{"id":9526,"date":"2007-04-04T12:28:00","date_gmt":"2007-04-04T12:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9526"},"modified":"2007-04-04T12:28:00","modified_gmt":"2007-04-04T12:28:00","slug":"pascoa-e-passagem-mas-nao-uma-festa-de-passagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pascoa-e-passagem-mas-nao-uma-festa-de-passagem\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa \u00e9 passagem, mas n\u00e3o uma festa de passagem"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos na \u00e9poca do provis\u00f3rio, em que tudo na vida aparece como descart\u00e1vel e transit\u00f3rio. At\u00e9 o que \u00e9 permanente, fundamental e indispens\u00e1vel para n\u00f3s corre o risco de ser apanhado na enxurrada, se \u00e9 que, para muita gente, n\u00e3o o foi j\u00e1. <\/p>\n<p>N\u00e3o faltam propostas tur\u00edsticas para passar a P\u00e1scoa longe de casa, agora com f\u00e9rias antecipadas e alargadas. Para estes dias, nos projectos feitos por alguns crist\u00e3os, o religioso j\u00e1 n\u00e3o tem lugar ou fica reduzido ao poss\u00edvel, que \u00e9 normalmente muito pouco. Numa sociedade marcada pelo pluralismo laico, a conson\u00e2ncia alargada de sentimentos comuns deixou de existir, tamb\u00e9m no aspecto religioso. Tudo pode servir de ocasi\u00e3o para que cada crist\u00e3o tome consci\u00eancia do seu mundo de f\u00e9, se situe nele com uma deliberada decis\u00e3o de o usufruir e possa, assim, testemunhar e propor aos que t\u00eam outros mundos, as riquezas que nele encontra e pessoalmente o enriquecem.<\/p>\n<p>O mundo dos crentes tem a beleza que lhe \u00e9 pr\u00f3pria. S\u00f3 o dom da f\u00e9 sabe apreci\u00e1-lo, agradec\u00ea-lo em esp\u00edrito de verdade e encontrar a\u00ed a luz para as suas op\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es.  <\/p>\n<p>P\u00e1scoa quer dizer \u201cpassagem\u201d, mas passagem que perdura. A P\u00e1scoa de Cristo foi a sua passagem da morte \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, a vit\u00f3ria da vida sobre a morte, tornando-se, em Cristo, uma vit\u00f3ria definitiva. A P\u00e1scoa passou a constituir o ponto de apoio necess\u00e1rio e de refer\u00eancia indispens\u00e1vel \u00e0 f\u00e9 dos crist\u00e3os e da Igreja. Tudo para estes ganha luz e for\u00e7a vital com a P\u00e1scoa de Cristo e, na Igreja, s\u00f3 tem futuro  e \u00e9 gerador de gra\u00e7a o que parte da P\u00e1scoa e dela recebe permanente sentido.    <\/p>\n<p>Cada Domingo, ao longo do tempo, actualiza a P\u00e1scoa e torna-a pr\u00f3xima e fecunda para as comunidades crist\u00e3s e para os que a celebram na Eucaristia. A vida dos crist\u00e3os vai mostrando que, quando se deixa de dar sentido ao Domingo e se abandona a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, se perde ou enfraquece tamb\u00e9m a f\u00e9 em Jesus Cristo Salvador. Mais dif\u00edcil se torna, ent\u00e3o, resistir \u00e0 influ\u00eancia de um ambiente de onde est\u00e3o ausentes os valores evang\u00e9licos, os \u00fanicos que podem impedir uma vida rotineira e banal.<\/p>\n<p>A P\u00e1scoa, na verdade, \u00e9, para todos os crist\u00e3os, a Festa, a verdadeira festa da f\u00e9 e da vida, a festa que d\u00e1 sentido a todas as outras festas da Igreja, mesmo aquelas que, na sua dimens\u00e3o popular, celebram a fidelidade a tradi\u00e7\u00f5es religiosas, legadas pelos que viveram antes a sua f\u00e9.<\/p>\n<p>A Igreja enriquece a liturgia e a f\u00e9 do povo crist\u00e3o com a grande Vig\u00edlia que encerra o Tr\u00edduo Pascal e a celebra\u00e7\u00e3o festiva do Domingo, em muitas par\u00f3quias com a solene Prociss\u00e3o do Senhor ao c\u00e2ntico dos Aleluias e, onde a tradi\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m, com a visita pascal \u00e0s fam\u00edlias, que recebem assim na sua pr\u00f3pria casa o an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o, como convite a uma vida nova em Cristo. Em muitas zonas do pa\u00eds a festa pascal continua ainda no campo, na segunda-feira, com a celebra\u00e7\u00e3o numa capela vizinha e uma refei\u00e7\u00e3o t\u00edpica, alargada de familiares a amigos.<\/p>\n<p>Viver a P\u00e1scoa ao longo do ano \u00e9 fazer a experi\u00eancia da passagem de todas as formas de morte, que nos ocupam os dias que envelhecem e passam, \u00e0 vida que n\u00e3o acaba mais. <\/p>\n<p>Ego\u00edsmo, indiferen\u00e7a, mentira, vingan\u00e7a, injusti\u00e7a, tudo isto \u00e9 morte. A Vida que nos \u00e9 dada, como dom gratuito, pela f\u00e9 em Jesus Cristo ressuscitado, permite-nos transmitir aos outros, por for\u00e7a do mesmo amor, o testemunho de pessoa liberta, com  os gestos habituais de amor e ajuda fraterna, que d\u00e3o sentido ao viver do dia a dia.<\/p>\n<p>As am\u00eandoas da P\u00e1scoa s\u00e3o sinal de alegria pascal e apelo \u00e0 partilha de dons e de paz. Tamb\u00e9m elas um sinal, chamado a tornar cada vez mais ricas e eficazes as rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas, para que cheguem, em verdade, a ser rela\u00e7\u00f5es verdadeiramente respeitosas e fraternas. Foi para esta reconcilia\u00e7\u00e3o, com Deus e de uns para com os outros, que Jesus ressuscitou e est\u00e1 vivo no meio de n\u00f3s. \u00c9 esta a f\u00e9 dos crist\u00e3os esclarecidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos na \u00e9poca do provis\u00f3rio, em que tudo na vida aparece como descart\u00e1vel e transit\u00f3rio. At\u00e9 o que \u00e9 permanente, fundamental e indispens\u00e1vel para n\u00f3s corre o risco de ser apanhado na enxurrada, se \u00e9 que, para muita gente, n\u00e3o o foi j\u00e1. 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