{"id":9837,"date":"2007-05-24T11:43:00","date_gmt":"2007-05-24T11:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9837"},"modified":"2007-05-24T11:43:00","modified_gmt":"2007-05-24T11:43:00","slug":"maconaria-republica-e-poder-governativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/maconaria-republica-e-poder-governativo\/","title":{"rendered":"Ma\u00e7onaria, rep\u00fablica e poder governativo"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos em regime democr\u00e1tico. H\u00e1 quem se diga democrata e a quem a democracia incomode. Assim se cai na tenta\u00e7\u00e3o da promiscuidade, que envenena o ambiente e o espa\u00e7o que \u00e9 de todos. Se, no regime em que vivemos, se devem respeitar as op\u00e7\u00f5es, ningu\u00e9m est\u00e1 impedido de falar livremente, sem medo, perante o que se vai vendo, conhecendo, e que pretende influenciar a comunidade de que todos fazemos parte.<\/p>\n<p>A democracia n\u00e3o \u00e9 um fim, nem pode servir de meio para que o poder, qualquer que ele seja, se aproveite dos postos de comando para empobrecer e dominar um povo livre.<\/p>\n<p>A ma\u00e7onaria viveu em Portugal, desde que chegou em princ\u00edpios do s\u00e9culo XVIII, horas dif\u00edceis. Foram persegui\u00e7\u00f5es de fora e divis\u00f5es de dentro. Tempo seguido com contradi\u00e7\u00f5es e projectos, uns conseguidos, outros frustrados. O apoio que ent\u00e3o deu \u00e0 \u201cCarbon\u00e1ria\u201d, motor organizado da queda da Monarquia, e a identifica\u00e7\u00e3o conseguida, com a jovem Rep\u00fablica, inspirando ou fazendo seus os ditos \u201cvalores republicanos\u201d, deram-lhe impulso para dominar. Isto permitiu-lhe conduzir o processo do in\u00edcio do novo sistema, minando os \u00f3rg\u00e3os fundamentais da soberania, desde a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica ao Parlamento, destruindo o que n\u00e3o dominava e conquistando uma presen\u00e7a efectiva, bem marcada e vis\u00edvel, nos mais diversos lugares de influ\u00eancia do Estado. Teve, depois, de entrar de novo em meia clandestinidade. Este facto, por\u00e9m, n\u00e3o a  impediu de fazer acordos secretos com o poder, para que, dada a sua influ\u00eancia, o mesmo se pudesse manter, mesmo quando publicamente perseguia a Loja. E foi assim, como se sabe e se diz, at\u00e9 nos tempos de Salazar, que, olhando para o lado, cedeu na orienta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos conhecidos e cobi\u00e7ados, dada a influ\u00eancia destes no povo.<\/p>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o oficial da Loja deu-se com o 25 de Abril, por raz\u00f5es \u00f3bvias, depressa explicadas por motivo de quem ia aparecendo na ribalta pol\u00edtica dominante. O novo poder fez-lhe a entrega de bens antes expropriados e pagou-lhe indemniza\u00e7\u00f5es. \u00c0s claras, recome\u00e7ou-se, ent\u00e3o, a falar da ma\u00e7onaria e a dizer da campanha persistente que ela fazia nos corredores da Assembleia da Rep\u00fablica, junto de gente nova ansiosa por benesses no presente e sonhando com as boas promessas de futuro. Abriram-se portas, antes e sempre fechadas, publicaram-se nomes de alguns aderentes, n\u00e3o todos, com influ\u00eancia nos diversos quadrantes da sociedade portuguesa; manteve-se, por\u00e9m, o sigilo dos ritos de inicia\u00e7\u00e3o e de outros ritos importantes. Aliviou-se algum secretismo, mas a Loja continuou a ser uma associa\u00e7\u00e3o fechada, sem a abertura normal, propiciada por regime democr\u00e1tico. Esta situa\u00e7\u00e3o deu direito a desconfiar do que se passa e programa.<\/p>\n<p>O sol da primavera \u00e9 prop\u00edcio para trazer \u00e0 luz o que as tocas escondem em invernos prolongados. Porque o ambiente pol\u00edtico se tornou prop\u00edcio e a ocasi\u00e3o convidativa, a ma\u00e7onaria come\u00e7ou a apresentar os seus projectos para o pa\u00eds. A n\u00f3s o dever e o direito de apreciar, dizer e alertar sobre o que se projecta, porque a todos nos diz respeito.<\/p>\n<p>A ma\u00e7onaria portuguesa aparece, de novo, com algum esp\u00edrito de \u201ccarbon\u00e1ria\u201d, eivada de um acirrado laicismo, tendo no horizonte os \u201cvalores republicanos\u201d, lidos unilateralmente, e empenhando-se por introduzi-los como inspiradores das leis que devem reger o povo. Esquece-se que o poder democr\u00e1tico n\u00e3o se pode exercer \u00e0 revelia dos valores que um povo concreto e sensato sempre teve, quer ter e defende, para salvaguarda da sua identidade, dignidade e futuro em liberdade. Impor \u00e9 matar e destruir.<\/p>\n<p>H\u00e1 que fechar a Igreja na sacristia, ignorar os valores crist\u00e3os, fazer t\u00e1bua rasa de uma cultura milen\u00e1ria, negar a hist\u00f3ria p\u00e1tria e secar as suas ra\u00edzes vitais, mudar o sentido das institui\u00e7\u00f5es que d\u00e3o consist\u00eancia \u00e0 sociedade, fechar o homem, por via da educa\u00e7\u00e3o nas escolas e meios de comunica\u00e7\u00e3o social, \u00e0 dimens\u00e3o do transcendente. Ser\u00e1 este o programa \u201cpol\u00edtico\u201d actualizado do Partido Socialista, agora publicamente de m\u00e3os dadas com a ma\u00e7onaria? Se a perspectiva \u00e9 de um laicismo redutor, o que restar\u00e1 da democracia? Um povo decapitado. E que ser\u00e1 o Partido Socialista? Uma galeria vistosa, com muita gente alienada e encostada. E a ma\u00e7onaria? A estrat\u00e9gia t\u00e1ctica de servir e de se servir de um poder sem ideologia.<\/p>\n<p>Mas as prioridades num pa\u00eds que empobrece t\u00eam de ser outras, se quisermos sobreviver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos em regime democr\u00e1tico. H\u00e1 quem se diga democrata e a quem a democracia incomode. Assim se cai na tenta\u00e7\u00e3o da promiscuidade, que envenena o ambiente e o espa\u00e7o que \u00e9 de todos. 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