{"id":9883,"date":"2007-06-06T10:08:00","date_gmt":"2007-06-06T10:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9883"},"modified":"2007-06-06T10:08:00","modified_gmt":"2007-06-06T10:08:00","slug":"no-sofrimento-e-no-bem-estar-na-saude-e-na-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/no-sofrimento-e-no-bem-estar-na-saude-e-na-doenca\/","title":{"rendered":"No sofrimento e no bem-estar, na sa\u00fade e na doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia <!--more--> A comunidade crist\u00e3 da par\u00f3quia \u00e9 portadora de um projecto de vida em que a sa\u00fade e a doen\u00e7a ocupam lugar espec\u00edfico e adquirem valores de humaniza\u00e7\u00e3o integral. O sofrimento acompanha a realiza\u00e7\u00e3o deste projecto, pois \u00e9 fruto, basicamente, da despropor\u00e7\u00e3o entre as nossas aspira\u00e7\u00f5es de \u201cmais e melhor\u201d e o realismo das limita\u00e7\u00f5es que sempre nos condiciona e situa. Saber gerir o impulso deste contraste e conseguir tirar partido da sua energia \u00e9 desafio que exige resposta adequada a cada fase em que a pessoa se encontra.<\/p>\n<p>M\u00faltiplas feridas<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade faz parte da miss\u00e3o da comunidade paroquial. A vida \u00e9 um dom que se deve acolher, apreciar e desen-volver de maneira respons\u00e1vel e digna. Jesus Cristo mostra, por ac\u00e7\u00f5es e palavras, como a sua miss\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o da recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade em todas as dimens\u00f5es. Al\u00e9m disso, deixa o imperativo apost\u00f3lico: \u201cIde e curai\u201d e envia o Esp\u00edrito Santo para alento e refor\u00e7o dos que, na sua Igreja, assumem este encargo.<\/p>\n<p>A pastoral paroquial \u00e9 organiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os correspondentes feitos com esp\u00edrito evang\u00e9lico: o acolhimento de quem se abeira por necessidade, o di\u00e1logo amigo de ajuda e reconforto, a celebra\u00e7\u00e3o da Palavra e da Eucaristia que recupera ou revigora as energias gastas na dureza da vida, as catequeses e encontros de crian\u00e7as e de jovens \u201cassaltados\u201d por tantas \u201cferidas\u201d na harmonia do seu crescimento, o acompanhamento de quem sente o peso da solid\u00e3o quer pela idade avan\u00e7ada quer pela doen\u00e7a persistente, as festas familiares e populares que frequentemente irmanam uma popula\u00e7\u00e3o e esquecem os que passam horas dif\u00edceis ou est\u00e3o prostrados por alguma depress\u00e3o, a solicitude pronta e generosa dos que se preparam para receber nas melhores disposi\u00e7\u00f5es a visita da irm\u00e3 morte.<\/p>\n<p>O estilo de vida s\u00e3 alarga-se da pessoa \u00e0 sociedade. A senten\u00e7a antiga de \u201cmente s\u00e3 num corpo s\u00e3o\u201d revela-se insuficiente e redutora. H\u00e1 for\u00e7as poderosas e insinuantes, que poluem eticamente o ambiente e os espa\u00e7os em que as pessoas habitam. Cresce, embora lentamente, a consci\u00eancia da necessidade de uma ecologia moral englobante de todos os \u00e2mbitos da vida p\u00fablica e privada, que restitua e potencie a limpidez e a harmonia do planeta azul \u2013 a nossa terra m\u00e3e \u2013, que encaminhe o olhar humano para as estrelas do c\u00e9u e facilite a contempla\u00e7\u00e3o do universo onde se espelha a (des)sorte da nossa comum humanidade.<\/p>\n<p>Sa\u00fade integral<\/p>\n<p>Os cuidados da sa\u00fade t\u00eam feito grandes progressos e obtido resultados not\u00e1veis. Todavia, as inst\u00e2ncias sociais que os promovem reduzem frequentemente o \u00e2mbito da sua aplica\u00e7\u00e3o e, por vezes, desvirtuam-no, dando origem a um estilo de vida pouco s\u00e3o. Sirva de exemplo o que acontece com a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de certos alimentos, com a banaliza\u00e7\u00e3o do sexo, com o sedentarismo e a obesidade, com o recurso e a depend\u00eancia de drogas, com a competitividade e as patologias da abund\u00e2ncia, com o culto idol\u00e1trico ao corpo humano, com o esvaziamento \u00e9tico da vida interior. Um estilo de vida com estas caracter\u00edsticas ou outras semelhantes provoca o maior n\u00famero de enfermidades \u2013 afirmam especialistas.<\/p>\n<p>As pessoas que pertencem \u00e0 comunidade crist\u00e3, frequentam os seus espa\u00e7os e observam os seus ensinamentos, aprendem a viver de maneira saud\u00e1vel. \u00c9 o ser humano, no seu todo, que est\u00e1 em causa e Jesus lhe confia. N\u00e3o para substituir as ci\u00eancias m\u00e9dicas ou outras, mas para que seja a pessoa integral a ser ajudada a cuidar de si e, se puder, das circunst\u00e2ncias que a condicionam. O bem-estar corporal \u00e9 saud\u00e1vel, mas n\u00e3o pode esquecer a sa\u00fade afectiva, relacional, mental e espiritual. N\u00e3o h\u00e1 doentes, mas pessoas que est\u00e3o doentes. Curar a enfermidade \u00e9 \u00f3ptimo, mas n\u00e3o pode ser esquecida a sua repercuss\u00e3o psicol\u00f3gica, afectiva e relacional. E ainda a dimens\u00e3o espiritual e transcendente de todo o ser humano.<\/p>\n<p>Viver de modo saud\u00e1vel \u00e9 gerar a unidade em harmonia de todas as dimens\u00f5es da pessoa. O Evangelho visa sanar as estruturas enfermi\u00e7as da sociedade e n\u00e3o apenas as dos indiv\u00edduos. Por isso, o n\u00facleo da \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria\u201d est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o entre todos os intervenientes nesta \u00e1rea t\u00e3o crucial para o ser humano realizar a sua voca\u00e7\u00e3o a uma vida plena. A n\u00edvel humano sem mais ou a n\u00edvel humano aberto \u00e0 transcend\u00eancia.<\/p>\n<p>Miss\u00e3o curativa<\/p>\n<p>A sa\u00fade espiritual faz parte da integralidade da pessoa. E, embora possa estar quase esquecida, s\u00e3o muitos os que apreciam o seu contributo para a vida saud\u00e1vel que tanto se deseja. Mais ainda, h\u00e1 quem a valorize como fonte de paz interior, de amor incondicionado, de busca da verdade a respeito de si mesmo e dos outros, de honradez perante a sua consci\u00eancia, de lucidez compassiva para com a espolia\u00e7\u00e3o da dignidade a que tantos se v\u00eaem for\u00e7ados, de capacidade de dar e de receber o perd\u00e3o incondicional.<\/p>\n<p>A comunidade crist\u00e3 paroquial desempenha uma not\u00e1vel miss\u00e3o curativa, se educar os seus membros e, por meio deles, irradiar na popula\u00e7\u00e3o este modo de ver, de viver e de conviver. Os valores maltratados por certas correntes culturais devem merecer-lhe especial aten\u00e7\u00e3o: estilo de vida s\u00f3brio e simples; cuidado da vida interior; cultivo da gratuidade, que vai al\u00e9m do pre\u00e7o justo ou da medida equitativa; gosto pela est\u00e9tica e encantamento pela beleza; desfrute e contempla\u00e7\u00e3o das maravilhas da cria\u00e7\u00e3o, transpar\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o e delicadeza da consci\u00eancia, onde ecoam normalmente os apelos do Esp\u00edrito, busca do sentido salv\u00edfico do sofrimento.<\/p>\n<p>O sofrimento n\u00e3o tem sentido em si mesmo. \u00c9 fruto derivado da tens\u00e3o que vive a natureza humana. Est\u00e1 \u201cnas m\u00e3os\u201d de cada pessoa e da comunidade paroquial darem-lhe o sentido que comporta. Jesus Cristo revelou-o plenamente: sofrer por amor humaniza e salva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-9883","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9883"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9883\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}