{"id":9753,"date":"2007-05-16T15:09:00","date_gmt":"2007-05-16T15:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9753"},"modified":"2007-05-16T15:09:00","modified_gmt":"2007-05-16T15:09:00","slug":"caixa-de-ressonancia-da-realidade-juvenil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/caixa-de-ressonancia-da-realidade-juvenil\/","title":{"rendered":"Caixa de resson\u00e2ncia da realidade juvenil"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia <!--more--> A par\u00f3quia \u00e9, certamente, a institui\u00e7\u00e3o religiosa que mais marcas deixa nos jovens. Positiva e negativamente. Psicol\u00f3gica e espiritualmente. No tempo em que gravitam \u00e0 sombra da torre da igreja e ao longo da vida, quando, pelas mais diversas raz\u00f5es, se afastam. Nas fases normais de crescimento e amadurecimento e nos per\u00edodos da crise intempestiva e provocat\u00f3ria. <\/p>\n<p>Os jovens manifestam-se como uma realidade diversificada complexa. Em todas as \u00e1reas da sua configura\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e social. Em todas as express\u00f5es da originalidade do seu ser e da autenticidade do seu proceder, sobretudo a n\u00edvel de rela\u00e7\u00f5es interpessoais e geracionais.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o paroquial, na sua vida comunit\u00e1ria, constitui um observat\u00f3rio privilegiado desta complexidade e \u201cuma caixa de resson\u00e2ncia\u201d daquelas marcas, deixando \u201ca claro\u201d desafios que exigem resposta adequada.<\/p>\n<p>Alguns jovens, durante uma fase qualificada da vida, assumem um papel de verdadeiro protagonismo nos servi\u00e7os paroquiais: lideran\u00e7a de grupos, anima\u00e7\u00e3o de assembleias, caminhadas catequ\u00e9ticas e crismais, promo\u00e7\u00e3o de iniciativas ocasionais, festas e espa\u00e7os de entretenimento, \u00f3rg\u00e3os de reflex\u00e3o e discernimento. Outros mant\u00eam-se na \u00e1rea de influ\u00eancia da comunidade crist\u00e3, tomando parte nas celebra\u00e7\u00f5es dominicais, comparecendo quando s\u00e3o convocados, colaborando ocasionalmente na realiza\u00e7\u00e3o de tarefas. Outros ainda marcam presen\u00e7a nas festas populares da terra, nos momentos cruciais da vida, sobretudo aquando da morte de amigos e familiares, ou por ocasi\u00e3o de grandes acontecimentos pessoais com dimens\u00e3o religiosa e social: baptismos, casamentos, regresso feliz de uma miss\u00e3o de risco. <\/p>\n<p>Apesar da expressividade do n\u00famero envolvido e da sua qualidade, \u00e9 reduzido o impacto no \u201cmundo\u201d das juventudes, na Igreja e na sociedade. A sensa\u00e7\u00e3o que a maioria dos jovens projecta da sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 plural, girando em volta de alguns pontos nucleares, designadamente: estarem numa igreja envelhecida e clerical, frequentarem celebra\u00e7\u00f5es cheias de ritos incompreens\u00edveis e arcaicos, ouvirem doutrinas moralizantes em linguagens esquisitas e inacess\u00edveis, serem \u201clembrados\u201d apenas como prestadores de servi\u00e7os, estarem convencidos que a Igreja e a sociedade caminham em vias paralelas e de que a f\u00e9 constitui frequentemente um estorvo para obter \u00eaxito e singrar na vida profissional.<\/p>\n<p>Por seu lado, os respons\u00e1veis paroquiais aparecem frequentemente a realizar fun\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e formais, pouco inovadoras e sem horizontes, vinculadas a um sagrado sem rosto atraente, conotadas com posi\u00e7\u00f5es ultrapassadas e contrapostas \u00e0 onda de sucessos f\u00e1ceis, desligadas da realidade da vida, sobretudo naquilo que ela tem de melhor: a amizade, a festa, a doa\u00e7\u00e3o, a liberdade, a comunica\u00e7\u00e3o, a experimenta\u00e7\u00e3o. Estes valores fazem parte das identidades configuradoras juvenis e, embora comportem ambiguidades, t\u00eam muito a ver com o Evangelho que a comunidade crist\u00e3 da par\u00f3quia pretende servir com fidelidade e const\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A amizade vai abrindo o jovem aos outros, criando novas formas de rela\u00e7\u00e3o. Ajuda-o a vencer o ensimesmamento e a entrar na comunh\u00e3o e na partilha do turbilh\u00e3o das suas emo\u00e7\u00f5es e reac\u00e7\u00f5es. Proporciona-lhe um n\u00edvel de vida qualificado: sai de si, sente-se bem, ajuda e \u00e9 ajudado, intensifica a reciprocidade, ama o gratuito, aprecia o prazenteiro da doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A festa brota da alegria, do encontro, do reconhecimento comum, da celebra\u00e7\u00e3o de algo que irmana e faz exultar. A dimens\u00e3o festiva revela a vida \u201cem explos\u00e3o\u201d e manifesta-se exuberante nas idades juvenis. Reveste muitos ritmos, tons e sons. <\/p>\n<p>O seu desejo de serem livres \u00e9 natural e irreprim\u00edvel. N\u00e3o imaginam um outro modo de vida pessoal nem societ\u00e1rio. Muito menos eclesial. A compreens\u00e3o da liberdade parece evoluir da capacidade de dispor de si a seu bel-prazer, seguindo as suas apet\u00eancias, para uma outra dimens\u00e3o: a de ser livre para servir por amor, a de renunciar a si e aos seus direitos pela felicidade dos demais. A disponibilidade radical para o servi\u00e7o pode chegar \u00e0 liberdade do m\u00e1rtir, que prefere afirmar a nobreza da causa que defende a manter a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Outro valor muito apreciado pela gera\u00e7\u00e3o nova \u00e9 o estar em comunica\u00e7\u00e3o, sempre em linha, sobretudo com os amigos e colegas, poder enviar e receber mensagens de todo o tipo. O s\u00edmbolo por excel\u00eancia deste modo de ser \u00e9, por enquanto, o telem\u00f3vel, mas n\u00e3o tardar\u00e1 a surgir e a generalizar-se outro ainda mais eficaz. O estar conectado abre a uma nova dimens\u00e3o que o zapping proporciona: alcan\u00e7ar rapidamente uma vis\u00e3o global do que \u00e9 not\u00edcia na humanidade ou poder visionar um programa aliciante.<\/p>\n<p>A \u00e2nsia de tudo experimentar e de buscar coisas sempre novas e radicais \u00e9 outra caracter\u00edstica da maioria dos jovens actuais. Aflige-os o repetitivo e o mon\u00f3tono. D\u00e1-lhes enorme alegria a satisfa\u00e7\u00e3o imediata do que apetece e seduz, do que brota espont\u00e2neo e n\u00e3o tem que ser justificado perante ningu\u00e9m. A sensibilidade juvenil orienta-se mais facilmente pelo radar do que pela b\u00fassola, j\u00e1 que n\u00e3o tem um norte fixo, mas oscila conforme a intensidade dos est\u00edmulos que capta.<\/p>\n<p>Estes tra\u00e7os do modo de ser e de estar dos jovens constituem apenas uma amostra do que vai acontecendo, tamb\u00e9m entre n\u00f3s. Emerge e afirma-se cada vez mais uma nova compreens\u00e3o da vida, da sociedade, da miss\u00e3o da Igreja, da fun\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia. A cidadania, a n\u00edvel civil, e o crist\u00e3o amadurecido na f\u00e9 capaz de dar as raz\u00f5es da sua esperan\u00e7a, a n\u00edvel eclesial, pretendem expressar a novidade que desponta no meio de tanta ambiguidade e necessita de ser assumida e interpretada. S\u00f3 assim se podem lan\u00e7ar pontes de uni\u00e3o, alicer\u00e7ar projectos de evangeliza\u00e7\u00e3o e lan\u00e7ar planos de renova\u00e7\u00e3o global. <\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua dos jovens com a par\u00f3quia evidencia como ambos se necessitam e podem complementar. \u00c9 do interesse de todos que se congreguem esfor\u00e7os e se promova a permuta de dons. A comunidade paroquial poder\u00e1 dispor dos valores juvenis e, com eles, se enriquecer e estes poder\u00e3o contar com a seguran\u00e7a daquela. Entretanto, h\u00e1 que percorrer um apaixonante caminho, de forma ousada e confiante. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-9753","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9753"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9753\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}