{"id":9676,"date":"2007-05-09T14:45:00","date_gmt":"2007-05-09T14:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9676"},"modified":"2007-05-09T14:45:00","modified_gmt":"2007-05-09T14:45:00","slug":"desigualdades-sociais-uma-proposta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/desigualdades-sociais-uma-proposta\/","title":{"rendered":"Desigualdades sociais &#8211; uma proposta"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es sociais <!--more--> No Ver\u00e3o de 1942, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Jacques Maritain escreveu um livro precioso, intitulado \u00abCristianismo e Democracia\u00bb. O livro, escrito em plena guerra, cont\u00e9m uma proposta consistente para os tempos de paz.O Autor afirma, logo no pref\u00e1cio: \u00abo que se podia esperar, o que se pode e deve esperar \u00e9 que a Vit\u00f3ria, ao destruir a servid\u00e3o totalit\u00e1ria, n\u00e3o se limite a desimpedir a hist\u00f3ria, e abrir a possibilidade de um trabalho construtivo, mas estabele\u00e7a realmente as condi\u00e7\u00f5es positivas preliminarmente exigidas para esse trabalho\u00bb (edi\u00e7\u00e3o da Livraria Agir, Rio de Janeiro, 1964, p. 18).<\/p>\n<p>Felizmente, aconteceu uma forte converg\u00eancia de correntes de pensamento e de for\u00e7as pol\u00edticas defensoras desta mesma orienta\u00e7\u00e3o. Os partidos pol\u00edticos de inspira\u00e7\u00e3o social-democrata e democrata crist\u00e3, com estas ou outras designa\u00e7\u00f5es, puseram-nas em pr\u00e1tica ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas. Exagerando um pouco, at\u00e9 se falou nos \u00abgloriosos trinta anos\u00bb subsequentes \u00e0 guerra.<\/p>\n<p>O livro de J. Maritain inclui uma passagem deveras significativa, relacionada com as desigualdades sociais. Vale a pena transcrev\u00ea-la: \u00abdesperto a si pr\u00f3prio pelo movimento da civiliza\u00e7\u00e3o, sabe o homem da humanidade comum que hoje a sua idade chegou, caso consiga triunfar da corrup\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria e n\u00e3o seja por ela devorado. Sabe que a ideia de uma casta, de uma classe ou de uma ra\u00e7a hereditariamente constitu\u00edda, como senhora e dominadora, deve ceder o lugar a uma comunidade de homens livres, iguais em direitos e iguais no trabalho, bem como \u00e0 ideia de uma elite do esp\u00edrito e do trabalho que provenha do povo sem dele se isolar(&#8230;)\u00bb (pp. 58-59). Mais adiante, acrescenta o Autor: atrav\u00e9s das pr\u00f3prias \u00abdesigualdades funcionais, exigidas pela vida social, deve a igualdade reestabelecer-se num n\u00edvel mais elevado, frutificando na possibilidade para todos de alcan\u00e7arem uma vida digna do homem, no gozo, a todos garantido, dos bens materiais e espirituais de uma tal vida, e na participa\u00e7\u00e3o real de cada um, segundo suas capacidades e seus m\u00e9ritos, na actividade comum e na heran\u00e7a comum da civiliza\u00e7\u00e3o\u00bb (p. 59).<\/p>\n<p>Muito denso, este texto encerra a base nuclear de um verdadeiro programa pol\u00edtico. Ao longo dos referidos trinta anos, prevaleceu, na Europa democr\u00e1tica e em grau vari\u00e1vel naturalmente, a orienta\u00e7\u00e3o aqui preconizada.Verificou-se um crescimento econ\u00f3mico extraordin\u00e1rio e, em simult\u00e2neo, a diminui\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais. O caminho era estreito e dif\u00edcil, \u00e0 partida, mas tornou-se muito amplo e promissor.<\/p>\n<p>Infelizmente, n\u00e3o foram evitados os extremos inadmiss\u00edveis da pobreza e da riqueza. E, pior do que isso, n\u00e3o estamos preparados para a elimina\u00e7\u00e3o de tais extremos. Pelo contr\u00e1rio, arriscamo-nos a n\u00e3o serem mantidos os patamares de igualdade social relativa atingidos no passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-9676","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9676"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9676\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}