{"id":9464,"date":"2007-03-28T17:50:00","date_gmt":"2007-03-28T17:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9464"},"modified":"2007-03-28T17:50:00","modified_gmt":"2007-03-28T17:50:00","slug":"20-anos-de-fe-e-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/20-anos-de-fe-e-cultura\/","title":{"rendered":"20 anos de F\u00e9 e Cultura"},"content":{"rendered":"<p>ALEXANDRE CRUZ<\/p>\n<p>1. Parece que foi ontem, mas j\u00e1 s\u00e3o duas intensas d\u00e9cadas de vida e esperan\u00e7a que o Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura transporta na sua breve mas significativa hist\u00f3ria. O CUFC, no seu des\u00edgnio de uma Cultura (humilde e por isso mais nobre) que se deixe iluminar pela F\u00e9, est\u00e1 onde est\u00e3o os que, ao longo destes vinte anos, foram e v\u00e3o passando, estando, debatendo e formando, crescendo em grupos e movimentos e celebrando a f\u00e9 crist\u00e3 no mundo plural.<\/p>\n<p>Nesta ordem de ideias, o esp\u00edrito do CUFC est\u00e1 presente em Cabo Verde, Angola, Mo\u00e7ambique, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, Guin\u00e9, Timor, Brasil, onde a l\u00edngua portuguesa e a coopera\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es proporciona o acolhimento em Aveiro de jovens vindos destes pa\u00edses da CPLP.<\/p>\n<p>S\u00e3o diversas as mensagens de parab\u00e9ns que nos chegam de alguns destes pa\u00edses, de jovens universit\u00e1rios que sentiram esta casa como sua e agora est\u00e3o em seus pa\u00edses na vida profissional a lutar por um futuro melhor. De norte a sul, do litoral ao interior de Portugal, dos programas de mobilidade acad\u00e9mica de universidades europeias (Erasmus), e de outros programas que trazem at\u00e9 n\u00f3s estudantes da \u00c1sia ou das Am\u00e9ricas, nem que tenha sido numa simples Ceia de Natal (a 24 de Dezembro, em co-organiza\u00e7\u00e3o com os Servi\u00e7os de Ac\u00e7\u00e3o Social da UA, com cerca de oitenta\/noventa estudantes de todo o mundo), o calor humano e o aconchego proporcionado \u00e9 lembrado como sinal de esperan\u00e7a numa humanidade nova, fazendo do Centro uma plataforma cont\u00ednua de \u201cvai e vem\u201d, de enriquecimento entre todos. Lembramo-nos de h\u00e1 tr\u00eas ou quatro anos termos pedido a estudantes de L\u00ednguas e Rela\u00e7\u00f5es Empresariais da UA (que estudam chin\u00eas), que nos escrevessem em chin\u00eas \u201cFeliz Natal\u201d, a par de outras l\u00ednguas com a mesma mensagem. Quanta emo\u00e7\u00e3o, at\u00e9 \u00e0s l\u00e1grimas (do grupo de estudantes chineses), nestas duas simples palavras, para quem est\u00e1 a milhares de quil\u00f3metros de casa!<\/p>\n<p>2. O Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura nasceu h\u00e1 20 anos, como resposta da igreja diocesana situada no mundo da cultura, que, em Aveiro, com a Universidade, ia rasgando novos e estimulantes horizontes. Ap\u00f3s a primeira ideia de \u201cacolhimento\u201d a estudantes do Ensino Superior ter passado pelo Centro de Ac\u00e7\u00e3o Pastoral, eis que a 25 de Mar\u00e7o de 1987 \u00e9 fundado o CUFC, pelo ent\u00e3o Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade.<\/p>\n<p>Inicialmente o CUFC funcionou no Semin\u00e1rio de Aveiro, tendo sido nesta altura nomeado seu primeiro director o Pe Arm\u00e9nio Alves da Costa J\u00fanior (que hoje vive junto do Pai e na saudosa mem\u00f3ria de quantos por ele foram \u201ctocados\u201d). O Pe Arm\u00e9nio foi o grande impulsionador do sonho que viria a concretizar-se passados tr\u00eas anos no novo e simb\u00f3lico Edif\u00edcio CUFC, inaugurado a 12 de Maio de 1990. Neste mesmo contexto de f\u00e9 crist\u00e3 que procura acompanhar o ritmo do tempo cultural, destaque-se a funda\u00e7\u00e3o do ISCRA \u2013 Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro, por D. Ant\u00f3nio Baltasar Marcelino (um apaixonado da origem do CUFC!), j\u00e1 Bispo de Aveiro na data de 29 de Junho de 1989. Inicialmente o ISCRA fica sedeado nas instala\u00e7\u00f5es do CUFC.<\/p>\n<p>Nenhum passo se d\u00e1 sem persist\u00eancia e no\u00e7\u00e3o do ideal a atingir; \u00e9 neste mesmo contexto que a pastoral universit\u00e1ria na Diocese de Aveiro, desde a primeira hora, procurara persistir na abertura de caminhos progressivos de acolhimento e proposta, valorizando em ambiente de comunidade os tempos fortes no ano pastoral e ano acad\u00e9mico. Sendo o CUFC uma institui\u00e7\u00e3o diocesana, todavia, nas suas portas inscreve-se um chamamento universalista, ecum\u00e9nico, de necess\u00e1rio di\u00e1logo inter-cultural e inter-religioso, em pluralismo inclusivo, sempre numa cont\u00ednua viv\u00eancia do sentido estrito da evangeliza\u00e7\u00e3o, entendida esta como encontro, partilha, \u201cdar e receber\u201d, procurando novas s\u00ednteses de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, um enriquecimento comum, onde cada hora, cada situa\u00e7\u00e3o, cada pessoa\u2026 ter\u00e3o de valer o mundo!<\/p>\n<p>3. A designada Pastoral Universit\u00e1ria, nos livros apresentada como \u201ctarefa e miss\u00e3o de toda a Igreja\u201d (afinal, como tudo quanto \u00e9 eclesial que se quer organizado e amplo), n\u00e3o se compadece com colagens do ano anterior, frases feitas \u201ccopy-paste\u201d ou meramente com coment\u00e1rios de ordem te\u00f3rica. Exige entrar e viver nos corredores da comunidade, aprendendo e partilhando.<\/p>\n<p>Nesta realidade de pastoral marcadamente laical, cada hora de cada dia, como desde h\u00e1 20 anos, \u00e9 desafio, oportunidade, problem\u00e1tica, esperan\u00e7a. Neste contexto, cada ano \u00e9 nov\u00edssimo. O \u201cponto-zero\u201d \u00e9 quase um lema e um intenso desafio \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que fica depois da palestra interessante no departamento A ou do debate muito vivo no instituto B? Volta-se ao CUFC e\u2026 tudo (quase) no princ\u00edpio; tal como os cerca de novecentos finalistas de todo o ensino superior em Aveiro s\u00e3o novos, cada ano, em todas as m\u00faltiplas reuni\u00f5es e prepara\u00e7\u00f5es destes meses.<\/p>\n<p>Necessariamente, as portas do CUFC, sempre abertas. T\u00eam no horizonte os cerca de quinze mil \u201chabitantes\u201d das sete institui\u00e7\u00f5es do Ensino Superior na \u00e1rea diocesana (que referimos mesmo: UA; ISCA-UA; ESTGA-UA; ESS-UA; ISCIA; IPAM; ISCRA), numa partilha e proposta \u201clivre\u201d para com os estudantes (com liga\u00e7\u00e3o especial \u00e0s associa\u00e7\u00f5es), docentes e funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O facto do Centro Universit\u00e1rio estar situado no magn\u00edfico campus universit\u00e1rio da UA \u00e9 motivo de grande proximidade permanente, o que proporciona o enriquecimento de vis\u00f5es em amplas parcerias (em voluntariados, forma\u00e7\u00f5es, debates, etc.), como esp\u00edrito de servi\u00e7o \u00e0 comunidade universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nem sempre a caminhada foi f\u00e1cil, mas, nesta hora de gratid\u00e3o pelo caminho percorrido, ergue-se a certeza da aposta decisiva numa vis\u00e3o aberta e afirmativa dos ideais fundamentais mais enriquecedores de todos\u2026 porque do sentido da vida de cada um!<\/p>\n<p>4. Ao celebrar \u201c20 anos a construir esperan\u00e7a\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio lembrar que a equipa de trabalho \u00e9 sempre a base de tudo, tal como escolheu o referido lema. Todas as palavras de apre\u00e7o e de reconhecimento s\u00e3o de louvor ao absoluto de Deus pelo \u201cdom\u201d, sempre din\u00e2mico, de todos os que nas v\u00e1rias equipas ao longo de cada ano foram construindo este ideal. Alguns est\u00e3o mesmo muito longe, do outro lado do mundo! Queremos torn\u00e1-los bem perto (tamb\u00e9m de forma especial o Pe Arm\u00e9nio) e dar gra\u00e7as a Deus-Fam\u00edlia por todo o caminho sonhado e pelo poss\u00edvel (sempre muito pouco) realizado. <\/p>\n<p>Sublinhamos, ainda, que a miss\u00e3o na pastoral universit\u00e1ria ser\u00e1 cada vez mas decisiva, n\u00e3o se podendo perder em esfor\u00e7os isolados. Os futuros profissionais, empres\u00e1rios, pol\u00edticos, gestores, habitam hoje as universidades, o que implicar\u00e1 sempre uma grande responsabilidade na aposta transversal e cont\u00ednua com qualidade, inova\u00e7\u00e3o, valorizando a \u00e9tica como ideal que nos conduz do Humano ao Divino.<\/p>\n<p>Nesta miss\u00e3o bem dif\u00edcil no Ocidente europeu, os grupos e movimentos na Pastoral Universit\u00e1ria ter\u00e3o de desempenhar um papel essencial, sempre a aperfei\u00e7oar, como c\u00e9lulas crist\u00e3s vivas. Referimos, reconhecemos e desafiamos os grupos que projectam no CUFC: Grupo de Crisma, Focolares; GEP 3M (grupo de escuta da palavra e que a p\u00f5e em pr\u00e1tica como Maria); Juventude Mariana Vicentina; Movimento Cat\u00f3lico de Estudantes, Movimento Juvenil Dominicano; Peregrinos CVX; Sal da Terra (convivas), SCUA &#8211; Servi\u00e7o de Caminheiros na Universidade de Aveiro; fraternidade mission\u00e1ria Verbum Dei, volunt\u00e1rios, enfim, todos os que nos visitam e connosco estudam, convivem, debatem, sonham, celebram!<\/p>\n<p>5. Estamos e, no fundo, estaremos sempre no \u201cprinc\u00edpio\u201d. O tempo cultural assim o exigir\u00e1, para sermos resposta cada dia. Sem ilus\u00f5es, ficamos a anos-luz do ideal. A impres-sionante mobilidade dos contextos cultural e acad\u00e9mico contempor\u00e2neo n\u00e3o se compadece com a imobilidade e passividade dos dados acess\u00f3rios da mensagem crist\u00e3.<\/p>\n<p>H\u00e1 um hiato crescente de insignific\u00e2ncia da F\u00e9 para a nova cultura que a\u00ed est\u00e1 a interpelar os ambientes do an\u00fancio. Para um fecundo di\u00e1logo entre a F\u00e9 crist\u00e3 e a Cultura contempor\u00e2nea, a Pastoral Universit\u00e1ria sente na pele e reclama de modo inadi\u00e1vel os correspondentes horizontes de renova\u00e7\u00e3o da Igreja universal, que n\u00e3o se poder\u00e1 \u201cperder\u201d nos pesos da tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, mas precisa de aprofundar o essencial. H\u00e1 linguagens e minist\u00e9rios a renovar, antes que a indiferen\u00e7a triunfe generalizadamente. Remendo (pastoral) velho em pano (social) novo\u2026 cai em saco roto. H\u00e1 mudan\u00e7as (que s\u00e3o actualiza\u00e7\u00f5es do essencial ao nosso tempo hist\u00f3rico), como a linguagem sobre a F\u00e9, que ter\u00e3o de ser estruturais, quando n\u00e3o a F\u00e9 perde a Cultura, distanciando-se do seu pr\u00f3prio significado e miss\u00e3o. Haver\u00e1 vontade prof\u00e9tica?<\/p>\n<p>Quanto a n\u00f3s, pastoral universit\u00e1ria diocesana, neste dia, \u00e9 com toda a alegria que celebramos estes 20 anos, sempre com a presen\u00e7a estimulante de Mons. Jo\u00e3o Gaspar e acolhendo o Sr. Bispo de Aveiro, D. Ant\u00f3nio Francisco, que outrora tamb\u00e9m foi \u201cmission\u00e1rio\u201d nestes terrenos da Pastoral Universit\u00e1ria, em Lamego. \u00c9 dia de festa, demos gra\u00e7as a Deus pelo dom das sementes lan\u00e7adas ao longo destas duas d\u00e9cadas. S\u00f3 Deus sabe, tudo a Ele se deve!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALEXANDRE CRUZ 1. 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