{"id":9544,"date":"2007-04-19T16:48:00","date_gmt":"2007-04-19T16:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9544"},"modified":"2007-04-19T16:48:00","modified_gmt":"2007-04-19T16:48:00","slug":"um-coracao-limpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-coracao-limpo\/","title":{"rendered":"Um cora\u00e7\u00e3o limpo"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia <!--more--> Todos somos peritos em arranjar desculpas ou \u201cboas raz\u00f5es\u201d para fugir a algumas quest\u00f5es. Acontece no dia-a-dia, por tudo e por nada, mas acontece especialmente quando estas quest\u00f5es mexem connosco a um n\u00edvel mais profundo e, porventura, mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Ficar demasiado exposto ou com a sensa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade n\u00e3o \u00e9 confort\u00e1vel para ningu\u00e9m. Da\u00ed a sensa\u00e7\u00e3o recorrente de passar ao lado de certas quest\u00f5es. Ou, como se costuma dizer, de assobiar para o ar, de enfiar a cabe\u00e7a na areia ou de varrer as coisas para debaixo do tapete.<\/p>\n<p>O ritmo a que corre a vida e a vertigem dos dias n\u00e3o favorecem em nada uma atitude mais introspectiva ou reflexiva, mas, no entanto, todos reconhecemos que precisamos de momentos para parar, reflectir e tomar decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Como a vida n\u00e3o se compadece com este tipo de necessidades, temos de ser n\u00f3s pr\u00f3prios a tomar consci\u00eancia de que sabemos mais do que percebemos.<\/p>\n<p>Ou seja, temos acessso a tanta informa\u00e7\u00e3o, vivemos tantas experi\u00eancias, conhecemos tantas pessoas e somos t\u00e3o solicitados para tantas coisas t\u00e3o diferentes, que raramente temos tempo para processar tudo isto. E quando falo em processar, falo em perceber, mas, acima de tudo, em separar o essencial do acess\u00f3rio. Ou, voltando \u00e0 linguagem metaf\u00f3rica, em separar o trigo do joio.<\/p>\n<p>Saber mais do que aquilo que se percebe \u00e9 uma das grandes armadilhas modernas. Acontece-nos sem darmos por isso e, pior, acontece desde muito cedo. Hoje em dia as crian\u00e7as e os adolescentes tamb\u00e9m j\u00e1 sabem muito mais do que percebem e \u00e9 justamente por verem e ouvirem falar de tanta coisa que t\u00eam a ilus\u00e3o de que sabem tudo. Na verdade uns sabem de mais enquanto que outros percebem de menos.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0s quest\u00f5es essenciais, que tantas vezes ignoramos ou substitu\u00edmos por outras mais acess\u00f3rias, vale a pena tomar consci\u00eancia de que temos a tenta\u00e7\u00e3o recorrente de arranjar desculpas (as chamadas \u201cboas raz\u00f5es\u201d) para adiar certas coisas.<\/p>\n<p>Importa perceber que, a partir de uma dada altura, n\u00e3o podemos adiar mais. N\u00e3o se trata de precipitar as quest\u00f5es mas sim de as enfrentar. De olhar para elas e dar passos, lidar com elas. De fazer qualquer coisa de concreto que nos permita ir mais longe.<\/p>\n<p>Nesta linha de pensamento, a atitude mais correcta passa por perceber a hora certa para assumir as coisas que andamos sempre a adiar. E n\u00e3o as adiar mais.<\/p>\n<p>Outra grande armadilha que temos em n\u00f3s \u00e9 o argumento das \u201cboas raz\u00f5es\u201d. Quantas vezes arranjamos \u201cboas raz\u00f5es\u201d para fazer isto e deixar de fazer aquilo quando, no fundo, sabemos que as nossas inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o amb\u00edguas ou est\u00e3o distorcidas? E, aqui entre n\u00f3s que ningu\u00e9m nos ouve, quantas vezes n\u00e3o s\u00e3o mesmo mesquinhas?<\/p>\n<p>A trapalhice interior e a falta de clareza nas inten\u00e7\u00f5es transparecem fatalmente na nossa atitude e, da\u00ed tamb\u00e9m, a necessidade de clarificar e purificar.<\/p>\n<p>Neste sentido, por tudo aquilo que fica dito e, especialmente, por aquilo que guardamos em n\u00f3s e pertence \u00e0 esfera do inconfess\u00e1vel, vale a pena pedir nesta P\u00e1scoa um cora\u00e7\u00e3o limpo. Ou melhor, apostar em purificar o cora\u00e7\u00e3o e em clarificar as inten\u00e7\u00f5es para deixarmos de ter a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cdar a volta ao texto\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-9544","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9544"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9544\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}