{"id":9627,"date":"2007-05-03T15:40:00","date_gmt":"2007-05-03T15:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9627"},"modified":"2007-05-03T15:40:00","modified_gmt":"2007-05-03T15:40:00","slug":"escutismo-no-centenario-da-sua-fundacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/escutismo-no-centenario-da-sua-fundacao\/","title":{"rendered":"Escutismo, no centen\u00e1rio da sua funda\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, emitida no dia 19 de Abril de 2007, sobre o \u201cmovimento de educa\u00e7\u00e3o integral da juventude\u201d criado por Robert Baden-Powell.<\/p>\n<p>1. O Escutismo foi fundado pelo general ingl\u00eas Robert Baden-Powell, em 1907 (primeiro acampamento, na ilha de Brownsea, 1907). Como se verificou, correspondia bem \u00e0s caracter\u00edsticas b\u00e1sicas da sociologia e pedagogia de crian\u00e7as, adolescentes e jovens, tendo crescido rapidamente, da Inglaterra para o Mundo. Actualmente, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Movimento Escutista estende-se por mais de duzentos pa\u00edses e territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo escutista desenvolve a vontade de conhecer e participar, da natureza para a sociedade. Tal acontece sempre em pequenas comunidades, coet\u00e2neas e sucessivas (bandos, patrulhas e equipas), de crian\u00e7as, adolescentes e jovens (lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros, na designa\u00e7\u00e3o do Corpo Nacional de Escutas). Com isto, Baden-Powell foi ao encontro quer do esp\u00edrito de aventura quer da vontade de integra\u00e7\u00e3o e perten\u00e7a dos mais novos. Partindo da\u00ed, sugeriu-lhes metas positivas de crescimento pessoal e comunit\u00e1rio e desenvolveu-lhes o sentido da responsabilidade por si e pelos outros, bem como o gosto pela vida ao ar livre e em grupo.<\/p>\n<p>Baden-Powell reconhecia a natureza como obra divina e nos seus escritos manifesta-se uma religiosidade espont\u00e2nea. A sua obra fundamental \u2013 \u201cEscutismo para rapazes\u201d (\u201cScouting for boys\u201d) \u2013 est\u00e1 repassada de gratid\u00e3o e responsabi-lidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, incutindo nos escuteiros id\u00eanticos sentimentos. Quando faleceu no Qu\u00e9nia, a 8 de Janeiro de 1941, deixou uma \u201c\u00faltima mensagem\u201d, onde se encontram as seguintes frases, bem identificativas da \u201calma do Escutismo\u201d: \u201cCreio que Deus nos colocou neste mundo encantador para sermos felizes e apreciarmos a vida. A felicidade n\u00e3o vem da riqueza, nem simplesmente do \u00eaxito de uma carreira, nem dos prazeres. [\u2026] O estudo da natureza mostrar-vos-\u00e1 as coisas belas e maravilhosas de que Deus encheu o mundo para vosso deleite. [\u2026] Mas o melhor meio para alcan\u00e7ar a felicidade \u00e9 contribuir para a felicidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrastes e, quando chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes, sentindo que ao menos n\u00e3o desperdi\u00e7astes o tempo e fizestes todo o poss\u00edvel por praticar o bem. Estai preparados desta maneira para viver e morrer felizes [\u2026], e Deus vos ajude a proceder assim\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o sendo, no seu conjunto, um movimento confessional no sentido estrito, porque Baden-Powell o via como meio de aproximar jovens de v\u00e1rios credos, no sentido da paz mundial, \u00e9, de raiz, uma pedagogia fundamentalmente religiosa, pelas convic\u00e7\u00f5es pessoais expressas do fundador: \u201cO homem de pouco vale, se n\u00e3o acreditar em Deus e obedecer \u00e0s suas leis. Por isso, todo o escuteiro deve ter uma religi\u00e3o\u201d. Ali\u00e1s, impregnou os seus escritos do ideal da antiga cavalaria crist\u00e3 e da figura de S\u00e3o Jorge, que deu como refer\u00eancia a todos os escuteiros: \u201cS. Jorge comemora-se a 23 de Abril. Nesse dia, todos os bons escuteiros se lembram de meditar sobre a sua promessa e lei\u201d.<\/p>\n<p>Com o correr do tempo e o assentimento de Baden-Powell e dos respectivos respons\u00e1veis religiosos, foram surgindo organiza\u00e7\u00f5es escutistas confessionais, a par de outras interconfessionais. <\/p>\n<p>2. A Igreja Cat\u00f3lica reconheceu as virtualidades do Escutismo para a forma\u00e7\u00e3o integral da juventude, dentro da sua confessionalidade espec\u00edfica. Em Portugal, o Escutismo Cat\u00f3lico nasceu por iniciativa de D. Manuel Vieira de Matos, arcebispo de Braga, que ficara vivamente impressionado com a participa\u00e7\u00e3o de milhares de escuteiros no Congresso Eucar\u00edstico Internacional de 1922, em Roma. Com o nome de Corpo de Scouts Cat\u00f3licos Portugueses, nasceu em Braga, em 1923, o actual Corpo Nacional de Escutas. Em 1925, o Papa Pio XI encorajou a iniciativa e o seu progresso. Em 1927, D. Manuel Vieira de Matos j\u00e1 podia dizer: \u201cO Escutismo \u00e9 a maior obra cat\u00f3lica no meu pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Tendo obtido reconhecimento das autoridades p\u00fablicas em 1923 e 1925, persistiu como movimento juvenil aut\u00f3nomo em 1936, gra\u00e7as ao empenho dos seus dirigentes e do Episcopado. Em 1983, o Corpo Nacional de Escutas \u2013 Escutismo Cat\u00f3lico Portugu\u00eas, foi reconhecido pelo Estado como Institui\u00e7\u00e3o de Utilidade P\u00fablica. <\/p>\n<p>Vivendo sobretudo da generosidade dos seus dirigentes, entre os quais de muitos padres assistentes, o Corpo Nacional de Escutas sobressai na Igreja e no Pa\u00eds como institui\u00e7\u00e3o educativa \u00edmpar, pela capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e pela persist\u00eancia ao longo dos v\u00e1rios regimes pol\u00edticos e enquadramentos s\u00f3cio-culturais, evidenciando o acerto e a fecundidade do m\u00e9todo, especialmente quanto \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o dos mais novos. Conta actualmente com cerca de um milhar de Agrupamentos, geralmente paroquiais, com cerca de 70.000 elementos, e milhares de dirigentes adultos. <\/p>\n<p>Neste ano centen\u00e1rio, saudamos todos os escuteiros portugueses, do Corpo Nacional de Escutas e das outras Associa\u00e7\u00f5es que seguem a pedagogia de Baden-Powell, reiterando a nossa admira\u00e7\u00e3o pela extraordin\u00e1ria obra realizada e a nossa confian\u00e7a quanto ao futuro.<\/p>\n<p>3. A 29 de Dezembro de 1995, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa publicou uma Exorta\u00e7\u00e3o pastoral sobre o Escutismo, escola de educa\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3, na comemora\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio do nascimento de Monsenhor Avelino Gon\u00e7alves, grande colaborador de D. Manuel Vieira de Matos na funda\u00e7\u00e3o do Corpo Nacional de Escutas.<\/p>\n<p>A\u00ed se reconheceu a actualidade pedag\u00f3gica do m\u00e9todo, bem como a sua converg\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e o contributo numa pastoral renovada. Ser\u00e1 certamente oportuno reler este documento, revendo, doze anos depois, as indica\u00e7\u00f5es nele dadas e avaliando o respectivo cumprimento. Destaquem-se, em especial, as seguintes considera\u00e7\u00f5es: \u201cComo procur\u00e1mos esclarecer oportunamente, verifica-se uma converg\u00eancia natural entre o ideal escutista e o cristianismo. A f\u00e9 crist\u00e3 fortalece o projecto educativo do Escutismo e este favorece a educa\u00e7\u00e3o da atitude da f\u00e9. Recomenda-mos, por isso, aos dirigentes e assistentes que [\u2026] valorizem a raiz e a perspectiva crist\u00e3 do Escutismo como alicerce da educa\u00e7\u00e3o integral\u201d. <\/p>\n<p>Felicitando vivamente todos os escuteiros, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa associa-se ao centen\u00e1rio do Escutismo, dando gra\u00e7as a Deus por tantos benef\u00edcios que trouxe aos milh\u00f5es de jovens que passaram pelas suas organiza\u00e7\u00f5es, pelo contributo que deu e continua a dar \u00e0 fraternidade e \u00e0 paz entre os povos e \u00e0 dimens\u00e3o religiosa que desenvolve, na fidelidade ao pensamento e proposta pedag\u00f3gica de Baden-Powell. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, emitida no dia 19 de Abril de 2007, sobre o \u201cmovimento de educa\u00e7\u00e3o integral da juventude\u201d criado por Robert Baden-Powell. 1. 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