{"id":9834,"date":"2007-05-24T11:40:00","date_gmt":"2007-05-24T11:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9834"},"modified":"2007-05-24T11:40:00","modified_gmt":"2007-05-24T11:40:00","slug":"o-campeao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-campeao\/","title":{"rendered":"O campe\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Entre um sorriso e uma raiva escondida se cruzam as grandes discuss\u00f5es sobre futebol. N\u00e3o ser\u00e1 bom cidad\u00e3o quem n\u00e3o diz, nalgum momento, que gosta deste ou daquele clube, pr\u00f3ximo ou long\u00ednquo do lugar de origem ou donde vive. Ou, por imperativo dos jornais, relatos e transmiss\u00f5es desportivas, aderiu a uma massa informe de gente que grita no est\u00e1dio ou nos milhares de est\u00e1dios dom\u00e9sticos, convertidos, numa final de ta\u00e7a ou campeonato, pela televis\u00e3o, em templo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma realidade. E quando se fala em milh\u00f5es por uma transfer\u00eancia ou compra de atleta, \u00e9 disso que se trata: milhares e milh\u00f5es de pessoas que sustentam essa m\u00e1quina, com os ouvidos e os olhos devoradores do espect\u00e1culo, num est\u00e1dio como se fosse um templo, um relvado como altar ou ara de imola\u00e7\u00e3o e triunfo.<\/p>\n<p>Todos entram neste jogo, directa ou indirectamente. Mesmo aqueles, ou talvez aquelas, que detestam gritos e discuss\u00f5es em torno dum assunto que n\u00e3o est\u00e3o interessados em perceber. Mas n\u00e3o podem ignorar. Os ritmos dos ser\u00f5es familiares alteraram-se e o tema das conversas com os amigos passa sempre pelo desporto, pelo futebol, na sua vers\u00e3o mais singular: o jogo, a vit\u00f3ria, a derrota, as estrat\u00e9gias, as jogadas, os erros, os resultados, os coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>E todo o complexo emocional que envolve o jogo: o investimento extremo de energias, o ensaio de esperan\u00e7a no meio dos grandes desesperos, a catarse de todas as raivas, a naturalidade de todos os vocabul\u00e1rios. Ningu\u00e9m admite que seja real, que tudo n\u00e3o passe duma cena moment\u00e2nea que p\u00f5e em jogo o ego, o saber, a intui\u00e7\u00e3o, o apoio, a aniquila\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a, o poder. Muito raramente interv\u00e9m a raz\u00e3o, a n\u00e3o ser para conter impulsos que transbordem o sensato. Mas em poucas mat\u00e9rias o razo\u00e1vel vai t\u00e3o longe. A cada um se permite o par\u00eantesis no porte e na dignidade. Desporto, claro que n\u00e3o \u00e9. \u00c9 jogo. No plural e no simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>E, todavia, no est\u00e1dio se exibem grandes valores da humanidade. Na equipa, entreajuda, entrega esgotante, inspira\u00e7\u00e3o livre, para tratar um objecto imprevis\u00edvel no capricho da sua esfericidade. A supera\u00e7\u00e3o de imposs\u00edveis obst\u00e1culos naturais ou artificiais. Lutar de igual para igual com respeito pelas regras. E obedecer a senten\u00e7as que s\u00e3o, muitas vezes, obviamente injustas. \u00c9 a recria\u00e7\u00e3o dum espa\u00e7o real ou um ensaio da vida quotidiana. O futebol. O campeonato. O campe\u00e3o. O maior. Com milh\u00f5es. \u00c9 assim. O melhor. A l\u00f3gica \u00e9 o menos. O campe\u00e3o \u00e9 o m\u00e1ximo. E chega. J\u00e1 \u00e9 muito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre um sorriso e uma raiva escondida se cruzam as grandes discuss\u00f5es sobre futebol. 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