{"id":9656,"date":"2007-05-09T11:43:00","date_gmt":"2007-05-09T11:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9656"},"modified":"2007-05-09T11:43:00","modified_gmt":"2007-05-09T11:43:00","slug":"a-vida-paroquial-tem-rosto-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-vida-paroquial-tem-rosto-feminino\/","title":{"rendered":"A vida paroquial tem rosto feminino"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia <!--more--> A situa\u00e7\u00e3o da mulher est\u00e1 a alterar-se profundamente no mundo ocidental. Do sil\u00eancio dos lares ao bul\u00edcio das profiss\u00f5es e dos ambientes de lazer. Da cultura de submiss\u00e3o \u00e0 tomada de consci\u00eancia de auto-afirma\u00e7\u00e3o, ao estilo assertivo de vida em atitudes e comportamentos. Da depend\u00eancia da natureza fisiol\u00f3gica \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do corpo e ao controle dos seus ritmos biol\u00f3gicos. Da complementaridade masculina \u00e0 reciprocidade do g\u00e9nero. Da humilde prestadora de tarefas \u00e0 lideran\u00e7a de movimentos e institui\u00e7\u00f5es. Do \u201csexo piedoso\u201d ao questionamento das raz\u00f5es da f\u00e9, da interpreta\u00e7\u00e3o dos textos sagrados e lit\u00fargicos, do exerc\u00edcio da autoridade na Igreja, do acesso ao minist\u00e9rio ordenado. <\/p>\n<p>Hoje, tudo aponta para uma consci\u00eancia nova, que se expressa de modo plural e configura um tipo de mulher progressivamente consciente de si e da sua dignidade, capaz de ir \u201cdesenhando\u201d a sua feminilidade de mil maneiras, exibindo a outra face do rosto do ser humano, da sociedade de iguais e diferentes, da Igreja em que as mulheres t\u00eam uma parte de responsabilidade e uma participa\u00e7\u00e3o igual \u00e0 dos homens (S\u00ednodo 1971).<\/p>\n<p>A par\u00f3quia constitui um \u00f3ptimo mostru\u00e1rio das fases desta evolu\u00e7\u00e3o. Na cidade e no campo. Nas \u00e1reas pastorais mais diversas. Nas circunst\u00e2ncias mais contrastantes. Nas v\u00e1rias fases et\u00e1rias de todo o itiner\u00e1rio vital humano. Com ritmos e acentua\u00e7\u00f5es diferentes. A policromia das fases salienta a complexidade interpelante da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A vida paroquial revela um rosto predominantemente feminino: na diaconia do servi\u00e7o humilde e discreto em todas as suas tonalidades, no apostolado espont\u00e2neo e organizado em redes de solidariedade, no acompanhamento a quem sofre perdas familiares e precisa de apoio para \u201cfazer o luto\u201d, no cultivo da proximidade cooperante, nas catequeses e prepara\u00e7\u00f5es sacramentais, na conserva\u00e7\u00e3o e arranjo dos templos, na participa\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e dos grupos de ora\u00e7\u00e3o, na rela\u00e7\u00e3o de ajuda que busca sentido para o que vai acontecendo. A predomin\u00e2ncia, apesar de estar suavizada, \u00e9 ainda t\u00e3o grande que, se as mulheres fizessem greve, muitas par\u00f3quias teriam que encerrar \u201cpor falta de pessoal\u201d.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da mulher na vida e miss\u00e3o da Igreja \u00e9 tema que diz respeito a todos os crist\u00e3os, designadamente aos respons\u00e1veis das comunidades eclesiais. N\u00e3o se trata apenas de funcionalidade organizativa ou de efic\u00e1cia apost\u00f3lica. Est\u00e1 tamb\u00e9m \u201cem jogo\u201d a compreens\u00e3o antropol\u00f3gica da pessoa humana, do rosto de Deus que nela se espelha, da Igreja enquanto sacramento de Jesus Cristo e da sua credibilidade na sociedade em que a paridade e a reciprocidade tendem a implantar-se e a fomentar um novo estilo de relacionamento. Tamb\u00e9m na par\u00f3quia, a institui\u00e7\u00e3o eclesial deve ser institui\u00e7\u00e3o-mensagem, capaz de realizar o que anuncia, de transmitir o que vive, de testemunhar o que a anima.<\/p>\n<p> A maioria das mulheres crist\u00e3s actua nas \u201cbases\u201d da Igreja. A extens\u00e3o do seu servi\u00e7o a outros \u00e2mbitos tem-se revelado muito lenta e cautelosa. Frequentemente surgem sinais de medo da \u201cconcorr\u00eancia\u201d e de perplexidade perante o rumo a seguir. Onde se caminha e progride na abertura a novas responsabilidades, h\u00e1 colaboradoras em organismos eclesiais em todos os n\u00edveis: da par\u00f3quia, do arciprestado, da diocese, da Santa S\u00e9. Tamb\u00e9m se v\u00e3o afirmando como l\u00edderes eleitas em grupos, movimentos, comunidades eclesiais de base, associa\u00e7\u00f5es de orientadores da fam\u00edlia, organismos internacionais. <\/p>\n<p>\u00c9 j\u00e1 frequente encontrar a sua presen\u00e7a em \u00f3rg\u00e3os de aconselhamento e de discernimento, ainda que seja em cotas m\u00ednimas. Muito mais rara \u00e9 sua participa\u00e7\u00e3o em inst\u00e2ncias de reflex\u00e3o que se pronunciam sobre o sentido das orienta\u00e7\u00f5es a tomar ou em que o seu parecer \u00e9 assumido com valor decis\u00f3rio. Apesar de minorit\u00e1ria, esta presen\u00e7a alenta a esperan\u00e7a de quem deseja construir uma par\u00f3quia renovada e inclusiva, a partir dos dons do Esp\u00edrito e da prem\u00eancia dos sinais dos tempos. Oxal\u00e1 que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, a Igreja, por inc\u00faria, in\u00e9rcia ou medo de implementar as reformas indispens\u00e1veis, n\u00e3o venha a encontrar-se com situa\u00e7\u00f5es parecidas com as que vive(u) noutras \u00e1reas humanas, designadamente  a dos oper\u00e1rios\/prolet\u00e1rios, dos investigadores cientistas, dos criadores de cultura, dos agentes pol\u00edticos e econ\u00f3micos.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia est\u00e1 vocacionada para ser, por excel\u00eancia, o espa\u00e7o do reconhecimento da mulher por si mesma e n\u00e3o por uma quest\u00e3o de moda ou de arranjo artificial. Com efeito, \u00e9 composta de fam\u00edlias que, normalmente, se fazem presentes por meio da m\u00e3e. Confia-lhe a maior parte das tarefas ou servi\u00e7os est\u00e1veis. Conta com ela, de forma especial, na rede geral de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o \u00e0 vizinhan\u00e7a e a outros residentes. Acompanha e, por vezes, promove a sua valoriza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. Ausculta nos grupos e assembleias o seu sentir e modo de ver as quest\u00f5es. Apercebe-se da escala de valores que orienta a sua vida e vai transmitindo em sociedade. <\/p>\n<p>Disp\u00f5e assim de indicadores consistentes para fazer algumas verifica\u00e7\u00f5es que, tidas em conta, podem definir novos rumos \u00e0 rela\u00e7\u00e3o \u201cde for\u00e7as\u201d entre os membros da comunidade paroquial e efectivar o reconhecimento desejado.<\/p>\n<p>Este reconhecimento n\u00e3o acontece por acaso. Exige disponibilidade ao Esp\u00edrito, sentido de Igreja, aten\u00e7\u00e3o aos desafios emergentes em muitas situa\u00e7\u00f5es, aceita\u00e7\u00e3o de que a renova\u00e7\u00e3o pretendida inclui necessariamente muitos aspectos da altera\u00e7\u00e3o em curso, esfor\u00e7o abnegado e paci\u00eancia hist\u00f3rica das mulheres, empenho de toda a comunidade paroquial.<\/p>\n<p>Em linguagem metaf\u00f3rica, a par\u00f3quia, \u00e0 maneira da ave em pleno voo, encontra o equil\u00edbrio e o rumo da sua renova\u00e7\u00e3o valorando as suas duas asas: o homem e a mulher, membros por igual da nossa comum humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-9656","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9656\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}