{"id":9677,"date":"2007-05-09T14:47:00","date_gmt":"2007-05-09T14:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9677"},"modified":"2007-05-09T14:47:00","modified_gmt":"2007-05-09T14:47:00","slug":"pais-precisam-se-urgentemente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pais-precisam-se-urgentemente\/","title":{"rendered":"Pais precisam-se, urgentemente"},"content":{"rendered":"<p>Pelo modo de falar de muita gente, parece que o pai est\u00e1 a mais na fam\u00edlia e no processo normal da educa\u00e7\u00e3o dos filhos, crian\u00e7as ou jovens. Indispens\u00e1vel para o ganha-p\u00e3o, mas dispens\u00e1vel para outras coisas n\u00e3o menos essenciais a uma fam\u00edlia equilibrada e feliz.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil a vida de muitos casais com filhos pequenos. Dispers\u00e3o e a dureza do trabalho em circunst\u00e2ncias dif\u00edceis, outras ocupa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m importantes, aus\u00eancias inevit\u00e1veis, \u00e0s vezes por tempo longo, marcam hoje a vida de muitas fam\u00edlias. O problema agrava-se nas fam\u00edlias monoparentais, com as m\u00e3es solteiras e com a facilidade com que se opta e decide pelo div\u00f3rcio. Vai parecendo, nestes casos que se multiplicam, que \u00e9 mais importante a realiza\u00e7\u00e3o subjectiva dos esposos ou de cada um, que a necessidade de os filhos terem pais, unidos e que se amem, presentes e activos ante os desafios de gente que cresce e sonha.<\/p>\n<p>H\u00e1 m\u00e3es her\u00f3icas, como h\u00e1 pais her\u00f3icos. Se insisto na presen\u00e7a urgente do pai para uma boa viv\u00eancia familiar, \u00e9 porque, hoje, a sua aus\u00eancia \u00e9 mais notada, maiores consequ\u00eancias desta, e cresce o n\u00famero dos pais que se dispensam de estar presentes. <\/p>\n<p>Na campanha recente que acabou por legalizar o aborto, por caminhos \u00ednvios e camuflados, p\u00f4de ver-se que, para muita gente, o pai n\u00e3o contava para a decis\u00e3o da m\u00e3e abortar. A interessada era ela, fosse ela quem fosse. Trazia o filho no seio, como se fosse apenas seu, e era a dona do seu corpo\u2026 N\u00e3o vimos pais a reivindicar o direito de pron\u00fancia e de decis\u00e3o numa causa t\u00e3o grave e s\u00e9ria, que diz respeito tanto ao pai, como \u00e0 m\u00e3e. E parece que a lei e a sua regulamenta\u00e7\u00e3o vai mesmo no sentido de esquecer os pais ou de os calar. O pai n\u00e3o vem ao caso e at\u00e9 pode complicar\u2026<\/p>\n<p>Sem pai n\u00e3o h\u00e1 filho. Mesmo que este se desenvolva na proveta de um laborat\u00f3rio, o pai ser\u00e1 sempre uma refer\u00eancia necess\u00e1ria para a crian\u00e7a que nasce e, por isso mesmo, uma presen\u00e7a indispens\u00e1vel no seio da fam\u00edlia e no direito e dever de educar cada filho. Se toda a omiss\u00e3o \u00e9 consequente, esta \u00e9 ainda mais. N\u00e3o o entendem assim os que, eivados de uma mentalidade est\u00e9ril pela pobreza da sua viv\u00eancia de humanidade e falta de dimens\u00e3o antropol\u00f3gico, negam que a diferencia\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 irrelevante, porque o que conta \u00e9 o amor. Mas que amor, e com que conte\u00fado e sentido? <\/p>\n<p>J\u00e1 come\u00e7ou, no seio do partido dominante, a preparar-se a opini\u00e3o p\u00fablica para que o pr\u00f3ximo dia da Rep\u00fablica seja boa ocasi\u00e3o para legitimar \u201ccelebra\u00e7\u00f5es fracturantes\u201d, como o casamento dos homossexuais e a adop\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as por estes casais. Assim, diz-se, se poder\u00e3o implementar os \u201cvalores republicanos\u201d e actualizar o C\u00f3digo Civil\u2026 N\u00e3o h\u00e1, num pa\u00eds como o nosso, normalmente de reac\u00e7\u00e3o tardia ao vazio das ideias e f\u00e1cil de enganar com floreados e sorrisos, caminho mais aberto para que passe, impante e impune, o cortejo da incultura e da contra cultura. Podemos tamb\u00e9m chamar-lhe o cortejo da \u201cdemocracia musculada\u201d, dado que esta, cada vez mais ausente e pobre, s\u00f3 parece ter a for\u00e7a e a raz\u00e3o do decantado estatuto da maioria parlamentar e governativa. <\/p>\n<p>\u00c9 evidente que autoridade do pai n\u00e3o se pode anular sem consequ\u00eancias, nem se pode camuflar ao dizer com vaidade \u201csou um irm\u00e3o mais velho para os meus filhos\u201d. Pai \u00e9 pai, irm\u00e3o \u00e9 irm\u00e3o. As subvers\u00f5es de uma realidade natural como esta, t\u00eam sempre pre\u00e7o alto e correc\u00e7\u00e3o dif\u00edcil.<\/p>\n<p>A autoridade do pai, em comunh\u00e3o com a da m\u00e3e, n\u00e3o se exerce, por certo, \u00e0 maneira do \u201cquero, posso e mando\u201d, doutros tempos, ainda acompanhado do grito ou da bofetada. Traduz-se no respeito pelo filho, na aceita\u00e7\u00e3o de quem ouve, aprecia e dialoga, na refer\u00eancia de uma vida adulta e s\u00e9ria, no testemunho insubstitu\u00edvel de quem ama, no cuidado em organizar a vida, sem p\u00f4r os filhos em lugar onde j\u00e1 n\u00e3o chega nem o tempo, nem a paci\u00eancia. Um pai que se anula como pai, enfraquece e destr\u00f3i a fam\u00edlia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo modo de falar de muita gente, parece que o pai est\u00e1 a mais na fam\u00edlia e no processo normal da educa\u00e7\u00e3o dos filhos, crian\u00e7as ou jovens. 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