{"id":9570,"date":"2007-04-26T15:14:00","date_gmt":"2007-04-26T15:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9570"},"modified":"2007-04-26T15:14:00","modified_gmt":"2007-04-26T15:14:00","slug":"espaco-e-comunidade-de-participacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/espaco-e-comunidade-de-participacao\/","title":{"rendered":"Espa\u00e7o e comunidade de participa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia <!--more--> A par\u00f3quia \u00e9, na sociedade secularizada, a configura\u00e7\u00e3o da Igreja comunh\u00e3o mais acess\u00edvel a todas as pessoas. As outras formas de expressar a sua auto-compreens\u00e3o s\u00e3o redutoras e acabam sempre por desfigurar a riqueza da verdade do seu ser e do seu agir. S\u00f3 a comunh\u00e3o est\u00e1 credenciada para condensar e revitalizar todas as dimens\u00f5es paroquiais e, por elas, fomentar intensamente o dinamismo comunit\u00e1rio. <\/p>\n<p>Ao ser comunh\u00e3o, e n\u00e3o fus\u00e3o num todo, \u00e9 uni\u00e3o familiar de Deus com os crist\u00e3os coerentes com a f\u00e9, os disc\u00edpulos fi\u00e9is de Jesus, o povo dos baptizados marcados pelo Esp\u00edrito. Ao ser comunh\u00e3o, e n\u00e3o anula\u00e7\u00e3o das pluralidades, \u00e9 uni\u00e3o fraterna entre as pessoas, que, de modo consciente, vivem o amor que vem de Deus e circula nos cora\u00e7\u00f5es humanos. Ao ser comunh\u00e3o, e n\u00e3o absor\u00e7\u00e3o unificadora, \u00e9 uni\u00e3o respeitadora das capacidades humanas, dos n\u00edveis de ades\u00e3o \u00e0 mensagem e dos graus de envolv\u00eancia na resposta adequada. A par\u00f3quia surge como realiza\u00e7\u00e3o local da Igreja, fam\u00edlia em comunh\u00e3o; da Igreja, escola de participa\u00e7\u00e3o; da Igreja \u201cfonte\u201d da miss\u00e3o. Esta \u00e9 a riqueza do seu ser que necessariamente se expande e revigora pelo seu agir, sempre aberto a dimens\u00f5es novas pela \u201cfantasia\u201d da caridade.<\/p>\n<p>Este perfil relacional contrasta profundamente com o modelo tradicional da par\u00f3quia massiva ou de multid\u00f5es, societ\u00e1ria ou de aglomerados corporativos, piramidal ou de oposi\u00e7\u00f5es diferenciadoras, ecl\u00e9tica ou de conjuntos fragmentados, an\u00e1rquica ou de \u00edmpetos voluntaristas, fruto de \u201cinspira\u00e7\u00f5es\u201d carism\u00e1ticas, sem regras est\u00e1veis nem programas assumidos. A par\u00f3quia, enquanto Igreja de comunh\u00e3o, engloba e valoriza o que estes modelos t\u00eam de positivo, \u201cpoda\u201d o que neles \u00e9 excessivo e est\u00e1 desvirtuado, acentua o que lhes falta e \u00e9 fundamental, gera um modo novo de ser e de agir: assumir a voca\u00e7\u00e3o original, corresponder \u00e0 miss\u00e3o priorit\u00e1ria que o Esp\u00edrito lhe pede no tempo que \u00e9 o nosso.<\/p>\n<p>O sacramento, por excel\u00eancia, da comunh\u00e3o \u00e9 a eucaristia celebrada em assembleia. Nela se concentra, em admir\u00e1vel harmonia, a uni\u00e3o e a pluralidade, a fam\u00edlia de filhos e de irm\u00e3os, a aten\u00e7\u00e3o a cada pessoa e \u00e0 comunidade. Dela partem em miss\u00e3o, enviados a uma sociedade em transforma\u00e7\u00e3o e necessitada de refer\u00eancias \u00e9ticas fundamentais, aqueles que foram \u201cinstru\u00eddos\u201d pela Palavra e robustecidos pelo alimento de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>A assembleia lit\u00fargica constitui o espelho da par\u00f3quia organizada como comunidade de participa\u00e7\u00e3o. Sirvam de exemplifica\u00e7\u00e3o a pluralidade diversa de servi\u00e7os e minist\u00e9rios, as fases e o ritmo da celebra\u00e7\u00e3o, a estrutura da funcionalidade, a variedade e coordena\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es (de pessoas, grupos\/coros, do conjunto), a defini\u00e7\u00e3o clara dos objectivos pretendidos (que globalmente se podem condensar na glorifica\u00e7\u00e3o de Deus que, em Jesus Cristo, salva a humanidade e d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida), a fun\u00e7\u00e3o ministerial do presidente, em nome de Cristo Senhor, para bem de todo o povo crist\u00e3o.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia que \u00e9 coerente com a estrutura da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica tem necessariamente de organizar-se de forma participativa, de valorizar os servi\u00e7os e minist\u00e9rios existentes e reconhecidos ou de fomentar experi\u00eancias para que venham a s\u00ea-lo, de articular a converg\u00eancia de iniciativas em objectivos program\u00e1ticos e a desconcentra\u00e7\u00e3o de responsabilidades pastorais. \u00c9 mais humano e crist\u00e3o que, podendo, todos fa\u00e7am alguma coisa, pois desenvolvem as suas capacidades e sentem-se parte colaborante de um conjunto, do que alguns fazerem tudo, ainda que bem feito, impedindo os restantes de participar ou identificando efic\u00e1cia apost\u00f3lica com execu\u00e7\u00e3o fiel do programa elaborado.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o participativa \u00e9 fruto de convic\u00e7\u00f5es de f\u00e9, de pedagogias adequadas, de gest\u00e3o de recursos humanos e materiais, de objectivos claros e acess\u00edveis a prosseguir, como concretiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o a realizar.<\/p>\n<p>As convic\u00e7\u00f5es de f\u00e9 abrangem, antes de mais, a certeza de que ningu\u00e9m \u00e9 completamente destitu\u00eddo de capacidades e dons concedidos pelo Esp\u00edrito Santo e, pela sua \u201cm\u00e3o estendida\u201d, a natureza e a cultura. A esta concess\u00e3o deve corresponder um esfor\u00e7o humano por acolher, identificar, educar e promover o dote recebido. Faz parte deste esfor\u00e7o a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade e o conhecimento dos seus desafios, o sentido da f\u00e9 e as suas express\u00f5es, e o envolvimento na procura de respostas e as suas exig\u00eancias. <\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma atitude e um servi\u00e7o englobante da miss\u00e3o da Igreja: na transmiss\u00e3o da f\u00e9, na ora\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, na pr\u00e1tica da caridade e na defesa e promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social. Em todas estas \u00e1reas h\u00e1 necessidade de \u201cnovas ousadias\u201d, sobretudo na rela\u00e7\u00e3o com a sociedade onde a verdade se relativiza, a solidariedade se dilui, os direitos humanos se menosprezam, o feminismo se exacerba, a ecologia se esquece e a opini\u00e3o p\u00fablica se agita conforme as correntes de press\u00e3o.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia participativa pode receber um forte impulso dos movimentos apost\u00f3licos e do minist\u00e9rio ordenado, designadamente do p\u00e1roco e da pedagogia usada no governo pastoral. A gest\u00e3o dos recursos humanos, tendo em conta a miss\u00e3o global da Igreja na qual se integra a realiza\u00e7\u00e3o de cada pessoa, constitui o maior desafio a enfrentar na Igreja comunh\u00e3o. A resposta a este desafio passa necessariamente pela renova\u00e7\u00e3o do modo de ser e agir de quem est\u00e1 responsabilizado pela fun\u00e7\u00e3o de presidir \u00e0 caridade na unidade de dons, carismas, servi\u00e7os e minist\u00e9rios. A harmonia da diversidade faz surgir a par\u00f3quia como uma sinfonia de vozes e de instrumentos em que o tom e o som de cada um se integra, valorizando-se, na melodia do conjunto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-9570","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9570"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9570\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}