{"id":9368,"date":"2007-03-15T14:58:00","date_gmt":"2007-03-15T14:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9368"},"modified":"2007-03-15T14:58:00","modified_gmt":"2007-03-15T14:58:00","slug":"doenca-da-escola-em-beco-sem-saida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/doenca-da-escola-em-beco-sem-saida\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7a da escola em beco sem sa\u00edda?"},"content":{"rendered":"<p>A semana que passou foi rica de informa\u00e7\u00e3o sobre a debilidade das escolas e dos projectos educativos. Mas foi tamb\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es, de dentro e de fora, a mostrar a possibilidade de caminhos diversos, esperan\u00e7osos, acess\u00edveis e urgentes.<\/p>\n<p>As crises s\u00e3o j\u00e1 t\u00e3o normais e generalizadas, que se vai pensando que governar \u00e9, acima de tudo, gerir as crises. Na educa\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade, na justi\u00e7a, na seguran\u00e7a social, nas finan\u00e7as, parece assim acontecer. Se \u00e9 isso governar, ent\u00e3o cada vez teremos mais comprometido o futuro. Este n\u00e3o se constr\u00f3i sem que, no presente, se fa\u00e7a um bom diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o e suas causas e se procurem medidas acertadas que levem a olhar para al\u00e9m da crise. <\/p>\n<p>Tanto no diagn\u00f3stico como na procura de solu\u00e7\u00f5es h\u00e1 ajudas que n\u00e3o se podem desperdi\u00e7ar e t\u00eam de ser olhadas sem preconceitos, segundo o seu valor objectivo e o empenhamento daqueles que as prop\u00f5em. Neste campo, os que podem influenciar positivamente devem ser competentes, honestos e abertos. A comunica\u00e7\u00e3o social tem aqui um papel importante. A opini\u00e3o p\u00fablica, bem informada e formada, ajuda a criar ambiente favor\u00e1vel \u00e0s medidas v\u00e1lidas, mesmo quando n\u00e3o agradam a alguns. <\/p>\n<p>Esteve em Lisboa, na Gulbenkian, numa iniciativa da Embaixada dos EUA e das Funda\u00e7\u00f5es Calouste Gulbenkian e Luso-Americana, o senhor Jeb Bush, a quem chamam \u201co governador da educa\u00e7\u00e3o\u201d. Veio falar dos caminhos do sucesso educativo na Florida, ante o abandono escolar e o mau aproveitamento dos alunos das escolas p\u00fablicas, marcadas por \u201cfracassos cr\u00f3nicos\u201d. Deu indica\u00e7\u00e3o de que o seu projecto assentou numa cultura de \u201cexig\u00eancia de excel\u00eancia\u201d; na permiss\u00e3o de os pais, com base no cheque-ensino, escolherem a escola, p\u00fablica ou privada, para os seus filhos, estimulando todas, por via de um confronto sadio, a melhorarem a sua ac\u00e7\u00e3o; no apoio e est\u00edmulos privilegiados \u00e0s diversas escolas, tendo em conta os seus resultados; na aprecia\u00e7\u00e3o do valor dos professores, de harmonia com a sua presta\u00e7\u00e3o; na mudan\u00e7a da direc\u00e7\u00e3o da escola, quando objectivamente se verifica que ela n\u00e3o consegue criar condi\u00e7\u00f5es de \u00eaxito educativo.<\/p>\n<p>Houve contesta\u00e7\u00e3o de alguns sectores e, como \u00e9 \u00f3bvio, dos sindicatos. A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que, perante os resultados obtidos, que logo chamaram a aten\u00e7\u00e3o, outros estados se inspiraram no projecto da Florida. Este estado, como era do conhecimento geral, estava nos piores lugares do pa\u00eds, a n\u00edvel de resultados escolares. Em poucos anos viu-se a mudan\u00e7a e os seus alunos subiram ao n\u00edvel dos melhores.<\/p>\n<p>Como foi sublinhado por diversos cr\u00edticos presentes, criteriosos e com reconhecida compet\u00eancia, o modelo pode constituir inspira\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para o nosso governo e ajudar o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, que todos os dias nos surpreende com novas medidas avulsas, a ir ao encontro de uma crise cada vez mais grave, que se manifesta no insucesso escolar, no abandono da escolaridade com \u00edndices preocupantes, na viol\u00eancia nas escolas, na indisciplina crescente, na desmotiva\u00e7\u00e3o de muitos professores, no baixo n\u00edvel cultural de quem termina os diversos ciclos e, por vezes, at\u00e9 o ensino superior.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na passada semana tivemos not\u00edcia do relat\u00f3rio do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o e das medidas propostas pelo mesmo, ap\u00f3s uma alargada participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os. <\/p>\n<p>N\u00e3o falta gente a dar contributos v\u00e1lidos e a procurar que os problemas da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sejam cativos do poder e das lutas dos sindicatos. Muitos outros t\u00eam lugar e compet\u00eancia. Todos t\u00eam de ser ouvidos, porque o problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos professores e dos seus direitos. Com paix\u00e3o ou sem ela, h\u00e1 que gritar a indigna\u00e7\u00e3o do que se passa e, com esperan\u00e7a, dar as m\u00e3os para sair deste c\u00edrculo asfixiante e vicioso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A semana que passou foi rica de informa\u00e7\u00e3o sobre a debilidade das escolas e dos projectos educativos. Mas foi tamb\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es, de dentro e de fora, a mostrar a possibilidade de caminhos diversos, esperan\u00e7osos, acess\u00edveis e urgentes. 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