\u00e7\u00e3o mais justa dos rendimentos, defendendo a cria\u00e7\u00e3o de uma verdadeira opini\u00e3o p\u00fablica dentro Igreja que questione a (in)justeza das desigualdades, e as interven\u00e7\u00f5es em favor dos portadores de defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, Ac\u00e1cio Catarino notou que a \u201cdinamiza\u00e7\u00e3o permanente\u201d sobre a quest\u00e3o da desigualdade est\u00e1 \u201cprofundamente atrofiada\u201d. Defendendo uma press\u00e3o constante trav\u00e9s de propostas concretas, iniciativas e tomadas de posi\u00e7\u00e3o, lembrou que Jo\u00e3o Paulo II preconizou \u201cum grande movimento empenhado na defesa da pessoa humana\u201d, o chamado \u201cmovimento social crist\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Tr\u00eas grandes pecados sociais<\/p>\n<p>Sem querer assumir um tom inquisit\u00f3rio, Ac\u00e1cio Catarino notou \u201ctr\u00eas grandes pecados sociais cometidos actualmente\u201d por pessoas e institui\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211; recusa do conhecimento solid\u00e1rio. Falta um tratamento estat\u00edstico das fichas que as institui\u00e7\u00f5es de solidariedade t\u00eam sobre os seus utentes e benefici\u00e1rios. Uma relativamente simples an\u00e1lise de alguns itens dessas fichas (ou de outras a elaborar) pode potenciar a ac\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; falta de propostas concretas. \u201cOs cat\u00f3licos t\u00eam doutrina e ac\u00e7\u00e3o, mas deixam atrofiada a dinamiza\u00e7\u00e3o\u201d;<\/p>\n<p>&#8211; \u201cfalta de press\u00e3o permanente sobre os diferentes poderes p\u00fablicos ou privados, para que alguma coisa aconte\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 demasiados sinais de desigualdade <\/p>\n<p>e discrimina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Alves, di\u00e1cono, justificou ao Correio do Vouga a realiza\u00e7\u00e3o da sess\u00e3o \u201cPela dignidade, igual oportunidade\u201d com a necessidade de sensibilizar os agentes de pastoral \u2013 grupos C\u00e1ritas paroquiais e outros leigos comprometidos \u2013, de forma a \u201cserem fermento na realidade onde est\u00e3o inseridos\u201d. O tema da semana C\u00e1ritas integra-se ainda no \u201cAno Europeu para a Igualdade de Oportunidades\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da C\u00e1ritas diocesana, h\u00e1 demasiados sinais de desigualdade e discrimina\u00e7\u00e3o. No ensino, h\u00e1 \u201cdesigualdade de tratamentos consoante a condi\u00e7\u00e3o dos alunos\u201d e \u00e9 preocupante o abandono escolar. No emprego, \u201cas mulheres continuam a ser discriminadas, quando se sabe que est\u00e3o gr\u00e1vidas\u201d, afirma. Por outro lado, os imigrantes s\u00e3o relegados para certos trabalhos e \u201ca etnia continua a ser motivo para negar oportunidades\u201d. \u201cQuase toda a gente rejeita o emprego ao cigano. Ou melhor, rejeita o cigano para o emprego\u201d, adverte. A desigualdade de oportunidades verifica-se ainda no acesso ao cr\u00e9dito por parte de imigrantes e de pessoas portadoras de determinadas doen\u00e7as e no campo da sa\u00fade. S\u00e3o muitos os que se v\u00eaem privados de cuidados b\u00e1sicos. Por fim, h\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o preocupante dos idosos. Est\u00e3o \u201cs\u00f3s e abandonados\u201d.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Francisco encerrou <\/p>\n<p>Semana C\u00e1ritas e Semana Mission\u00e1ria<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Francisco encerrou em Anadia a Semana C\u00e1ritas. Na celebra\u00e7\u00e3o a que presidiu na Igreja de Arcos, o Bispo de Aveiro afirmou que escolheu esta cidade bairradina, porque \u201ctamb\u00e9m aqui se ouviram clamores do Povo e se sentiram as ang\u00fastias das terras e das popula\u00e7\u00f5es atingidas pelo flagelo dos inc\u00eandios [no Ver\u00e3o de 2005] e porque aqui chegou na hora oportuna, com generosidade e dilig\u00eancia, a resposta da C\u00e1ritas Diocesana\u201d.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Francisco convidou este organismo da diocese a \u201cser protagonista da profecia das bem-aventuran\u00e7as e das obras de miseric\u00f3rdia, como motor da ousadia da caridade\u201d, mas sublinhou que a dimens\u00e3o solid\u00e1ria faz falta a todos os crist\u00e3os. Por isso, pediu \u201ca toda a Diocese que viva em solicitude permanente ao servi\u00e7o dos pobres\u201d.<\/p>\n<p>Na celebra\u00e7\u00e3o, o Bispo de Aveiro referiu-se tamb\u00e9m \u00e0 Semana Mission\u00e1ria que decorreu no arciprestado. \u201cEles [mission\u00e1rios e mission\u00e1rias] percorreram as nossas par\u00f3quias e comunidades crist\u00e3s. Rezaram connosco e por n\u00f3s. Anunciaram a Boa Nova com o mesmo encanto com que o fazem em \u00c1frica, na \u00c1sia ou no Brasil, nas cidades ou no sert\u00e3o e nas favelas. (&#8230;) Esta semana deve ajudar-nos a ter uma alma mission\u00e1ria, para que a Igreja se renove, evangelize, cres\u00e7a e saiba ir ao encontro de quantos tamb\u00e9m aqui clamam por Deus e de tantos que vivem sem Deus\u201d, disse o Bispo de Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos prop\u00f4s a realiza\u00e7\u00e3o de um \u201cf\u00f3rum que congregue institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social\u201d da diocese, como forma de \u201cimplicar, sensibilizar e dinamizar\u201d a ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-caritativa dos crist\u00e3os. 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