{"id":977,"date":"2010-03-17T17:25:00","date_gmt":"2010-03-17T17:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=977"},"modified":"2010-03-17T17:25:00","modified_gmt":"2010-03-17T17:25:00","slug":"as-pandemias-silenciadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-pandemias-silenciadas\/","title":{"rendered":"As pandemias silenciadas"},"content":{"rendered":"<p>Direitos Humanos <!--more--> Estamos a terminar o Inverno e, com o seu final, termina o per\u00edodo considerado mais cr\u00edtico para a tem\u00edvel pandemia da Gripe A, uma das doen\u00e7as (previsivelmente) mais \u201cletais\u201d e, consequentemente, mais mediatizadas.<\/p>\n<p>S\u00f3 para Portugal, as previs\u00f5es estimavam que, a confirmar-se a pandemia, o nosso pa\u00eds poderia chegar a dois e at\u00e9 tr\u00eas milh\u00f5es de casos! A doen\u00e7a seria t\u00e3o letal que se cifraria em 75 mil o n\u00famero de pessoas que seriam vitimadas mortalmente pela gripe su\u00edna! N\u00fameros divulgados pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical.<\/p>\n<p>A pandemia foi confirmada pela OMS \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, em Junho de 2009. Mas segundo os \u00faltimos dados oficiais \u2013 final do passado m\u00eas de Fevereiro \u2013 em Portugal tinham sido registados 195 mil casos, havendo a lamentar 106 \u00f3bitos.<\/p>\n<p>Importa, por isso, comparar com outros dados. Os n\u00fameros das chamadas doen\u00e7as \u201cnegligenciadas\u201d, \u201cesquecidas\u201d ou, como prefiro cham\u00e1-las; \u201cdoen\u00e7as silenciadas\u201d.<\/p>\n<p>Nelas se incluem a mal\u00e1ria, a c\u00f3lera, a tuberculose, leishmaniose, hanseniase (lepra), as doen\u00e7as do sono e de Chagas, ou dengue, que sofri na primeira pessoa, quando estive em Miss\u00e3o. <\/p>\n<p>Os n\u00fameros: a mal\u00e1ria mata, anualmente, uma m\u00e9dia de 2 milh\u00f5es de pessoas. S\u00e3o principalmente crian\u00e7as e mulheres gr\u00e1vidas. Uma morte a cada 30 segundos.<\/p>\n<p>O arbov\u00edrus que causa a dengue \u2013 com altos graus de mortalidade no caso de dengue hemorr\u00e1gica \u2013 infecta, anualmente, 100 milh\u00f5es de pessoas, principalmente na \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina. E o recente caso da epidemia em Cabo Verde mostra que o v\u00edrus est\u00e1 a chegar a lugares onde n\u00e3o era end\u00e9mico.<\/p>\n<p>O enviado especial da ONU na Luta Contra a Tuberculose, o ex-presidente Jorge Sampaio, continua a denunciar que o bacilo da Tuberculose ainda infecta uma m\u00e9dia de 10 milh\u00f5es de pessoas por ano e mata, por dia, 5 mil pessoas.  <\/p>\n<p>90% dos casos de C\u00f3lera est\u00e3o em \u00c1frica. Durante os surtos mais graves, ocorridos recentemente em Mo\u00e7ambique ou no Zimbabwe, chegaram a morrer 3 mil pessoas por dia.   <\/p>\n<p>O VIH\/Sida \u00e9 mais medi\u00e1tico, mas a maioria da popula\u00e7\u00e3o talvez n\u00e3o tenha consci\u00eancia de que s\u00f3 em \u00c1frica h\u00e1, oficialmente, cerca de 30 milh\u00f5es de pessoas infectadas. O n\u00famero de casos n\u00e3o registados \u00e9 bastante maior, mas esta cifra j\u00e1 d\u00e1 cerca de 2,5 milh\u00f5es de \u00f3bitos por ano! <\/p>\n<p>Estes n\u00fameros realmente impressionam, mas o importante \u00e9 que nos fa\u00e7am reflectir sobre os in\u00fameros dramas que, t\u00e3o distantes dos pa\u00edses que criam as not\u00edcias, n\u00e3o fazem as manchetes dos jornais, r\u00e1dios, televis\u00f5es e acabam por cair no esquecimento.<\/p>\n<p>Efectivamente, as \u201cdoen\u00e7as silenciadas\u201d s\u00e3o, na sua maioria, doen\u00e7as infecto-contagiosas e parasit\u00e1rias tropicais que atingem as regi\u00f5es mais populosas, mas tamb\u00e9m as mais pobres do planeta. E a realidade \u00e9 que os pobres n\u00e3o possibilitam grandes lucros. Da\u00ed que a ind\u00fastria farmac\u00eautica n\u00e3o mostre grande interesse na pesquisa e no desenvolvimento de medicamentos que permitam combater os flagelos daquelas epidemias. Muitos dos medicamentos usados s\u00e3o os mesmos que j\u00e1 eram conhecidos h\u00e1 20, 30 ou at\u00e9 50 anos atr\u00e1s! <\/p>\n<p>Curiosamente, a mesma ind\u00fastria farmac\u00eautica interessou-se rapidamente pela Gripe A. Fala-se at\u00e9 que pode estar envolvida na origem\/dissemina\u00e7\u00e3o do H1N1. Verdade ou n\u00e3o, o certo \u00e9 que o valor das ac\u00e7\u00f5es dos quatro gigantes da ind\u00fastria de vacinas \u2014 GlaxoSmithKline, Novartis, Sanofi e Baxter \u2014 cresceu, em m\u00e9dia 35%, desde Junho de 2009. Com a venda de 600 milh\u00f5es de doses de vacinas contra o H1N1, as mesmas empresas j\u00e1 embolsaram cinco mil milh\u00f5es de euros. Sem falar nos milh\u00f5es de lucro que vieram da comercializa\u00e7\u00e3o de antivirais, m\u00e1scaras e desinfectantes para as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Tudo isto \u00e9, no m\u00ednimo, curioso\u2026 E deveras revoltante!<\/p>\n<p>At\u00e9 2015, um dos 8 Objectivos de Desenvolvimento do Mil\u00e9nio prev\u00ea um investimento generalizado no combate ao VIH\/SIDA, Mal\u00e1ria e outras doen\u00e7as graves. \u00c9 um repto a aceitar! Por\u00e9m, julgo que nada se conseguir\u00e1 se a Opini\u00e3o P\u00fablica n\u00e3o estiver sensibilizada e n\u00e3o conseguir pressionar autoridades, empresas farmac\u00eauticas e outros organismos mundiais que possam, efectivamente, ajudar a combater as verdadeiras pandemias. Pandemias, essas sim, bem s\u00e9rias e que, \u201csilenciadas\u201d, continuam a fazer milh\u00f5es de v\u00edtimas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos Humanos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-977","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/977\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}