{"id":9523,"date":"2007-04-04T12:17:00","date_gmt":"2007-04-04T12:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9523"},"modified":"2007-04-04T12:17:00","modified_gmt":"2007-04-04T12:17:00","slug":"e-hora-de-salvar-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-hora-de-salvar-vidas\/","title":{"rendered":"\u00c9 hora de salvar vidas&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Vida &#8211; Quatro notas sobre o resultado do referndo <!--more--> LU\u00cdS SILVA<\/p>\n<p>O dia 11 de Fevereiro<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a noite se ia adiantando, tornava-se cada vez mais claro que o Sim ao aborto livre venceria. \u00c0 tristeza de ver desabar uma confian\u00e7a profunda na sensibilidade dos portugueses \u00e0 vida n\u00e3o nascida, juntava-se, por\u00e9m, a certeza de tudo ter feito para que outro fosse o resultado. Nesta mistura de sentimentos, muitas vezes me assaltaram imagens de um bel\u00edssimo filme que fala de vida, da sensibilidade e insensibilidade colectiva face aos mais fr\u00e1geis. Falo de a Lista de Schindler e de um dos momentos mais densos de todo o enredo dram\u00e1tico, genialmente constru\u00eddo por Steven Spielberg: j\u00e1 perto do final, Schindler, prestes a fugir para o ex\u00edlio, por motivo de ter terminado a segunda guerra mundial, promovida pelo regime nazi a que ele pertencia, come\u00e7a a contar as vidas que ainda poderia ter salvo em troca de um anel ou de um autom\u00f3vel. <\/p>\n<p>A noite de 11 de Fevereiro teve a densidade de uma partida rumo a um ex\u00edlio numa terra onde parecem n\u00e3o nos desejar mas onde insistimos que somos dignos de estar\u2026 Teve o cond\u00e3o de nos levar a reflectir sobre o que fizemos e dissemos\u2026 Foi hora de renovar o desafio\u2026 Partimos sem sair, porque a vida que pede a nossa resposta permanece no lugar de sempre.<\/p>\n<p>Os dias antes de 11 de Fevereiro<\/p>\n<p>Nesta revis\u00e3o do que fizemos e dissemos, n\u00e3o pude deixar de pensar como p\u00f4de tornar-se insens\u00edvel o cora\u00e7\u00e3o dos que sempre estiveram atentos aos mais fr\u00e1geis. Quem endureceu os seus cora\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Poderia seguir a simplista resposta de que todos estamos tomados pelo individualismo que assoberba a sociedade actual. Talvez n\u00e3o estivesse longe, mas o individualismo fecha-se sobre si pr\u00f3prio e n\u00e3o atrai, n\u00e3o cativa. N\u00e3o foi o que vimos, ao longo da campanha. O \u00absim\u00bb andara como se defendesse uma causa humanit\u00e1ria, \u00aba \u00faltima causa\u00bb &#8211; diziam alguns.<\/p>\n<p>Pois bem, de facto, se \u00e9 certo que o que o \u00absim\u00bb defendia era um redondo individualismo, em que cada homem e mulher ficam ainda mais fechados sobre si e com o seu sofrimento, n\u00e3o foi com essa capa que a quest\u00e3o se apresentou. Com n\u00fameros manipulados, mentiras embrulhadas em papel de rebu\u00e7ado de verdade, com auto-estimas feridas e complexos de inferioridade perante os outros pa\u00edses explorados at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o, criou-se uma necessidade que parecia exigir uma resposta, como se abortar fosse uma fatalidade que ca\u00edsse sobre a cabe\u00e7a de algu\u00e9m, qual pneumonia ou tuberculose. <\/p>\n<p>E a v\u00edtima? Quem falou dela? Vale a pena lembrar que, um pouco por todo o pa\u00eds, os cartazes que mostravam o feto \u00e0s dez semanas eram destru\u00eddos com tamanha viol\u00eancia que parecia resultado de uma ira profunda\u2026 O rosto das v\u00edtimas incomoda, bem certo!!!<\/p>\n<p>A noite de 11 de Fevereiro mostrou-me, nesta mistura de sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos, que \u00e9 preciso acordar desta anestesia colectiva, que faz devorar acriticamente o que ecr\u00e3s do mundo abertos para o interior das nossas casas nos dizem ser a realidade que tomamos como coincidente com a verdade\u2026 A verdade continua mais al\u00e9m\u2026<\/p>\n<p>O dia depois de 11 de Fevereiro<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00edamos coerentes connosco, se, agora, nos rend\u00eassemos a um resultado de um referendo que \u00e9 desfavor\u00e1vel \u00e0 sustenta\u00e7\u00e3o de que o Estado deve proteger todos, mesmo todos, qualquer que seja a sua idade.<\/p>\n<p>Se o Estado se rendeu, essa n\u00e3o poder\u00e1 ser a resposta de todos os que reconhecem na vida de cada humano um dom que n\u00e3o pode ser propriedade de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O trabalho que j\u00e1 vem sendo desenvolvido pela Igreja, desde sempre, e pelos movimentos de defesa da vida (em particular, neste caso, desde 1998), deve ser refor\u00e7ado. A onda que todos pudemos ver, escondida longe das c\u00e2maras das televis\u00f5es, n\u00e3o pode sair abafada, mas ganhar a for\u00e7a de um tsunami pac\u00edfico. Em cada diocese onde estivermos, temos de criar ou apoiar (j\u00e1 s\u00e3o mais de 50 as associa\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 vida que necessitam de associados e donativos para conseguir levar a bom porto o seu trabalho\u2026) estruturas de acompanhamento de cada gr\u00e1vida que se sinta s\u00f3, desamparada, de cada mulher que foi empurrada para o aborto por press\u00e3o de patr\u00f5es ou companheiros ou fam\u00edlia\u2026 \u00c9 hora de salvar vidas, porque a lei que permite abortar a vida at\u00e9 \u00e0s dez semanas ainda n\u00e3o abortou a vida que jorra do interior de todos os que se sabem movidos pela VIDA.<\/p>\n<p>PS: O combate que, hoje, se trava nas sociedades ocidentais n\u00e3o \u00e9 novo. J\u00e1 nos primeiros tempos do Cristianismo a diferen\u00e7a que marcava a atitude dos crist\u00e3os face \u00e0 vida era apontada como marca definidora dos seguidores desta religi\u00e3o. Recordo, a t\u00edtulo de exemplo, uma carta que ter\u00e1 sido escrita por volta do ano 150, por autor crist\u00e3o a um certo Diogneto, que pertenceria ao mundo do imp\u00e9rio romano. Nela se diz, em determinado momento:<\/p>\n<p>\u00abOs crist\u00e3os, com efeito, n\u00e3o se distinguem dos demais homens nem pela sua terra, nem pela sua l\u00edngua, nem pelos seus costumes; [\u2026] casam-se como todos; como todos geram filhos, mas n\u00e3o abandonam os que nascem.\u00bb<\/p>\n<p>Numa altura em que o aborto n\u00e3o era provocado, pois redundava sempre na morte da m\u00e3e, o abandono dos filhos era pr\u00e1tica corrente, que os crist\u00e3os, como se v\u00ea, n\u00e3o realizavam.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que esta n\u00e3o \u00e9, de modo algum, uma quest\u00e3o religiosa ou muito menos de mera moral pessoal, mas sim de direitos humanos, pois significa impedir de reconhecer direito a nascer a quem tem menos de 10 semanas, os crist\u00e3os t\u00eam um dever acrescido de proteger os n\u00e3o nascidos\u2026<\/p>\n<p>ADAV\/Aveiro \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio da Vida\/Aveiro. Telef.: 234 424 040<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Vida &#8211; Quatro notas sobre o resultado do referndo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-9523","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9523","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9523"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9523\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}