{"id":9784,"date":"2007-05-16T16:09:00","date_gmt":"2007-05-16T16:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9784"},"modified":"2007-05-16T16:09:00","modified_gmt":"2007-05-16T16:09:00","slug":"e-necessario-mudar-o-estilo-de-vida-e-de-consumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-necessario-mudar-o-estilo-de-vida-e-de-consumo\/","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio mudar o estilo de vida e de consumo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A fome no mundo e a fome em Aveiro. Esse \u201cdesconforto por n\u00e3o ingest\u00e3o de alimentos\u201d, que, felizmente, em princ\u00edpio, nenhum dos leitores experimenta por mais do que umas horas, mas que para milh\u00f5es de pessoas \u00e9 a realidade de cada dia, at\u00e9 que a morte chega. E nas duas horas que durou a sess\u00e3o do F\u00f3rum::Universal, na noite do dia 2 de Maio, no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, como lembrou H\u00e9lder Castanheira, que moderou o encontro, ter\u00e3o morrido mais 800 pessoas devido ao tal desconforto permanente. Outros n\u00fameros apresentados na sess\u00e3o revelam uma realidade ainda mais dura. Se a cada tr\u00eas segundos morre uma pessoa devido \u00e0 fome, durante o F\u00f3rum, ter\u00e3o morrido mais de duas mil pessoas. Todos os dias a fome mata muito mais do que o 11 de Setembro. A mudan\u00e7a pode come\u00e7ar por n\u00f3s. Num novo estilo de consumo, por exemplo.    J.P.F.<\/p>\n<p>BANCO ALIMENTAR<\/p>\n<p>Martinho Pereira invocou a sua inf\u00e2ncia numa aldeia perto de Tondela, para justificar a sua sensibilidade para este drama. \u201cOs meus pais ensinaram-me o que \u00e9 matar a fome e a alegria de matar a fome a algu\u00e9m\u201d, disse, referindo-se ao acolhimento que os pedintes tinham em sua casa. O presidente do Banco Alimentar Contra a Fome \/ Aveiro (BA) apresentou dados do Banco Mundial sobre a fome no mundo e sublinhou a facilidade de resolver o problema: \u201cUma refei\u00e7\u00e3o escolar pode custar 16 c\u00eantimos por dia\u201d. O grosso da sua interven\u00e7\u00e3o foi, como seria de esperar, para a institui\u00e7\u00e3o que dirige. Visto que o BA foi alvo da aten\u00e7\u00e3o deste jornal numa edi\u00e7\u00e3o anterior, transcrevem-se aqui apenas algumas frases mais fortes.<\/p>\n<p>Tudo para dar<\/p>\n<p>O BA, para si, quer zero. Tudo o que tem \u00e9 para distribuir o mais rectamente poss\u00edvel, o mais rapidamente poss\u00edvel, o mais justamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Capital Social<\/p>\n<p>O volunt\u00e1rio \u00e9 o grande capital do BA. As pessoas n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o. O BA \u00e9 o banco com maior capital social.<\/p>\n<p>Duzentas mil pessoas apoiadas<\/p>\n<p>A n\u00edvel nacional, os 13 BA portugueses distribuem 71 toneladas de alimentos por dia. S\u00e3o apoiadas 216 mil pessoas atrav\u00e9s de cerca de um milhar de institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pouca publicidade<\/p>\n<p>O BA, trav\u00e9s da Federa\u00e7\u00e3o de Bancos Alimentares, apenas publicita a sua ac\u00e7\u00e3o por ocasi\u00e3o das duas grandes campanhas anuais, na Primavera (Maio) e no Outono (Novembro). De resto, a projec\u00e7\u00e3o do BA deve-se \u00e0s institui\u00e7\u00f5es apoiadas e aos volunt\u00e1rios. Os 12 mil, a n\u00edvel nacional, s\u00e3o o grande ve\u00edculo de divulga\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma informa\u00e7\u00e3o credenciada.<\/p>\n<p>OIKOS<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Fernandes, director-executivo da Oikos, antes de falar da ac\u00e7\u00e3o da sua organiza\u00e7\u00e3o, apresentou os 8 objectivos da \u201cDeclara\u00e7\u00e3o do Mil\u00e9nio\u201d, um projecto assinado em 2000 por 189 pa\u00edses, para cumprir at\u00e9 2015. O primeiro dos objectivos \u00e9 acabar com a fome. Ora, segundo um estudo em que a sua organiza\u00e7\u00e3o participou, esse objectivo, ao ritmo actual, s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ado em \u00c1frica no s\u00e9c. XXIII, enquanto a \u00cdndia e a China (os pa\u00edses que em n\u00fameros absolutos mais esfomeados tinham) est\u00e3o efectivamente a reduzir a subnutri\u00e7\u00e3o. Aqui ficam os principais destaques da interven\u00e7\u00e3o do presidente executivo da OIKOS.<\/p>\n<p>Objectivos de desenvolvimento do Mil\u00e9nio<\/p>\n<p>1. Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome; 2. Alcan\u00e7ar o ensino prim\u00e1rio universal; 3. Promover a igualdade entre os sexos; 4. Reduzir em dois ter\u00e7os a mortalidade infantil; 5. Reduzir em tr\u00eas quartos a taxa de mortalidade materna; 6. Combater o VIH\/SIDA, a mal\u00e1ria e outras doen\u00e7as graves; 7. Garantir a sustentabilidade ambiental; 8. Criar uma parceria mundial para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>O maior dos problemas<\/p>\n<p>A fome \u00e9 causa e efeito da pobreza. Est\u00e1 na origem de todos os outros problemas: subaproveitamento escolar, que, por sua vez, leva a um incorrecto aproveitamento dos recursos, que leva a mais fome.<\/p>\n<p>O outro lado: obesidade<\/p>\n<p>H\u00e1 disponibilidade de alimentos no mercado, mas o acesso n\u00e3o \u00e9 garantido a todos de igual forma: uns est\u00e3o obesos; outros subsistem mal.<\/p>\n<p>Efeito CNN<\/p>\n<p>Quando uma cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria chega \u00e0 cadeia de televis\u00e3o CNN, h\u00e1 a seguir uma resposta eficiente da comunidade internacional, o chamado \u201cefeito CNN\u201d.<\/p>\n<p>Prioridade<\/p>\n<p>O factor que mais contribui para acabar com a fome \u00e9 a alfabetiza\u00e7\u00e3o das mulheres. Usam melhor os bens e educam os filhos.<\/p>\n<p>A cana e o peixe<\/p>\n<p>O problema da fome \u00e9 complexo. N\u00e3o basta dar o peixe, mas \u00e9 preciso dar o peixe. \u00c9 preciso ensinar a pescar e a fazer a cana de pesca. \u00c9 preciso haver acesso ao mar ou ao rio e estes n\u00e3o estarem polu\u00eddos. \u00c9 preciso ter acesso ao mercado para vender o peixe e o pre\u00e7o n\u00e3o ser injusto&#8230;<\/p>\n<p>Armas ou arados<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 quem se aproveite da fome. A fome existe mais por in\u00e9rcia. Mas lucra-se mais com a guerra do que com a paz, condenando-se pa\u00edses \u00e0 fome. Ganha-se mais vendendo armas do que vendendo ferramentas agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Coopera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento<\/p>\n<p>A Oikos promove projectos locais de desenvolvimento econ\u00f3mico e de conhecimento, sem perder de vista a influ\u00eancia das pol\u00edticas p\u00fablicas. A ONG para o desenvolvimento tem 198 colaboradores (20 em Portugal e os restantes em 11 pa\u00edses) e 106 volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Tr\u00eas dimens\u00f5es da Oikos<\/p>\n<p>A palavra grega \u201coikos\u201d quer dizer \u201ccasa\u201d e est\u00e1 na origem de tr\u00eas palavras identit\u00e1rias da organiza\u00e7\u00e3o: ecumenismo (a Oikos \u00e9 constitu\u00edda por pessoas de v\u00e1rias religi\u00f5es e de v\u00e1rios quadrantes pol\u00edticos), economia (de rosto humano) e ecologia (respeitando o ambiente). A Oikos dedica-se \u00e0 ac\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, \u00e0 vida sustent\u00e1vel e \u00e0 cidadania global.<\/p>\n<p>Sector social e cooperativo<\/p>\n<p>Ignorar o terceiro sector, o social e cooperativo, tudo deixando para o Estado e o mercado, \u00e9 uma miopia e \u00e9 perigoso. \u00c9 miopia, porque a pr\u00e1tica no terreno contradiz os documentos. Se o sector social e cooperativo fizesse greve, em Portugal, 10 por cento da popula\u00e7\u00e3o era gravemente afectada. \u00c9 perigoso, porque \u00e9 ideia que vai fazendo doutrina, gra\u00e7as aos lobbies das empresas de consultoria.<\/p>\n<p>Novo estilo de consumo<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio alterar os padr\u00f5es de com\u00e9rcio (justo) e de consumo (respons\u00e1vel). Demora gera\u00e7\u00f5es, mas as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas v\u00e3o apressar essa mudan\u00e7a. As novas gera\u00e7\u00f5es t\u00eam educa\u00e7\u00e3o ambiental. Mas \u00e9 necess\u00e1rio educar os adultos, para reduzir as emiss\u00f5es de carbono. N\u00e3o podemos esperar mais 30 anos! \u00c9 necess\u00e1rio mudar o estilo de vida, valorizar os direitos laborais, produzir e consumir produtos amigos do ambiente.<\/p>\n<p>Finan\u00e7a \u00e9tica<\/p>\n<p>Pergunte ao seu banco onde aplica o dinheiro que l\u00e1 deposita. Pode estar a ser aplicado na ind\u00fastria do armamento (mas talvez o banc\u00e1rio n\u00e3o saiba a resposta). Devia exigir transpar\u00eancia do seu banco e que ele colocasse o seu dinheiro onde est\u00e3o as suas preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9ticas.<\/p>\n<p>Dinheiro recusado<\/p>\n<p>A Oikos rejeitou dinheiro de algumas ind\u00fastrias e do Parlamento portugu\u00eas. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque os recursos s\u00e3o escassos, mas o risco de aceitar seria maior. A Oikos exige que as empresas e organiza\u00e7\u00f5es que contribuem se envolvam igualmente de outras formas. Voluntariado, por exemplo.<\/p>\n<p>Para saber mais <\/p>\n<p>sobre o Banco Alimentar:<\/p>\n<p>www.bancoalimentar.pt<\/p>\n<p>Para saber mais <\/p>\n<p>sobre a Oikos:<\/p>\n<p>www.oikos.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fome no mundo e a fome em Aveiro. 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