{"id":9696,"date":"2007-05-31T15:21:00","date_gmt":"2007-05-31T15:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9696"},"modified":"2007-05-31T15:21:00","modified_gmt":"2007-05-31T15:21:00","slug":"perdao-acolhido-vivenciado-celebrado-e-repartido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/perdao-acolhido-vivenciado-celebrado-e-repartido\/","title":{"rendered":"Perd\u00e3o acolhido, vivenciado, celebrado e repartido"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia <!--more--> O confession\u00e1rio constitui um s\u00edmbolo da preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja em acolher as pessoas desejosas de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz ou habituadas ao cumprimento da pr\u00e1tica penitencial. A sua configura\u00e7\u00e3o \u00e9 diversa ao longo da hist\u00f3ria, estando muito relacionada com a compreens\u00e3o da doutrina sobre o pecado e seus efeitos na vida das pessoas, na institui\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica e na comunidade eclesial. <\/p>\n<p>Desde as catacumbas dos m\u00e1rtires, onde aparecem uns bancos escavados na rocha para o bispo se sentar e atender quem pretenda confessar-se, at\u00e9 ao m\u00f3vel colocado no templo paroquial, o confession\u00e1rio reveste v\u00e1rias formas em ordem a tornar vis\u00edvel o que se passa no seu interior: duas pessoas que se encontram, em nome de Deus, para que o perd\u00e3o tome rosto humano e seja recebido como dom especial a quem o acolhe; duas pessoas devidamente identificadas, iguais em dignidade, mas diferentes nas fun\u00e7\u00f5es; duas pessoas prontas a estabelecerem uma rela\u00e7\u00e3o de ajuda que tem \u201co selo\u201d de Deus, embora condicionada pelo \u201cjeito\u201d humano; duas pessoas recolhidas num espa\u00e7o ex\u00edguo e silencioso, que realizam, em privado, uma ac\u00e7\u00e3o sacramental pr\u00f3pria de toda a Igreja; duas pessoas conscientes do alcance dos malef\u00edcios do pecado, mas peregrinas do amor que tudo cura e supera.<\/p>\n<p>Miss\u00e3o nem sempre apreciada<\/p>\n<p>O confessor nem sempre \u00e9 apreciado na sua nobre miss\u00e3o de sinal acess\u00edvel da miseric\u00f3rdia de Deus; de \u201cagente\u201d de sa\u00fade integral ao servi\u00e7o de Jesus Cristo, m\u00e9dico divino; de mestre e guia que proporciona ao penitente a luz do Esp\u00edrito Santo, a fim de interpretar rectamente a situa\u00e7\u00e3o em que se encontra e querer san\u00e1-la; de juiz que, conjugando todos os elementos declarados pelo penitente, absolve com autoridade divina o pecado cometido e potencia a gra\u00e7a recebida; de ministro da Igreja samaritana que se rev\u00ea no processo de reconcilia\u00e7\u00e3o como forma de acompanhamento a quem pretende refazer ou intensificar a sua vida crist\u00e3; de interlocutor do penitente que nem sempre v\u00ea com clareza nem avalia com rectid\u00e3o os actos que est\u00e3o no centro das suas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o da absolvi\u00e7\u00e3o expressa de modo sublime a riqueza desta miss\u00e3o, mas a pr\u00e1tica pastoral mostra \u00e0 evid\u00eancia quanto \u00e9 preciso fazer para que o sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o reapare\u00e7a na sua nobre fun\u00e7\u00e3o e seja apreciado nos seus efeitos positivos. Integrado na celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria ou realizado com um s\u00f3 penitente, este sacramento \u00e9 o mais personalizado de todos os sacramentos e constitui uma esp\u00e9cie de direito fundamental derivado, que a Igreja coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p>Locais do confession\u00e1rio<\/p>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o do confession\u00e1rio \u00e9 sintom\u00e1tica da riqueza do significado que a pr\u00e1tica penitencial lhe atribui. Em cada s\u00edtio escolhido est\u00e1 presente um sentido que vale a pena considerar. Assim, o seu lugar \u00e9 escondido no tempo da persegui\u00e7\u00e3o; exposto no adro da igreja paroquial ou situado \u00e0 entrada da parte de dentro do templo, no per\u00edodo da penit\u00eancia p\u00fablica; recolhido na sacristia, \u201carrumado\u201d nas capelas laterais ou nos recantos do espa\u00e7o interior, alinhado junto \u00e0s paredes interiores da igreja, \u201cdisperso\u201d no meio da multid\u00e3o e apenas reconhec\u00edvel por uma sinalefa, quando se acentua a confiss\u00e3o privada e a rela\u00e7\u00e3o individual com Deus por meio do confessor; colocado num local \u201cnobre\u201d da igreja e \u201cpr\u00f3ximo\u201d do altar da celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia, para acentuar o alcance pessoal e comunit\u00e1rio daquele acto que parece meramente individual.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o paroquial nascida do amor que se multipla em iniciativas de evangeliza\u00e7\u00e3o e de reconcilia\u00e7\u00e3o, acolhe, vivencia, celebra e reparte o perd\u00e3o recebido nas mais diversas circunst\u00e2ncias. Faz-se ela mesma ve\u00edculo e rosto da gra\u00e7a de Deus, que, \u00e0 maneira de seiva, est\u00e1 presente e revitaliza a comunidade familiar e a conviv\u00eancia social. <\/p>\n<p>Configurada pelo negativo da limita\u00e7\u00e3o humana, tudo nela e por ela est\u00e1 sujeito \u00e0 desarmonia, ao conflito injusto, \u00e0 desgra\u00e7a, ao pecado. Mas tamb\u00e9m tudo \u00e9 pass\u00edvel de receber e de dar o perd\u00e3o, de promover a reconcilia\u00e7\u00e3o, de gerar novamente a comunh\u00e3o: Ora\u00e7\u00e3o, leitura da Palavra, pr\u00e1tica da caridade e comunica\u00e7\u00e3o de bens, celebra\u00e7\u00f5es sacramentais, sobretudo a da eucaristia e a da penit\u00eancia. Merece destaque especial o estilo de vida que, no seu sil\u00eancio eloquente, fala mais alto e de forma mais eficaz que muitos discursos e mensagens.  <\/p>\n<p>S\u00edmbolo da reconcilia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O confession\u00e1rio tem a sua raz\u00e3o de ser enquanto s\u00edmbolo de um vasto processo de reconcilia\u00e7\u00e3o. Do ser humano consigo mesmo, pois todos estamos \u201cferidos\u201d pela nossa finitude exposta a desvios e desmandos. Das pessoas entre si que, do ber\u00e7o \u00e0 sepultura, vivem emo\u00e7\u00f5es negativas e outras formas de n\u00e3o humanidade. Das classes (ou corpora\u00e7\u00f5es) sociais que sobrep\u00f5em o interesse particular ao bem comum dos colegas, dos concidad\u00e3os, do pa\u00eds, das Na\u00e7\u00f5es. Das Igrejas que, sentindo a for\u00e7a do pecado da divis\u00e3o, v\u00e3o lentamente caminhando na aproxima\u00e7\u00e3o e na uni\u00e3o. Por isso, \u00e9 preciso abrir-lhe as portas, descobrir o encanto e a beleza dos seus horizontes, apreciar o alcance do seu simbolismo.<\/p>\n<p>Este processo global \u00e9 evocado por aquele s\u00edmbolo, talvez envelhecido e desprezado, objecto de chacota em formas romanceadas de comunica\u00e7\u00e3o, mas reconhecido e cantado por quem descobre o seu alcance, recorre a ele quando necessita e tenta dar-lhe uma configura\u00e7\u00e3o atraente e confort\u00e1vel, ainda que minimamente.<\/p>\n<p>O rito da reconcilia\u00e7\u00e3o de um penitente p\u00f5e a claro a dimens\u00e3o humana deste processo global: preparar o encontro, acolher as pessoas, ler para escutar a Palavra de Deus sobre a condi\u00e7\u00e3o humana, narrar com verdade e sem falsas culpas ou desculpas o que aconteceu, reapreciar os crit\u00e9rios com que avalia a sua situa\u00e7\u00e3o, aceitar a parte da responsabilidade que lhe cabe, reparando ofensas ou outras formas de desamor ego\u00edsta e assumindo prop\u00f3sitos de preven\u00e7\u00e3o e melhoramento na sua vida face ao futuro, acolher com humildade a reconcilia\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada e ser testemunha do perd\u00e3o de Deus no mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-9696","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9696\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}