{"id":9915,"date":"2007-06-06T11:47:00","date_gmt":"2007-06-06T11:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9915"},"modified":"2007-06-06T11:47:00","modified_gmt":"2007-06-06T11:47:00","slug":"a-familia-deveria-ser-reflexo-terreno-da-trindade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-familia-deveria-ser-reflexo-terreno-da-trindade\/","title":{"rendered":"A Fam\u00edlia deveria ser reflexo terreno da Trindade"},"content":{"rendered":"<p>PE. CANTALAMESSA<\/p>\n<p>No Evangelho do passado domingo (Jo\u00e3o 16, 12-15), procedente dos discursos de despedida de Jesus, perfilam-se no fundo tr\u00eas misteriosos sujeitos, inextricavelmente unidos entre si. \u201cQuando Ele vier, o Esp\u00edrito da verdade, vos guiar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 verdade completa&#8230; Tudo o que \u00e9 do Pai \u00e9 meu [do Filho!]\u201d. Reflectindo sobre estes e outros textos do mesmo tipo, a Igreja chegou \u00e0 sua f\u00e9 no Deus uno e trino.<\/p>\n<p>Muitos dizem: que enigma \u00e9 esse, segundo o qual tr\u00eas s\u00e3o um e um s\u00e3o tr\u00eas? N\u00e3o seria mais simples acreditar num Deus \u00fanico e ponto final, como fazem os judeus e os mu\u00e7ulmanos? A resposta \u00e9 f\u00e1cil. A Igreja cr\u00ea na Trindade n\u00e3o porque goste de complicar as coisas, mas porque esta verdade lhe foi revelada por Cristo. A dificuldade de compreender o mist\u00e9rio da Trindade \u00e9 um argumento a favor, n\u00e3o contra a sua verdade. Nenhum homem, sozinho, teria idealizado nunca um mist\u00e9rio assim.<\/p>\n<p>Desde que o mist\u00e9rio nos foi revelado, intu\u00edmos que, se Deus existe, n\u00e3o pode sen\u00e3o ser assim: uno e trino ao mesmo tempo. O amor s\u00f3 pode existir entre duas ou mais pessoas; se, portanto, \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb, deve haver n\u2019Ele um que ama, um que \u00e9 amado e o amor que os une. Tamb\u00e9m os crist\u00e3os s\u00e3o monote\u00edstas; cr\u00eaem num Deus que \u00e9 \u00fanico, mas n\u00e3o solit\u00e1rio. A quem Deus amaria se estivesse absolutamente s\u00f3? Talvez a si mesmo? Mas ent\u00e3o o seu amor n\u00e3o seria amor, mas ego\u00edsmo, ou narcisismo.<\/p>\n<p>Gostaria de recordar o grande e formid\u00e1vel ensinamento de vida que nos chega da Trindade. Este mist\u00e9rio \u00e9 a m\u00e1xima afirma\u00e7\u00e3o de que se pode ser iguais e diferentes: iguais em dignidade e diferentes em caracter\u00edsticas. E n\u00e3o \u00e9 isso que temos de aprender com urg\u00eancia, para viver adequadamente neste mundo? Ou seja, que se pode ser diferentes na cor da pele, cultura, sexo, etnia e religi\u00e3o, e no entanto gozar de igual dignidade, como pessoas humanas? <\/p>\n<p>Este ensinamento encontra o seu primeiro e mais natural campo de aplica\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia. A fam\u00edlia deveria ser um reflexo terreno da Trindade. \u00c9 formada por pessoas diferentes pelo sexo (homem e mulher) e pela idade (pais e filhos), com todas as consequ\u00eancias que derivam destas diversidades: diferentes sentimentos, diferentes atitudes e gostos. O \u00eaxito de um casamento e de uma fam\u00edlia depende da medida com que esta diversidade saiba tender a uma unidade superior: unidade de amor, de inten\u00e7\u00f5es, de colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 verdade que um homem e uma mulher devam ser \u00e0 for\u00e7a id\u00eanticos em temperamento e dotes; que, para estarem de acordo, os dois tenham que ser alegres, vivazes, extrovertidos e instintivos, ou os dois introvertidos, tranquilos, reflexivos. E mais, sabemos que consequ\u00eancias negativas podem advir, j\u00e1 no plano f\u00edsico, de casamentos realizados entre parentes, dentro de um c\u00edrculo estreito. Marido e mulher n\u00e3o t\u00eam de ser \u201ca meia laranja\u201d um do outro, no sentido de duas metades perfeitamente iguais, mas sim no sentido em que cada um \u00e9 a metade que falta ao outro e o complemento do outro. \u00c9 o que pretende Deus quando diz: \u00abN\u00e3o \u00e9 bom que o homem esteja s\u00f3. Vou dar-lhe uma ajuda adequada\u00bb (Gn 2, 18). Tudo isso sup\u00f5e o esfor\u00e7o de aceitar a diversidade do outro, que \u00e9 para n\u00f3s o mais dif\u00edcil e aquilo que s\u00f3 os mais maduros conseguem.<\/p>\n<p>Por aqui se v\u00ea tamb\u00e9m como \u00e9 err\u00f3neo considerar a Trindade como um mist\u00e9rio remoto da vida, que se deve deixar \u00e0 especula\u00e7\u00e3o dos te\u00f3logos. Pelo contr\u00e1rio: \u00e9 um mist\u00e9rio acess\u00edvel. O motivo \u00e9 muito simples: fomos criados \u00e0 imagem do Deus uno e trino, temos a sua marca e somos chamados a realizar a mesma s\u00edntese sublime de unidade e diversidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PE. 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