{"id":9787,"date":"2007-05-16T16:14:00","date_gmt":"2007-05-16T16:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9787"},"modified":"2007-05-16T16:14:00","modified_gmt":"2007-05-16T16:14:00","slug":"desemprego-sem-solucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/desemprego-sem-solucao\/","title":{"rendered":"Desemprego, sem solu\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> De vez em quando surgem not\u00edcias relativas a empresas com ofertas de emprego que n\u00e3o conseguem preencher. Verifica-se, deste modo, a falta de trabalhadores, a par de uma taxa de desemprego bastante alta. Porqu\u00ea?<\/p>\n<p>Naturalmente, as respostas a esta pergunta s\u00e3o bastante diversificadas, e acham-se marcadas por preconceitos. Neste artigo, enumeram-se apenas dois conjuntos de factores explicativos do fen\u00f3meno. Existem outros, sem d\u00favida, porventura at\u00e9 mais importantes. Isso por\u00e9m n\u00e3o obsta, bem pelo contr\u00e1rio, a que se comece por estes.<\/p>\n<p>Um conjunto de factores respeita aos desajustamentos no mercado de emprego; e o outro aos desfasamentos das pol\u00edticas de emprego.<\/p>\n<p>Os desajustamentos no mercado de emprego consistem na insuficiente correspond\u00eancia entre a procura e a oferta ou, por outras palavras, entre os postos de trabalho vagos e os trabalhadores desempregados. Registam-se desajustamentos quantitativos, qualitativos e geogr\u00e1ficos: os quantitativos t\u00eam a ver com a n\u00e3o coincid\u00eancia num\u00e9rica; os qualitativos resultam das qualifica\u00e7\u00f5es insuficientes, \u00abexcessivas\u00bb ou inadequadas, bem como do crescimento das aspira\u00e7\u00f5es a ritmo superior ao das oportunidades de emprego; os desajustamentos de natureza geogr\u00e1fica respeitam \u00e0 dist\u00e2ncia entre a localiza\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho e as resid\u00eancias dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Os desfasamentos das pol\u00edticas de emprego consistem, especialmente, no \u00abfinancismo\u00bb, no menosprezo do trabalho e no distanciamento da realidade. Passo a abordar os dois primeiros.<\/p>\n<p>O \u00abfinancismo\u00bb reporta-se ao peso pol\u00edtico atribu\u00eddo aos apoios financeiros, justos e injustos. Existem apoios, para trabalhadores e para empresas, visando o acesso ao emprego, a forma\u00e7\u00e3o e a protec\u00e7\u00e3o no desemprego. O Estado actua como se fosse um macro-mecenas: distribui montantes financeiros impressionantes, em benef\u00edcio apenas de uma parte dos destinat\u00e1rios potenciais.<\/p>\n<p>O mesmo Estado alia-se a uma tend\u00eancia forte na sociedade portuguesa que menospreza o trabalho. Segundo esta tend\u00eancia, nem todo o trabalho \u00e9 igualmente digno, e aprova-se a recusa do que \u00e9 considerado \u00abinferior\u00bb. Uma opini\u00e3o p\u00fablica, bastante difundida, at\u00e9 entende que \u00e9 mais dignificante o trabalhador receber um subs\u00eddio do que trabalhar em determinadas actividades, que, embora conformadas com a lei, est\u00e3o marcadas pelo estigma da \u00abinferioridade\u00bb.<\/p>\n<p>Paradoxal e quase cinicamente, o Estado oscila entre a cultura da subsidiodepend\u00eancia e a do trabalho for\u00e7ado, alheando-se da dignidade laboral: a cultura da subsidiodepend\u00eancia resulta n\u00e3o s\u00f3 das ajudas financeiras mas tamb\u00e9m da promo\u00e7\u00e3o t\u00e1cita do oportunismo; e o trabalho configura-se for\u00e7ado, na maneira como \u00e9 imposta a respectiva aceita\u00e7\u00e3o, tanto no regime do subs\u00eddio de desemprego como no do rendimento social de inser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em vez de respeitar e actualizar o valor ancestral da dignidade inerente ao trabalho, criou-se um ambiente social em que, por vezes, \u00e9 vantajoso n\u00e3o trabalhar. E, para contrariar este ambiente, o Estado cria e aplica san\u00e7\u00f5es v\u00e1rias, sem chegar ao fundo da quest\u00e3o; for\u00e7a, em vez de valorizar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-9787","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9787\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}