{"id":9390,"date":"2007-03-22T10:01:00","date_gmt":"2007-03-22T10:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9390"},"modified":"2007-03-22T10:01:00","modified_gmt":"2007-03-22T10:01:00","slug":"da-paroquia-fontanario-a-paroquia-rede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/da-paroquia-fontanario-a-paroquia-rede\/","title":{"rendered":"Da par\u00f3quia-fontan\u00e1rio \u00e0 par\u00f3quia-rede"},"content":{"rendered":"<p>A par\u00f3quia era como o fontan\u00e1rio da aldeia. Todos l\u00e1 iam para se abastecerem. Os tempos mudaram e a \u00e1gua vai ter com quem dela precisa. Tamb\u00e9m a par\u00f3quia se transforma para continuar a ser presen\u00e7a amiga e sol\u00edcita.<\/p>\n<p>Par\u00f3quia como fontan\u00e1rio<\/p>\n<p>O magist\u00e9rio da Igreja recorre a v\u00e1rias express\u00f5es \u201cpl\u00e1sticas\u201d para traduzir de forma pedag\u00f3gica a compreens\u00e3o da par\u00f3quia nos v\u00e1rios contextos s\u00f3cio-culturais. A partir de Jo\u00e3o XXIII, surge a refer\u00eancia ao fontan\u00e1rio da aldeia, aonde todos acorrem para saciar a sua sede e levar para casa, a seu gosto, o c\u00e2ntaro da reserva. Depois, Jo\u00e3o Paulo II apresenta-a como a \u00faltima localiza\u00e7\u00e3o da Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas. Bento XVI d\u00e1 prefer\u00eancia \u00e0 imagem de fam\u00edlia de fam\u00edlias. <\/p>\n<p>Todas estas express\u00f5es funcionam como recursos pedag\u00f3gicos, que se complementam uns aos outros, deixando transparecer luzes e sombras na realidade da par\u00f3quia envolvida num processo de profunda muta\u00e7\u00e3o cultural. Todas manifestam um ponto de converg\u00eancia: a fam\u00edlia, embora esta se v\u00e1 configurando de m\u00faltiplas formas. Todas incidem na proximidade \u00e0s pessoas e na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas v\u00e1rias necessidades, a fim de lhes propor o que de melhor a Igreja comporta: a solidariedade universal que se enra\u00edza na comum natureza humana e na f\u00e9 expl\u00edcita em Jesus Cristo, o Senhor.<\/p>\n<p>Fontan\u00e1rio em tempo de rede?<\/p>\n<p>No entanto, quem vai hoje ao fontan\u00e1rio buscar a \u00e1gua de que precisa?! A rede de abastecimento domicili\u00e1rio generalizou-se e abastece cada um na sua pr\u00f3pria casa ou em outros locais de encontro, de lazer ou de trabalho. Apesar da escassez que nos amea\u00e7a, a \u00e1gua \u00e9 um bem dispon\u00edvel, pronto a ser usado conforme as necessidades individuais, sem outra regra que n\u00e3o seja a da poupan\u00e7a e de pagar no fim do m\u00eas a conta respectiva. <\/p>\n<p>Quem percebe hoje a par\u00f3quia como a localiza\u00e7\u00e3o da Igreja entre o povoado ou a casa dos seus filhos e das suas filhas? Ser\u00e3o muitos, se esta localiza\u00e7\u00e3o se referir ao templo de pedras, aos monumentos de cariz religioso, \u00e0s obras sociais de benefic\u00eancia. S\u00e3o seguramente bastante menos, se a express\u00e3o pretender destacar o estilo de vida dos crist\u00e3os dispersos na sociedade, o seu empenhamento na constru\u00e7\u00e3o da cidadania, a sua interven\u00e7\u00e3o nas causas sociais e culturais, onde se \u201cdefine\u201d o rumo dos acontecimentos. <\/p>\n<p>Reconfigura\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>da identidade da fam\u00edlia<\/p>\n<p>Quem se sente \u201cc\u00f3modo\u201d ao verificar que a par\u00f3quia \u00e9 fam\u00edlia de fam\u00edlias, quando estas tendem a multiplicar as suas formas de constitui\u00e7\u00e3o e agrega\u00e7\u00e3o reconhecidas legalmente? Ou, ent\u00e3o, quando n\u00e3o se distingue o alcance predominantemente espiritual da fam\u00edlia paroquial e o sentido fundamental da fam\u00edlia de sangue? E mesmo nesta, quando n\u00e3o se d\u00e1 conta do \u00f3bvio que \u00e9 a pluralidade de atitudes religiosas dos seus membros, a diversidade de ritmos e de exig\u00eancias espirituais das suas pr\u00e1ticas?<\/p>\n<p>Este inc\u00f3modo comporta uma enorme oportunidade de an\u00e1lise do que est\u00e1 a acontecer nestas duas comunidades t\u00e3o caras \u00e0 Igreja e t\u00e3o relacionadas entre si: a par\u00f3quia e a fam\u00edlia, comunidades que se condicionam e moldam reciprocamente.<\/p>\n<p>A mensagem crist\u00e3 pretende, desde sempre, dar um sentido novo \u00e0 fam\u00edlia de sangue, alicer\u00e7ando-a na natureza humana e abrindo-lhe os horizontes contidos na sua voca\u00e7\u00e3o original: ser imagem de Deus uno e trino, ser fonte de amor e de comunh\u00e3o, fazer desabrochar e potenciar o masculino e o feminino, configurados em casal monog\u00e2mico e fiel, capacitados para crescer em fecundidade e transmitir responsavelmente a vida. <\/p>\n<p>Jesus de Nazar\u00e9 reprop\u00f5e o sonho de Deus sobre a fam\u00edlia natural, denuncia os desvios ocorridos na cultura judaica e, nela, em todas as outras culturas e tradi\u00e7\u00f5es, e anuncia a boa nova de Deus-Pai sempre pronto a ajudar os seus filhos nesta maravilhosa miss\u00e3o de serem testemunhas e construtores do amor fecundo e generoso.<\/p>\n<p>Mas a fam\u00edlia sofre, ao longo da hist\u00f3ria, o impacto de culturas dominantes, o efeito de leis decretadas pelo poder constitu\u00eddo, as vicissitudes dos seus elementos. E surgem muitas configura\u00e7\u00f5es do agregado familiar que, presentemente, tendem a aumentar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da fam\u00edlia atr\u00e1s descrita, aparecem fam\u00edlias monoparentais, devido a separa\u00e7\u00f5es; fam\u00edlias refeitas a partir de novos casais; fam\u00edlias em que os filhos j\u00e1 n\u00e3o convivem com os pais ou estes com aqueles, a n\u00e3o ser esporadicamente. H\u00e1 quem viva o amor conjugal com o suporte legal do direito civil e h\u00e1 quem prefira uma simples \u201cuni\u00e3o de facto\u201d ou meros encontros epis\u00f3dicos. <\/p>\n<p>Come\u00e7am a surgir pares do mesmo sexo a reclamar o reconhecimento legal da sua situa\u00e7\u00e3o, a exigir o direito de adop\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, a pretender o nivelamento com o casamento monog\u00e2mico e heterossexual. Aparecem tamb\u00e9m mulheres solteiras que procuram satisfazer o desejo da maternidade recorrendo \u00e0 insemina\u00e7\u00e3o artificial, sem querer saber a identidade do dador ou do progenitor. A figura insubstitu\u00edvel do PAI fica reduzida ao anonimato ou \u00e0 letra A, pura e simplesmente. <\/p>\n<p>Presen\u00e7a amiga e sol\u00edcita da Igreja<\/p>\n<p>Esta diversidade pode ampliar-se facilmente, sobretudo atendendo a motiva\u00e7\u00f5es religiosas, \u00e9tnicas e culturais. Em todas \u00e9 poss\u00edvel encontrar quem viva feliz, quem se sinta desconfort\u00e1vel e pretenda mudar para melhor, quem comece a interrogar-se sobre o sentido do amor e da fecundidade, quem descubra e assuma a dimens\u00e3o social e crist\u00e3 da conjugalidade. <\/p>\n<p>A par\u00f3quia, enquanto povo de Deus em miss\u00e3o, est\u00e1 pr\u00f3xima de todos os que vivem estas situa\u00e7\u00f5es e sente-se chamada a ser a presen\u00e7a amiga e sol\u00edcita da Igreja. Os casais crist\u00e3os que experienciam a felicidade que lhes adv\u00e9m da viv\u00eancia do seu amor recebem o \u201cmandato\u201d para realizarem a nobre miss\u00e3o de testemunhar o valor do que vivem, de se fazerem companheiros dos que se encontram em situa\u00e7\u00f5es diferentes, de estabelecerem uma rela\u00e7\u00e3o de m\u00fatua ajuda, que v\u00e1 abrindo horizontes \u00e0 grandeza do amor conjugal. <\/p>\n<p>Sem esta proximidade sol\u00edcita, a par\u00f3quia n\u00e3o realiza a sua miss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que fazem op\u00e7\u00f5es plurais de viver o amor conjugal e, menos ainda, de constituir fam\u00edlias a seu bel-prazer, tendo em conta o modelo fundamental da fam\u00edlia: ser comunidade de amor e de vida, est\u00e1vel-fecundo-feliz, alicer\u00e7ado no matrim\u00f3nio heterossexual e monog\u00e2mico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A par\u00f3quia era como o fontan\u00e1rio da aldeia. Todos l\u00e1 iam para se abastecerem. 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Par\u00f3quia como fontan\u00e1rio O magist\u00e9rio da Igreja recorre a v\u00e1rias express\u00f5es \u201cpl\u00e1sticas\u201d para traduzir de forma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-9390","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9390\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}