{"id":9820,"date":"2007-05-24T10:17:00","date_gmt":"2007-05-24T10:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9820"},"modified":"2007-05-24T10:17:00","modified_gmt":"2007-05-24T10:17:00","slug":"os-beneficios-da-autoridade-paterna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-beneficios-da-autoridade-paterna\/","title":{"rendered":"Os benef\u00edcios da autoridade paterna"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o se pode dizer que todos os que ouviram Jo\u00e3o Paulo Malta falar da autoridade paterna tenham ficado convencidos. Houve pontos de vista manifestados pelo m\u00e9dico lisboeta que provocaram algum desconforto, pelo menos em parte da quase centena de ouvintes que estava no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, na noite de 16 de Maio. Mas a linha geral da argumenta\u00e7\u00e3o do convidado da Funda\u00e7\u00e3o Sal da Terra e Luz do mundo atingiu o alvo: a aus\u00eancia do pai, aus\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica ou enquanto resultado da transforma\u00e7\u00e3o do pai em apenas \u201co melhor amigo dos filhos\u201d, tem consequ\u00eancias negativas a m\u00e9dio e longo prazo. Jo\u00e3o Paulo Malta apontou alguns \u201cresultados catastr\u00f3ficos\u201d dessa aus\u00eancia: a taxa de toxicodepend\u00eancia \u00e9 cinco vezes maior em jovens que cresceram com o pai ausente do lar.<\/p>\n<p>Mas pode acontecer que o pai esteja em casa e n\u00e3o exer\u00e7a a autoridade. Para o m\u00e9dico, o pai que aceita ser apenas \u201co melhor amigo dos filhos\u201d, esquecendo a autoridade, est\u00e1 a p\u00f4r de lado \u201cas chatices, as exig\u00eancias e as responsabilidades\u201d. Demite-se do seu verdadeiro papel. \u201c\u00c9 muito mais f\u00e1cil. Pode correr bem durante alguns anos. Mas depois&#8230; logo se v\u00ea\u201d, afirma. \u201cAs depend\u00eancias de \u00e1lcool, tabaco, ou mesmo de tv, t\u00eam a ver com a falta de autoridade em fam\u00edlias que t\u00eam dificuldade em dizer \u00abN\u00e3o se faz\u00bb e ainda mais dificuldade em dizer \u00abN\u00e3o se faz, mas se tu fizeres, vais para o olho da rua\u00bb. \u00c9 dif\u00edcil assumir um amor duro, de responsabilidade m\u00e1xima\u201d, explica Jo\u00e3o Paulo Malta, concebendo, noutro ponto da comunica\u00e7\u00e3o, que o pai possa dar uma bofetada ao filho ou que o professor d\u00ea um \u201cmurro na mesa\u201d. Exercer a autoridade paterna evita que se enviem \u201ctoxicodependentes para o Centro das Taipas\u201d e que \u201cos jovens andem pelas lojas a comprar coisas de que n\u00e3o precisam\u201d. \u201cPoupa-se em div\u00f3rcios no futuro\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>De onde vir\u00e1, afinal, a \u201ccrise do pai\u201d? De entre a assist\u00eancia adiantaram-se algumas explica\u00e7\u00f5es: assiste-se a uma \u201cinfantiliza\u00e7\u00e3o geral da sociedade\u201d; os adultos querem ser eternamente jovens; o papel da mulher mudou, tendo de ser m\u00e3e, dom\u00e9stica, excelente profissional e autoridade (pai); vivemos as consequ\u00eancias dos \u201cmestres da suspeita\u201d [refer\u00eancia aos tr\u00eas pensadores Marx, Nietzsche e Freud; simplificando, o primeiro disse que a cultura depende das condi\u00e7\u00f5es de trabalho; o segundo preconizou a \u201cmorte de Deus\u201d para o ser humano poder ser livre; e o terceiro n\u00e3o concebia o crescimento humano sem a ultra-passagem de fases sexuais, consistindo uma delas na morte simb\u00f3lica do pai]; o casal n\u00e3o sabe ser casal, n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente um, mant\u00e9m projectos separados, n\u00e3o sabe crescer e ultrapassar as dificuldades que naturalmente surgem&#8230; Jo\u00e3o Paulo Malta escusou-se a dar explica\u00e7\u00f5es, porque falava como pai e m\u00e9dico e n\u00e3o como fil\u00f3sofo ou soci\u00f3logo, mas referiu mais um exemplo da \u201csecundariza\u00e7\u00e3o total do papel do pai\u201d. Na nova lei do aborto, a \u201crespon-sabilidade do pai, marido, companheiro, namorado&#8230; \u00e9 completamente posta de lado. Ele n\u00e3o tem nada a ver com isso. \u00abLibertem-me desse fardo\u00bb. [Este modo de pensar] \u00e9 aceite e incentivado por muitos homens\u201d, disse. O mesmo se passa com a contracep\u00e7\u00e3o, cada vez mais dependente da mulher, quando deveria dizer respeito ao dois.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo Malta<\/p>\n<p>Conhecido rosto das fileiras do \u201cn\u00e3o\u201d, a quando do referendo do aborto, Jo\u00e3o Paulo Malta \u00e9 m\u00e9dico obstetra em Lisboa, professor na Universidade Cat\u00f3lica e membro do Concelho da Ordem dos M\u00e9dicos. Curiosamente, como relatou no Centro Universit\u00e1rio, a sua voca\u00e7\u00e3o para a medicina passou por Aveiro. Na d\u00e9cada de 70, o seu pai, igualmente obstetra, explicava pelo pa\u00eds como se faziam ecografias. Ap\u00f3s dois dias na cidade dos canais para uma dessas sess\u00f5es, o filho diz ao pai: \u201cE se eu fosse para medicina?\u201d \u201cSe estou aqui como m\u00e9dico obstetra, devo-o a Aveiro\u201d, rematou, acrescentando \u201cmas devo-o essencialmente ao meu pai\u201d. <\/p>\n<p>&#8220;Parteiro de Deus&#8221;<\/p>\n<p>Justificando a sua profiss\u00e3o e introduzindo o tema da noite, Jo\u00e3o Paulo Malta resumiu um conto escrito pelo seu pai. Emocionou-se e arrancou palmas \u00e0 assembleia. Segundo o conto, a S. Jos\u00e9, muito discreto nos evangelhos, muito silencioso (n\u00e3o teve direito a um anjo ao vivo, como Maria, mas s\u00f3 em sonhos), foi-lhe dado, no entanto, o \u201cmaior privil\u00e9gio que um homem pode ter\u201d. Estando sozinho com Maria no est\u00e1bulo, ajudou-a a dar \u00e0 luz, \u201cdeu o n\u00f3 no cord\u00e3o umbilical\u201d, \u201cfoi o primeiro a ter Cristo nos seus bra\u00e7os\u201d. \u201cFoi parteiro de Deus\u201d.<\/p>\n<p>Contradi\u00e7\u00f5es do nosso tempo<\/p>\n<p>Enquanto o aborto \u00e9 liberalizado, atirando-se \u201cfilhos para o balde\u201d, e \u201caumentam exponencialmente os testes de paternidade, n\u00e3o porque os homens fujam \u00e0s despesas, mas porque \u201cquerem fugir \u00e0 responsabilidade\u201d, cresce a press\u00e3o dos amigos e familiares sobre os casais que n\u00e3o t\u00eam filhos: \u201cEnt\u00e3o, nunca mais t\u00eam beb\u00e9?\u201d Pode tratar-se de uma viol\u00eancia sobre o casal, advertiu o m\u00e9dico, porque \u201cmuitos j\u00e1 andam na via-sacra das consultas de fertilidade\u201d. Um ter\u00e7o dos casais tem problemas de fertilidade. \u00c9 preciso ter cuidado com esse tipo de press\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se pode dizer que todos os que ouviram Jo\u00e3o Paulo Malta falar da autoridade paterna tenham ficado convencidos. Houve pontos de vista manifestados pelo m\u00e9dico lisboeta que provocaram algum desconforto, pelo menos em parte da quase centena de ouvintes que estava no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, na noite de 16 de Maio. 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