{"id":9606,"date":"2007-04-26T16:15:00","date_gmt":"2007-04-26T16:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9606"},"modified":"2007-04-26T16:15:00","modified_gmt":"2007-04-26T16:15:00","slug":"selva-desencorajante-para-um-viver-normal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/selva-desencorajante-para-um-viver-normal\/","title":{"rendered":"Selva desencorajante para um viver normal"},"content":{"rendered":"<p>O rumo que est\u00e1 a levar uma sociedade que prescinde dos valores que humanizam as rela\u00e7\u00f5es pessoais e d\u00e3o credibilidade \u00e0 vida em sociedade n\u00e3o pode deixar de preocupar quem est\u00e1 atento e quer viver com paz, alegria e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o falta quem chame a tudo isto uma selva, onde o que de bom e de belo da natureza ainda resta, coexiste com o matagal selvagem que cresce descontroladamente, com a amea\u00e7a de tudo sufocar. A selva disfar\u00e7a bem. Nela h\u00e1 de tudo: animais e plantas raras, feras e p\u00e1ssaros de ra\u00e7a, lagos apaixonantes e p\u00e2ntanos perigosos.<\/p>\n<p>Uma sociedade dif\u00edcil para quem raciocina, f\u00e1cil para quem especula. Dif\u00edcil para quem procura o bem comum, cada vez mais f\u00e1cil para quem pensa apenas nos seus interesses. Fechada para gente com princ\u00edpios, aberta para extravag\u00e2ncias e corrup\u00e7\u00e3o. At\u00e9 j\u00e1 \u00e9 f\u00e1cil matar com o apoio das leis e o dinheiro do er\u00e1rio p\u00fablico. Continua muito dif\u00edcil para se responder a situa\u00e7\u00f5es de pobreza extrema e de vergonhosa incultura.<\/p>\n<p>H\u00e1 nesta sociedade campos de vida que se tornaram desertos \u00e1ridos, por via de inc\u00eandios programados. Campos a desco-berto, semeados de venenosas e variadas cicutas, que d\u00e3o para usar e exportar. Ainda outros, que julgamos baldios abandonados, mas que apenas esperam vez para receber novas culturas de morte. Aqui e al\u00e9m, espa\u00e7os longos armadilhados, por onde uns t\u00eam de caminhar temerosos e outros passeiam, com um \u00e0 vontade desconcertante. Restam, \u00e9 certo, pequenos jardins, cuidados com amor e zelo e o\u00e1sis de alguma esperan\u00e7a, que podem, de um momento para o outro, dar lugar a constru\u00e7\u00f5es vistosas de mero interesse pessoal, a aumentar a riqueza de quem j\u00e1 tem muito, e guarda, por detr\u00e1s de muros altos, os para\u00edsos do seu deleite e dos conv\u00edvios reservados aos amigos.<\/p>\n<p>O que nos chega todos os dias deixa-nos perplexos sobre a seguran\u00e7a do presente e a esperan\u00e7a do futuro. A nossa sociedade, com os poderes que a governam, sempre preocupada em afinar com a Europa progressista, est\u00e1 perdendo a alma e transforma-se num espa\u00e7o sem vida e sem interesse. Corre veloz atr\u00e1s das novidades que surgem, nascidas do engenho de quem tem voca\u00e7\u00e3o de incendi\u00e1rio e cora\u00e7\u00e3o vazio de princ\u00edpios \u00e9ticos. Os prop\u00f3sitos inconfess\u00e1veis ou, por um tempo, muito bem disfar\u00e7ados, s\u00e3o gato roubado que n\u00e3o escondeu o rabo e facilmente d\u00e1 sentido de si. Pelo caminho arrastam ing\u00e9nuos que s\u00f3 tarde se sentem ludibriados. Haja em vista a recente campanha do referendo e a lei que se seguiu, com a falta de mem\u00f3ria de quem n\u00e3o consegue agora engolir o que disse e prometeu, restando-lhe o caminho de se impor por via da for\u00e7a ou com base na l\u00f3gica de maiorias sem suco.<\/p>\n<p>H\u00e1 tanto para fazer, se quisermos. Convic\u00e7\u00f5es com base s\u00e3o mais decisivas que emo\u00e7\u00f5es passageiras. \u00c9 sempre tempo para o mostrar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rumo que est\u00e1 a levar uma sociedade que prescinde dos valores que humanizam as rela\u00e7\u00f5es pessoais e d\u00e3o credibilidade \u00e0 vida em sociedade n\u00e3o pode deixar de preocupar quem est\u00e1 atento e quer viver com paz, alegria e esperan\u00e7a. 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