{"id":9603,"date":"2007-04-26T16:11:00","date_gmt":"2007-04-26T16:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9603"},"modified":"2007-04-26T16:11:00","modified_gmt":"2007-04-26T16:11:00","slug":"mudar-de-atitude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mudar-de-atitude\/","title":{"rendered":"Mudar de atitude"},"content":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje <!--more--> Habituado a classifica\u00e7\u00f5es de Bom e de Muito bom, o seu filho chega a casa com um Med\u00edocre. Preocupante? Claro que sim. Provavelmente, deslocar-se-\u00e1 \u00e0 escola para perceber a raz\u00e3o dessa classifica\u00e7\u00e3o obtida num trabalho de grupo, que o seu filho fez sozinho, em casa e sob sua orienta\u00e7\u00e3o. Apesar da l\u00f3gica da explica\u00e7\u00e3o dada pelo Director de Turma, talvez at\u00e9 continue a discordar dos crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O que aconteceu? O trabalho deveria ter sido desenvolvido em duas aulas, os recursos dispon\u00edveis eram v\u00e1rios: in\u00fameros meios de comunica\u00e7\u00e3o social; manuais escolares; o pr\u00f3prio professor. O seu filho e os colegas, convencidos de que todos arrecadariam os dezoito valores que o seu filho habitualmente alcan\u00e7ava, optaram por conversar sobre outros assuntos, durante os cento e oitenta minutos em que de-veriam ter trabalhado. N\u00e3o desenvolveram atitudes de interajuda, n\u00e3o geriram conhecimentos, nem contornaram dificuldades, nem apostaram no futuro, que se jogava na terceira aula, quando defendessem o trabalho. Nessa aula, o seu filho revelou estar por dentro da tem\u00e1tica investigada; mas os dois colegas de grupo balbuciaram duas ou tr\u00eas ideias, atrapalharam-se e foram incapazes de defender a tese t\u00e3o bem explanada (e para a qual o pai ou a m\u00e3e tanto tinham contribu\u00eddo). Resultado: a nota atribu\u00edda ao grupo foi o Med\u00edocre, a classifica\u00e7\u00e3o dos elementos que n\u00e3o tinham trabalhado. <\/p>\n<p>Esta hist\u00f3ria1 ilustra uma das conclus\u00f5es tiradas na mesa-redonda sobre Empreendedorismo nas III Jornadas T\u00e9cnicas, dinamizadas na Escola Secund\u00e1ria Dr. M\u00e1rio Sacramento, pelo Departamento de Estudos Cient\u00edfico-Tecnol\u00f3gicos na semana passada. De facto, se \u00e9 importante ter bons conhecimentos te\u00f3ricos, mais importante ainda \u00e9 desenvolver compet\u00eancias que levem \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Explico: ningu\u00e9m contrata uma pessoa unicamente porque ela sabe muita teoria. Numa entrevista para um emprego, tem-se em conta a m\u00e9dia do curso, mas se o candidato n\u00e3o se souber sentar, n\u00e3o se apresentar correctamente, revelar incapacidade de comunica\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 preterido por outro que, apesar de uma m\u00e9dia inferior, se apresenta bem, responde facilmente a uma quest\u00e3o de gest\u00e3o de conflitos e revela \u00e0-vontade na conversa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Por tudo isto, a Escola tem de sofrer uma revolu\u00e7\u00e3o radical, pois ainda privilegia a transmiss\u00e3o de conte\u00fados, em detrimento do desenvolvimento de compet\u00eancias. A l\u00f3gica deste \u00faltimo conceito obriga a mudar de atitude: a aula ter\u00e1 de ser cada vez mais um espa\u00e7o de reflex\u00e3o. (Para o \u201cseu filho\u201d e para os colegas, tudo \u00e9 uma \u201cseca\u201d. Como contrariar esse sentimento irreverente da juventude? N\u00e3o haver\u00e1 um momento em que essa opini\u00e3o poder\u00e1 ser alvo de debate? Por que n\u00e3o reflectir sobre a import\u00e2ncia do esfor\u00e7o e tamb\u00e9m do insucesso, n\u00e3o se ficando pela opini\u00e3o superficial de que tudo o que fazemos deve dar prazer?) A Escola \u00e9 o espa\u00e7o por excel\u00eancia em que o insucesso pode ser reabilitado, em que se pode aprender a assumir riscos. Nas empresas, a n\u00e3o ser em pequenos sectores de inova\u00e7\u00e3o, \u00e9 imposs\u00edvel falhar, o erro pode custar muito dinheiro e implicar mesmo o despedimento. Nas escolas, o erro e a falha deveriam ser valorizados para a aprendizagem.  <\/p>\n<p>Voltando ao \u201cseu filho\u201d e aos colegas, provavelmente n\u00e3o ter\u00e3o percebido que aquele professor lhes tinha dito que aquela disciplina funcionava como uma empresa, os hor\u00e1rios, a hierarquia e o c\u00f3digo de conduta eram para ser levados \u00e0 risca, e que o esfor\u00e7o de todos seria compensado (ah! Aqui deveriam ter compreendido que \u201cmuito esfor\u00e7o + esfor\u00e7o nenhum\u201d resultaria em \u201cquase nada\u201d.). O professor tinha escrito no quadro uma frase intrigante, que finalmente come\u00e7ava a fazer sentido: \u201cTRUQUE: Finge que gostas daquilo de que n\u00e3o gostas.\u201d<\/p>\n<p>Concluindo, no grupo do \u201cseu filho\u201d, algu\u00e9m teria de ser empreendedor, manifestando uma atitude interventiva, tendente ao desenvolvimento da qualidade de vida do grupo, deveria ter persuadido os colegas a apostarem num trabalho com qualidade, que seria apresentado no prazo. Pode ser que o tal Med\u00edocre os fa\u00e7a descobrir que, afinal, na Escola, h\u00e1 muitas propostas que os levam a desenvolver capacidade de empreendedorismo. Basta quererem (ou fingirem que querem, que vai tudo dar ao mesmo!). <\/p>\n<p>1 \u2013 Hist\u00f3ria inventada aqui e agora. Qualquer semelhan\u00e7a com a realidade \u00e9 pura coincid\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-9603","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9603"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9603\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}