{"id":9776,"date":"2007-05-16T15:55:00","date_gmt":"2007-05-16T15:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9776"},"modified":"2007-05-16T15:55:00","modified_gmt":"2007-05-16T15:55:00","slug":"as-criancas-e-os-meios-de-comunicacao-social-um-desafio-para-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-criancas-e-os-meios-de-comunicacao-social-um-desafio-para-a-educacao\/","title":{"rendered":"As crian\u00e7as e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social: um desafio para a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o 41\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que se celebra este ano a 20 de Maio, Domingo da Ascens\u00e3o.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s:<\/p>\n<p>1. O tema do 41\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, \u00abAs crian\u00e7as e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social: um desafio para a educa\u00e7\u00e3o\u00bb, convida-nos a reflectir sobre dois assuntos de imensa import\u00e2ncia. A forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e9 o primeiro. O segundo, talvez menos \u00f3bvio, mas n\u00e3o menos importante, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Os complexos desafios que se apresentam para a educa\u00e7\u00e3o nos dias de hoje est\u00e3o frequentemente vinculados \u00e0 ampla influ\u00eancia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social no nosso mundo. Como um dos aspectos do fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o, e facilitados pelo r\u00e1pido desenvolvimento da tecnologia, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social modelam profundamente o ambiente cultural (cf. Papa Jo\u00e3o Paulo II, Carta Apost\u00f3lica \u201cO r\u00e1pido desenvolvimento\u201d, 3). Com efeito, algumas pessoas afirmam que a influ\u00eancia formativa dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social concorre com a da escola, da Igreja e talvez mesmo do lar. \u00abPara muitas pessoas, a realidade corresponde ao que os mass media definem como tal\u00bb (Pontif\u00edcio Conselho para as Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, Aetatis novae, 4).<\/p>\n<p>2. A rela\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as, meios de comunica\u00e7\u00e3o social e educa\u00e7\u00e3o pode ser considerada a partir de duas perspectivas: a forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as por parte dos mass media; e a forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as para que respondam apropriadamente aos mass media. Sobressai um tipo de reciprocidade que indica as responsabilidades dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social como ind\u00fastria e a necessidade de uma participa\u00e7\u00e3o activa e cr\u00edtica dos leitores, dos espectadores e dos ouvintes. Nesta perspectiva, formar-se no uso apropriado dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 essencial para o desenvolvimento cultural, moral e espiritual das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que se h\u00e1-de salvaguardar e promover o bem comum? Educar as crian\u00e7as a serem judiciosas no uso dos mass media \u00e9 uma responsabilidade que cabe aos pais, \u00e0 Igreja e \u00e0 escola. O papel dos pais \u00e9 de import\u00e2ncia primordial. Eles t\u00eam o direito e o dever de assegurar o uso prudente dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, formando a consci\u00eancia dos seus filhos, a fim de que expressem ju\u00edzos sadios e objectivos, que sucessivamente h\u00e1-de de orient\u00e1-los na escolha ou rejei\u00e7\u00e3o dos programas dispon\u00edveis (cf. Papa Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Familiaris consortio, 76). Ao agir deste modo, os pais deveriam contar com o encorajamento e a assist\u00eancia das escolas e das par\u00f3quias, para garantir que este aspecto dif\u00edcil mas estimulante da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 apoiado pela comunidade mais vasta.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o para os mass media deveria ser positiva. As crian\u00e7as ex-postas ao que \u00e9 est\u00e9tica e moralmente excelente s\u00e3o ajudadas a desenvolver o apre\u00e7o, a prud\u00eancia e as capacidades de discernimento. Aqui, \u00e9 importante reconhecer o valor fundamental do exemplo dos pais e os benef\u00edcios da apresenta\u00e7\u00e3o aos jovens dos cl\u00e1ssicos infantis da literatura, das belas-artes e da m\u00fasica edificante. Enquanto a literatura popular ter\u00e1 sempre o seu espa\u00e7o na cultura, a tenta\u00e7\u00e3o do sensacionalismo n\u00e3o deveria ser passivamente aceite nos lugares de ensino. A beleza, uma esp\u00e9cie de espelho do divino, inspira e vivifica os cora\u00e7\u00f5es e as mentes mais jovens, ao passo que a torpeza e a vulgaridade t\u00eam um impacto depressivo sobre as atitudes e os comportamentos.<\/p>\n<p>Como a educa\u00e7\u00e3o em geral, a educa\u00e7\u00e3o para os mass media exige a forma\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio da liberdade. Trata-se de uma tarefa exigente. Muitas vezes, a liberdade \u00e9 apresentada como uma busca implac\u00e1vel do prazer e de novas experi\u00eancias. Contudo, isto \u00e9 uma condena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma liberta\u00e7\u00e3o! A verdadeira liberdade jamais poderia condenar o indiv\u00edduo \u2013 especialmente a crian\u00e7a \u2013 a uma busca insaci\u00e1vel de novidades. \u00c0 luz da verdade, a liberdade aut\u00eantica \u00e9 experimentada como uma resposta definitiva ao \u00absim\u00bb de Deus \u00e0 humanidade, enquanto nos chama a escolher, n\u00e3o indiscriminada mas deliberadamente, tudo o que \u00e9 bom, verdadeiro e belo. Assim, os pais, como guardi\u00e3es de tal liberdade, conceder\u00e3o gradualmente uma maior liberdade aos seus filhos, introduzindo-os ao mesmo tempo na profunda alegria da vida (cf. Discurso no V Encontro Mundial das Fam\u00edlias, Val\u00eancia, 8 de Julho de 2006).<\/p>\n<p>3. Esta aspira\u00e7\u00e3o sincera dos pais e professores de educar as crian\u00e7as pelos caminhos da beleza, da verdade e da bondade somente pode ser sustentada pela ind\u00fastria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, na medida em que ela promover a dignidade humana fundamental, o valor genu\u00edno do matrim\u00f3nio e da vida familiar, e as conquistas e as finalidades positivas da humanidade. Deste modo, a necessidade que os mass media t\u00eam de se comprometerem na forma\u00e7\u00e3o efectiva e nos padr\u00f5es \u00e9ticos \u00e9 considerada com particular interesse e mesmo urg\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 pelos pais e professores, mas tamb\u00e9m por todos aqueles que t\u00eam um sentido de responsabilidade c\u00edvica.<\/p>\n<p>Mesmo quando estamos convencidos de que muitas pessoas comprometidas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social desejam realizar o que \u00e9 justo (cf. Pontif\u00edcio Conselho para as Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, \u00c9tica nas Comunica\u00e7\u00f5es, 4), devemos reconhecer tamb\u00e9m que as que trabalham neste campo enfrentam \u00abpress\u00f5es psicol\u00f3gicas e dilemas \u00e9ticos particulares\u00bb (Aetatis novae, 19), que por vezes v\u00eaem a concorr\u00eancia comercial impelir os comunicadores para n\u00edveis mais baixos. Qualquer tend\u00eancia para realizar programas e produtos \u2013 inclusive desenhos animados e videojogos \u2013 que, em nome do entretenimento, exalta a viol\u00eancia e apresenta comportamentos anti-sociais ou a banaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade humana constitui uma pervers\u00e3o, e \u00e9 ainda mais repugnante quando tais programas s\u00e3o destinados \u00e0s crian\u00e7as e aos adolescentes. Como \u00e9 que se poderia explicar este \u00abentretenimento\u00bb aos numerosos jovens inocentes que realmente s\u00e3o v\u00edtimas da viol\u00eancia, da explora\u00e7\u00e3o e do abuso? A este prop\u00f3sito, todos deveriam reflectir sobre o contraste entre Cristo, que \u00abas tomou [as crian\u00e7as] nos bra\u00e7os e as aben\u00e7oou, impondo-lhes as m\u00e3os\u00bb (Mc 10, 16) e aquele que \u00abescandaliza&#8230; estes pequeninos\u00bb, a quem \u00abseria melhor&#8230; que lhe atassem ao pesco\u00e7o uma pedra de moinho\u00bb (Lc 17, 2). Uma vez mais, exorto os respons\u00e1veis da ind\u00fastria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social a salvaguardarem o bem comum, a promoverem a verdade, a protegerem a dignidade humana de cada indiv\u00edduo e a fomentarem o respeito pelas necessidades da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>4. A pr\u00f3pria Igreja, \u00e0 luz da mensagem de salva\u00e7\u00e3o que lhe foi confiada, \u00e9 tamb\u00e9m uma mestra de humanidade e valoriza a oportunidade de oferecer assist\u00eancia aos pais, aos educadores, aos comunicadores e aos jovens. Os seus programas paroquiais e escolares deveriam ocupar um lugar de vanguarda na educa\u00e7\u00e3o para os mass media nos dias de hoje. Sobretudo, a Igreja deseja compartilhar uma vis\u00e3o da dignidade humana que \u00e9 central para toda a comunica\u00e7\u00e3o humana digna. \u00abEu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necess\u00e1rias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa\u00bb (Deus caritas est, 18).<\/p>\n<p>BENEDICTUS PP. XVI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o 41\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que se celebra este ano a 20 de Maio, Domingo da Ascens\u00e3o. Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s: 1. 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