{"id":9397,"date":"2007-03-22T10:12:00","date_gmt":"2007-03-22T10:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9397"},"modified":"2007-03-22T10:12:00","modified_gmt":"2007-03-22T10:12:00","slug":"voluntariado-prisional-um-fabuloso-exercito-nas-cadeias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/voluntariado-prisional-um-fabuloso-exercito-nas-cadeias\/","title":{"rendered":"Voluntariado prisional: um fabuloso ex\u00e9rcito nas cadeias"},"content":{"rendered":"<p>\u201cQuem dera que o recluso pudesse dizer de cada um de n\u00f3s: estive preso&#8230; cheguei humilhado e com medo \u00e0 pris\u00e3o, e me acolheste com amabilidade, com carinho, sem perguntar-me nada a respeito do delito que havia cometido&#8230;\u201d, escreve o Coordenador Nacional da Pastoral Prisional.<\/p>\n<p>Este pode ser um t\u00f3pico, ou uma pequena amostragem do que se passou na mais universal serra de Aire, no encontro de capel\u00e3es e visitadores dos estabelecimentos prisionais de todo o Pa\u00eds, que decorreu durante dois dias em F\u00e1tima. A jornada foi promovida pelo coordenador nacional de Pastoral das Pris\u00f5es, Pe Jo\u00e3o Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Iniciou o encontro D. Jos\u00e9 Alves, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social, sob a Presid\u00eancia de D. Jorge Ortiga, Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. Estiveram Presentes tamb\u00e9m D. Ant\u00f3nio Montes e D. Tom\u00e1s Nunes, que integram a citada Comiss\u00e3o Episcopal.<\/p>\n<p>D. Jos\u00e9 Alves apontou algumas metas de ac\u00e7\u00e3o, salientando que este encontro pode significar mesmo uma viragem hist\u00f3rica neste complexo sector das sociedades hodiernas: \u201cQue bom seria que cada recluso que sa\u00edsse das cadeias fosse tamb\u00e9m algu\u00e9m que ajudasse a reintegrar os seus ex-companheiros e n\u00e3o fosse um reincidente.\u201d O prelado defendeu uma atitude de partilha, criticando a tese de que as cadeias se tornam uma escola de crime e apelando a que continue a haver uma boa colabora\u00e7\u00e3o entre as estruturas governamentais e as eclesiais que d\u00e3o esse apoio, dentro de um quadro legal da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e da Concordata, na garantia dos direitos de cada cidad\u00e3o. \u201cPropomo-nos colaborar com o Governo, esperando que, da parte deste, e estamos confiantes, vai haver esta colabora\u00e7\u00e3o, criando condi\u00e7\u00f5es para que a Igreja exer\u00e7a cabalmente o seu minist\u00e9rio e d\u00ea a ajuda que nos \u00e9 pr\u00f3pria neste sector\u201d disse D. Jos\u00e9 Alves.<\/p>\n<p>O director-geral dos servi\u00e7os prisionais, Rui S\u00e1 Gomes, historiou o mundo das pris\u00f5es, as de ontem e de hoje, e perspectivou-as num futuro de maior consciencializa\u00e7\u00e3o humana do recluso e fam\u00edlia que sofrem.<\/p>\n<p>Aquele respons\u00e1vel referiu que, \u201cem tempos de mudan\u00e7a, o que se pretende com o tempo de reclus\u00e3o (\u2026) h\u00e1-de ser sempre a ressocializa\u00e7\u00e3o dos detidos. Repress\u00e3o sem res-socializa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o presta absolutamente para nada; se a resssocializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel em liberdade, muito menos o ser\u00e1 em meio prisional\u201d. Da\u00ed que a sociedade toda n\u00e3o pode estar por fora desta realidade, desde a fam\u00edlia, a escola, os servi\u00e7os de sa\u00fade, as igrejas; ali\u00e1s, a assist\u00eancia religiosa est\u00e1 garantida pela lei Portuguesa, bem como a presen\u00e7a de volunt\u00e1rios, que foi reconhecida como um ex\u00e9rcito enorme de presen\u00e7a desejada e acolhida como indispens\u00e1vel mesmo, e altamente apreciada quer pelo Sistema quer pelos Reclusos; foram at\u00e9 incentivados e estimulados a alargar o seu campo de actua\u00e7\u00e3o, pelos apoios que d\u00e3o, o afecto que repartem, a for\u00e7a que transmitem, o amor, o carinho, a amizade, a esperan\u00e7a e a capacidade de ouvir que manifestam\u201d.<\/p>\n<p>Rui S\u00e1 Gomes anunciou que estavam na forja uma s\u00e9rie de medidas governamentais a sair a curto e m\u00e9dio prazo, nomeadamente no universo do cancro das drogas mesmo dentro das cadeias.<\/p>\n<p>Outras contribui\u00e7\u00f5es importantes foram as dos padres Jos\u00e9 Maria Carol F\u00e9lez, capel\u00e3o da Cadeia de Jovens de Barcelona, que dissecou o tema \u201c Presen\u00e7a da Igreja nas Pris\u00f5es: Fundamentos Teol\u00f3gicos\u201d, e Andr\u00e9s Cruz Barrientos, capel\u00e3o da Cadeia de Badajoz e delegado da Pastoral Penitenci\u00e1ria na Diocese de M\u00e9rida-Badajoz, que falou da organiza\u00e7\u00e3o de uma pastoral diocesana, apresentando o seu pr\u00f3prio testemunho. <\/p>\n<p>O Coordenador Nacional, Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, apontou, a encerrar o Encontro, como desejo e necessidade de envolver a sociedade, a urg\u00eancia da realiza\u00e7\u00e3o de um F\u00f3rum, de n\u00edvel nacional, com forte participa\u00e7\u00e3o de gente de todos os quadrantes. Com a iniciativa, pretende-se gerar \u201cdebate e informa\u00e7\u00e3o sobre estas quest\u00f5es que a todos dizem respeito e tantas preocupa\u00e7\u00f5es est\u00e3o, permanentemente, a gerar entre n\u00f3s, membros de uma sociedade que se quer adulta, amadurecida, respons\u00e1vel; a boa vontade ou as leis, ainda que boas, n\u00e3o chegam para provocar a urgente mudan\u00e7a que sonhamos e queremos\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuem dera que o recluso pudesse dizer de cada um de n\u00f3s: estive preso&#8230; cheguei humilhado e com medo \u00e0 pris\u00e3o, e me acolheste com amabilidade, com carinho, sem perguntar-me nada a respeito do delito que havia cometido&#8230;\u201d, escreve o Coordenador Nacional da Pastoral Prisional. 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