{"id":9454,"date":"2007-03-28T17:32:00","date_gmt":"2007-03-28T17:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9454"},"modified":"2007-03-28T17:32:00","modified_gmt":"2007-03-28T17:32:00","slug":"que-vos-ameis-uns-aos-outros-assim-como-eu-vos-amei-jo-1334","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/que-vos-ameis-uns-aos-outros-assim-como-eu-vos-amei-jo-1334\/","title":{"rendered":"&#8220;Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei (Jo 13,34)"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem do Papa Bento XVI para o 22\u00ba Dia Mundial da Juventude (1 de Abril de 2007)<\/p>\n<p>Queridos jovens! <\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o do XXII Dia Mundial da Juventude, que ser\u00e1 celebrada nas Dioceses no pr\u00f3ximo Domingo de Ramos, gostaria de propor \u00e0 vossa medita\u00e7\u00e3o as palavras de Jesus: \u201cque vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei\u201d (Jo 13, 34). <\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel amar? <\/p>\n<p>Cada pessoa sente o desejo de amar e ser amada. Mas como \u00e9 dif\u00edcil amar, quantos erros e fal\u00eancias devem verificar-se no amor! H\u00e1 at\u00e9 quem chegue a duvidar que o amor seja pos-s\u00edvel. Mas, se car\u00eancias afectivas ou desilus\u00f5es sentimentais podem levar a pensar que amar \u00e9 uma utopia, um sonho irrealiz\u00e1vel, talvez seja necess\u00e1rio resignar-se? N\u00e3o! O amor \u00e9 poss\u00edvel e a finalidade desta mensagem \u00e9 contribuir para reavivar em cada um de v\u00f3s, que sois o futuro e a esperan\u00e7a da humanidade, a confian\u00e7a no amor verdadeiro, fiel e forte; um amor que gera paz e alegria; um amor que une as pessoas, fazendo-as sentir-se livres no respeito rec\u00edproco. Deixai ent\u00e3o que eu percorra, juntamente convosco, um itiner\u00e1rio, em tr\u00eas momentos, na \u201cdescoberta\u201d do amor. <\/p>\n<p>Deus, fonte do amor <\/p>\n<p>O primeiro momento refere-se \u00e0 fonte do amor verdadeiro, que \u00e9 \u00fanica: \u00e9 Deus. S\u00e3o Jo\u00e3o ressalta bem este aspecto, ao afirmar que \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (1 Jo 4, 8.16); agora ele n\u00e3o quer dizer apenas que Deus nos ama, mas que o pr\u00f3prio ser de Deus \u00e9 amor. Estamos aqui diante da revela\u00e7\u00e3o mais luminosa da fonte do amor, que \u00e9 o mist\u00e9rio trinit\u00e1rio: em Deus, uno e trino, h\u00e1 um interc\u00e2mbio eterno de amor entre as pessoas do Pai e do Filho, e este amor n\u00e3o \u00e9 uma energia ou um sentimento, mas uma pessoa, \u00e9 o Esp\u00edrito Santo. <\/p>\n<p>A Cruz de Cristo revela plenamente o amor de Deus <\/p>\n<p>Como se nos manifesta o Deus-Amor? Estamos no segundo momento do nosso itiner\u00e1rio. Mesmo se j\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o claros os sinais do amor divino, a revela\u00e7\u00e3o total do mist\u00e9rio \u00edntimo de Deus verificou-se com a Encarna\u00e7\u00e3o, quando o pr\u00f3prio Deus se fez homem. Em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, conhecemos o amor em todo o seu alcance. De facto, \u201ca verdadeira novidade do Novo Testamento, escrevi na Enc\u00edclica Deus caritas est, n\u00e3o consiste em ideias novas, mas na pr\u00f3pria figura de Cristo, que d\u00e1 carne e sangue aos conceitos, um realismo extraordin\u00e1rio\u201d (n. 12). A manifesta\u00e7\u00e3o do amor divino \u00e9 total e perfeita na Cruz, onde, como afirma S\u00e3o Paulo, \u201c\u00e9 assim que Deus demonstra o seu amor para connosco: quando ainda \u00e9ramos pecadores \u00e9 que Cristo morreu por n\u00f3s\u201d (Rm 5, 8). Portanto, cada um de n\u00f3s pode dizer sem receio de errar: \u201cCristo amou-me e entregou-se a Si mesmo por mim\u201d (cf. Ef 5, 2). Redimida pelo seu sangue, vida humana alguma \u00e9 in\u00fatil ou de pouco valor, porque todos somos amados pessoalmente por Ele com um amor apaixonado e fiel, um amor sem limites. A Cruz, loucura para o mundo, esc\u00e2ndalo para muitos crentes, \u00e9, ao contr\u00e1rio, \u201csabedoria de Deus\u201d para todos os que se deixam tocar profundamente no seu ser, \u201co que \u00e9 considerado loucura de Deus \u00e9 mais s\u00e1bio que os homens, e o que \u00e9 debilidade de Deus \u00e9 mais forte que os homens\u201d (cf. 1 Cor 1, 24-25). Ali\u00e1s, o Crucificado, que depois da ressurrei\u00e7\u00e3o traz para sempre os sinais da pr\u00f3pria paix\u00e3o, ressalta as \u201cfalsifica\u00e7\u00f5es\u201d e as mentiras sobre Deus, que se disfar\u00e7am com a viol\u00eancia, a vingan\u00e7a e a exclus\u00e3o. Cristo \u00e9 o Cordeiro de Deus, que assume os pecados do mundo e desenraiza o \u00f3dio do cora\u00e7\u00e3o do homem. Eis a sua verdadeira \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d: o amor. <\/p>\n<p>Amar o pr\u00f3ximo como Cristo nos ama <\/p>\n<p>Chegamos agora ao terceiro momento da nossa reflex\u00e3o. Na cruz, Cristo grita: \u201cTenho sede\u201d (Jo 19, 28): revela assim uma sede ardente de amar e de ser amado por todos n\u00f3s. Unicamente se conseguirmos compreender a profundeza e a intensidade deste mist\u00e9rio, nos apercebemos da necessidade e da urg\u00eancia de o amar, por nossa vez, \u201ccomo\u201d Ele nos amou. Isto exige o compromisso de dar tamb\u00e9m, se for necess\u00e1rio, a pr\u00f3pria vida pelos irm\u00e3os amparados pelo Seu amor. J\u00e1 no Antigo Testamento Deus dissera: \u201cAmar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d (Lv 19, 18), mas a novidade de Cristo consiste no facto de que amar como Ele nos amou significa amar todos, sem distin\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m os inimigos, \u201cat\u00e9 ao fim\u201d (cf. Jo 13, 1). <\/p>\n<p>Testemunhas do amor de Cristo <\/p>\n<p>Gostaria agora de me deter sobre tr\u00eas \u00e2mbitos da vida quotidiana onde v\u00f3s, queridos jovens, sois particularmente chamados a manifestar o amor de Deus. O primeiro \u00e9 a Igreja que \u00e9 a nossa fam\u00edlia espiritual, composta por todos os disc\u00edpulos de Cristo. Recordando-nos das suas palavras: \u201cPor isso \u00e9 que todos conhecer\u00e3o que sois meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros\u201d (Jo 13, 35), alimentai, com o vosso entusiasmo e com a vossa caridade, as actividades das par\u00f3quias, das comunidades, dos movimentos eclesiais e dos grupos juvenis aos quais pertenceis. Sede sol\u00edcitos em procurar o bem do pr\u00f3ximo, fi\u00e9is aos compromissos assumidos. N\u00e3o hesiteis em renunciar com alegria a alguns dos vossos divertimentos, aceitai de bom grado os sacrif\u00edcios necess\u00e1rios, testemunhai o vosso amor fiel a Jesus anunciando o seu Evangelho especialmente entre os vossos coet\u00e2neos. <\/p>\n<p>Preparar-se para o futuro <\/p>\n<p>O segundo \u00e2mbito, no qual sois chamados a expressar o amor e a crescer nele, \u00e9 a vossa prepara\u00e7\u00e3o para o futuro que vos espera. Se sois noivos, Deus tem um projecto de amor para o vosso futuro de casal e de fam\u00edlia e, por conseguinte, \u00e9 essencial que o descubrais com a ajuda da Igreja, livres do preconceito difundido de que o cristianismo, com os seus mandamentos e as suas proibi\u00e7\u00f5es, constitua obst\u00e1culo \u00e0 alegria do amor e impe\u00e7a em particular de viver plenamente aquela felicidade que o homem e a mulher procuram no seu amor rec\u00edproco. O amor do homem e da mulher est\u00e1 na origem da fam\u00edlia humana e o casal formado por um homem e por uma mulher tem o seu fundamento no des\u00edgnio origin\u00e1rio de Deus (cf. Gn 2, 18-25). Aprender a amar-se como casal \u00e9 um caminho maravilhoso, que contudo exige um tiroc\u00ednio empenhativo. O per\u00edodo do noivado, fundamental para construir o casal, \u00e9 um tempo de expectativa e de prepara\u00e7\u00e3o, que deve ser vivido na castidade dos gestos e das palavras. Isto permite amadurecer no amor, na solicitude e nas aten\u00e7\u00f5es ao outro; ajuda a exercer o dom\u00ednio de si, a desenvolver o respeito do outro, caracter\u00edsticas do verdadeiro amor, que n\u00e3o procura em primeiro lugar a pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o nem o seu bem-estar. Na ora\u00e7\u00e3o comum, pedi ao Senhor que guarde e incremente o vosso amor e o purifique de qualquer ego\u00edsmo. N\u00e3o hesiteis em responder generosamente \u00e0 chamada do Senhor, porque o matrim\u00f3nio crist\u00e3o \u00e9 uma verdadeira e pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o na Igreja. De igual modo, queridos jovens e queridas jovens, estai preparados para dizer \u201csim\u201d, se Deus vos chamar a segui-lo pelo caminho do sacerd\u00f3cio ministerial ou da vida consagrada. O vosso exemplo servir\u00e1 de encorajamento para muitos outros vossos coet\u00e2neos, que est\u00e3o em busca da verdadeira felicidade. <\/p>\n<p>Crescer no amor todos os dias <\/p>\n<p>O terceiro \u00e2mbito do compromisso que o amor exige \u00e9 o da vida quotidiana com as suas numerosas rela\u00e7\u00f5es. Refiro-me sobretudo \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 escola, ao trabalho e ao tempo livre. Queridos jovens, cultivai os vossos talentos, n\u00e3o s\u00f3 para conquistar uma posi\u00e7\u00e3o social, mas tamb\u00e9m para ajudar os outros \u201ca crescer\u201d. Desenvolvei as vossas capacidades, n\u00e3o s\u00f3 para vos tornardes mais \u201ccompetitivos\u201d e \u201cprodutivos\u201d, mas para serdes \u201ctestemunhas da caridade\u201d. Juntai \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional o esfor\u00e7o de adquirir conhecimentos religiosos \u00fateis para poder desempenhar a vossa miss\u00e3o de modo respons\u00e1vel. Sobretudo, convido-vos a aprofundar a doutrina social da Igreja, para que a vossa ac\u00e7\u00e3o no mundo seja inspirada e iluminada pelos seus princ\u00edpios. O Esp\u00edrito Santo fa\u00e7a com que sejais inovadores na caridade, perseverantes nos compromissos que assumis, e audaciosos nas vossas iniciativas, a fim de que possais oferecer o vosso contributo para a edifica\u00e7\u00e3o da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d. O horizonte do amor \u00e9 verdadeiramente infinito: \u00e9 o mundo inteiro! <\/p>\n<p>\u201cOusar o amor\u201d <\/p>\n<p>seguindo o exemplo dos santos <\/p>\n<p>Queridos jovens, gostaria de vos convidar a \u201cousar o amor\u201d, isto \u00e9, a n\u00e3o desejar nada para a vossa vida que seja inferior a um amor forte e belo, capaz de tornar toda a exist\u00eancia uma jubilosa realiza\u00e7\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o de v\u00f3s pr\u00f3prios a Deus e aos irm\u00e3os, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o d\u2019Aquele que, mediante o amor, venceu para sempre o \u00f3dio e a morte (cf. Ap 5, 13). O amor \u00e9 a \u00fanica for\u00e7a capaz de mudar o cora\u00e7\u00e3o do homem e a humanidade inteira, tornando proveitosas as rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, entre ricos e pobres, entre culturas e civiliza\u00e7\u00f5es. Disto d\u00e1 testemunho a vida dos Santos que, verdadeiros amigos de Deus, s\u00e3o o canal e o reflexo deste amor origin\u00e1rio. Comprometei-vos a conhec\u00ea-los melhor, entregai-vos \u00e0 sua intercess\u00e3o, procurai viver como eles. Limito-me a citar Madre Teresa que, para se apressar a responder ao grito de Cristo \u201cTenho sede\u201d, grito que a comoveu profundamente, come\u00e7ou a recolher os moribundos nas estradas de Calcut\u00e1, na \u00cdndia. A partir de ent\u00e3o, o \u00fanico desejo da sua vida tornou-se o de extinguir a sede de amor de Jesus, n\u00e3o com palavras, mas com gestos concretos, reconhecendo o seu rosto desfigurado, sequioso de amor, no rosto dos mais pobres. A Beata Teresa p\u00f4s em pr\u00e1tica o ensinamento do Senhor: \u201cSempre que fizerdes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes\u201d (cf. Mt 25, 40). E a mensagem desta humilde testemunha do amor divino difundiu-se em todo o mundo. <\/p>\n<p>O segredo do amor <\/p>\n<p>Queridos amigos, a cada um de n\u00f3s \u00e9 concedido alcan\u00e7ar este grau de amor, mas unicamente se recorrermos ao indispens\u00e1vel apoio da Gra\u00e7a divina. S\u00f3 a ajuda do Senhor nos permite, de facto, evitar a resigna\u00e7\u00e3o diante da grandiosidade da tarefa a ser desenvolvida e infunde-nos a coragem de realizar quanto \u00e9 humanamente impens\u00e1vel. Sobretudo a Eucaristia \u00e9 a grande escola do amor. Quando se participa regularmente e com devo\u00e7\u00e3o na Santa Missa, quando se transcorrem na companhia de Jesus Eucar\u00edstico pausas prolongadas de adora\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais f\u00e1cil compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do seu amor que ultrapassa todo o conhecimento (cf. Ef 3, 17-18). Partilhando o P\u00e3o eucar\u00edstico com os irm\u00e3os da comunidade eclesial, sentimo-nos depois estimulados a traduzir \u201cdepressa\u201d, como fez a Virgem com Isabel, o amor de Cristo em generoso servi\u00e7o aos irm\u00e3os. <\/p>\n<p>Rumo ao encontro de Sidney <\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito \u00e9 iluminadora a exorta\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o: \u201cMeus filhinhos, n\u00e3o amemos nem com palavras nem com a boca, mas com as obras e com a verdade. Por isto conheceremos que somos da verdade\u201d (1 Jo 3, 18-19). Queridos jovens, \u00e9 com este esp\u00edrito que vos convido a viver a pr\u00f3xima Jornada Mundial da Juventude, juntamente com os vossos Bispos nas vossas respectivas Dioceses. Ela representar\u00e1 uma etapa importante rumo ao encontro de Sidney, cujo tema ser\u00e1: \u201cIdes receber uma for\u00e7a, a do Esp\u00edrito Santo, que descer\u00e1 sobre v\u00f3s, e sereis minhas testemunhas\u201d (Act 1, 8). Maria, M\u00e3e de Cristo e da Igreja, ajudar-vos-\u00e1 a fazer ressoar em toda a parte o grito que mudou o mundo: \u201cDeus \u00e9 amor!\u201d. Acompanho-vos com a ora\u00e7\u00e3o e aben\u00e7oo-vos de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Papa Bento XVI para o 22\u00ba Dia Mundial da Juventude (1 de Abril de 2007) Queridos jovens! 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